'Quanto mais soubermos, menor será o preconceito'


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A Apaaf (Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Franca) foi criada em 2017 e seu principal objetivo é conseguir patrocínios e condições de oferecer às crianças autistas e às famílias, tratamentos especializados que melhorem a qualidade de vida e o desenvolvimento. Atualmente, a diretoria da Apaaf tem 17 membros e conta, ainda, com famílias e voluntários que atuam nas atividades e participam dos projetos. Juliana Rocha, 31, é professora e diretora na associação. Ela descobriu que seu filho tinha autismo em 2014. Esse foi um dos motivos para ter ingressado na Apaaf, que a ajudou e ao marido, José Carlos Jordão Neto, a encararem a doença do filho de uma forma mais tranquila. Hoje os dois são membros da Apaaf e ajudam a outros mães e pais de filhos autistas, além de estarem sempre se atualizando e procurando melhores métodos para lidar com o transtorno enfrentado pelo filho, Arthur Rocha, de 7 anos. Abril é o mês de conscientização a respeito do autismo e Juliana conta um pouco mais sobre esse transtorno e sobre o trabalho da Associação.
 
Quando seu filho foi diagnosticado e como é o convívio com ele? Existem muitos desafios?
Meu filho foi diagnosticado com transtorno do espectro autista com dois anos e sete meses, hoje ele está com sete anos. O convívio é maravilhoso, ele é uma criança iluminada e veio para nos alegrar e ensinar. Mas desafios existem, sim. Ele tem suas limitações e particularidades devido ao autismo, mas com muito amor conseguimos superar cada dificuldade.
 
Por que você decidiu fazer parte da Apaaf? 
Fui convidada para participar da Apaaf pelo presidente da Associação, Harley Guirão, e a sua mulher, Regiane. Já nos conhecíamos através de alguns eventos que participamos e por termos filhos autistas. Carregávamos o mesmo sentimento sobre a falta de um local de atenção e tratamento direcionado às pessoas com autismo e suas famílias.
 
O que você aprendeu com as experiências vividas na Associação?
Aprendi muito. Aprendi que temos que nos unir independente da causa, com união e amizade podemos conquistar muito. Falo que as pessoas que conheci através do autismo se tornaram grandes amigos e uma segunda família. Com essas pessoas encontro compreensão e motivação para lutar por tudo que acreditamos e por um futuro melhor para nossos filhos. Na Associação, formamos uma rede de apoio. Nos ajudamos e ao mesmo tempo ajudamos ao próximo trocando experiências e dicas.
 
É comum ouvirmos dizer que o autista tem dificuldades de demonstrar sentimentos. Você vive essa situação com seu filho?
Algumas pessoas com autismo podem ter mais resistência ao contato físico, mas isso jamais quer dizer que não gostem de carinho ou não sintam amor, muito pelo contrário, são extremamente amorosas e sensíveis. Apenas têm o jeito diferente de demonstrar, cada um tem seu jeito de expressar. Alguns com um simples olhar já transmitem um amor que nem um milhão de palavras e gestos poderiam transmitir. Outros são extremamente carinhosos e gostam de dar abraços e beijos, o que é o caso do meu filho, ele adora contato físico, de abraços apertados, beijos, etc.
 
Como você descobriu que seu filho tinha autismo?
Comecei a notar que meu filho tinha alguns atrasos no desenvolvimento antes de completar dois anos. A primeira coisa que fiz foi procurar um pediatra, mas infelizmente existe uma grande dificuldade por parte dos médicos ao detectarem esses sinais e encaminhar a criança para uma avaliação mais específica. Então, quando procurei o pediatra, ele me tranquilizou e disse que cada criança tem um tempo para seu desenvolvimento, acelerar isso não seria o melhor caminho. Eu e meu marido não desistimos, porque víamos que tinha algo que estava errado e fomos buscar outras opiniões. Meu filho foi diagnosticado por um neuropediatra de Ribeirão Preto. Quando tivemos a confirmação do diagnóstico, apesar de ser difícil, procuramos correr atrás de maneiras de ajudar nosso filho para oferecer tudo que estivesse ao nosso alcance, visando sempre sua felicidade e bem estar. 
 
Hoje é mais fácil lidar com a situação? 
Hoje eu lido muito bem com a questão do diagnóstico do meu filho. Quando me deparei com o autismo e senti na pele o quanto esse transtorno ainda é desconhecido, procurei lutar para proporcionar ao meu filho os tratamentos necessários para o seu melhor desenvolvimento. Busco, também, conversar sempre com as pessoas a respeito. Quanto mais as pessoas conviverem e conhecerem o autismo menos preconceito irá existir. 
 
Qual conselho você daria os pais que acabam de descobrir que o filho é autista?
Ao pais que recebem o diagnóstico, sempre digo que o melhor caminho é a aceitação, amor, paciência, esperança e luta, porque fácil não é, não vou mentir, mas vale a pena cada esforço e cada dia de dificuldade. 
 
A Apaaf fica rua Saldanha Marinho, 1450.

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