Fico a pensar nas altitudes, nas montanhas, na vertigem que me dá de pensar, e logo me canso.
Fico a pensar no meu marido, que por acaso é pai e precisa ser ouvido.
Ser pai não é tarefa fácil, ainda mais nos dias de hoje.
Aparentemente, eis o mistério: um amor que não vem do ventre, que não vem do aleitamento, que não vem da raiz.
O amor maior do mundo, que é construído e regado a cada dia, a cada gesto e ensinamento, feito cera na mão, papel e giz.
Um amor que transcende muros e barreiras, que se contenta em ser secundário, em ser depois, em não ser único, em ser amado no choro, na alegria, no tormento, no lamento.
O marido da mãe, da mãe também é marido, ele tem lápis de cor nas mãos e merece repartir esse pão.
Ele também tem força para agir e flexibilidade no sentir.
O marido da mãe, que por acaso é pai, tem que aguentar as exigências da rainha da escola de samba toda quarta-feira, os deslizes do trânsito, o peso do trabalho, a perigosa crise do país, a ira de não dormir, a saudade de se ver partir.
O marido da mãe merece ser amado, merece um espaço ao sol e um grande espaço no seu coração.
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