A poesia está no aroma do café da sua mãe, na colcha de retalhos da sua avó, no tom de voz da sua amiga, no abraço acanhado do seu pai.
A poesia está na menina moleca que se suja na grama, no menino que brinca de boneca, no riso fácil dos apaixonados, no doce amargo dos separados.
A poesia está na finitude, na dor, na lágrima, no suor.
A poesia está no mistério da vida, nas coincidências místicas, no sexto sentido, na ira dos raios solares.
A poesia está no luar que cai feito cortina e transforma o dia em pedaços escuros que trazem calmaria para o absurdo.
A poesia está em cada circunstância, nos pequeninos poros de todas as coisas.
A poesia não é coisa. Vai além. É um estado atemporal de pertencimento, é gota, não é cimento.
A poesia não usa terno e gravata, anda na rua descalça ou de sapatos baratos.
A poesia é você, sou eu, somos todos nós que por um instante nos abstraímos de pensar, planejar, querer ter e passamos para o plano do Simplesmente Ser.
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