Atos em São Paulo neste domingo (7), na avenida Paulista, tiveram xingamentos e agressões físicas entre manifestantes de esquerda e de direita.
Em um carro de som em frente ao Masp, representantes de movimentos de direita comemoraram a prisão do ex-presidente Lula, que completou um ano neste domingo, e defendiam o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato que condenou o petista.
Na praça do Ciclista, na esquina da avenida Paulista com a Consolação, manifestantes favoráveis a Lula se concentravam para o ato da campanha Lula Livre.
Pouco antes das 15h, cerca de dez pessoas se aproximaram do carro de som dos grupos de direita e começaram a gritar frases contra Bolsonaro. A eles se somaram pessoas que aguardavam na fila para entrar no Masp.
Quando representantes dos dois lados começaram a trocar xingamentos e empurrões, líderes dos grupos de direita pediram calma e chamaram a Polícia Militar.
Um casal que passava pelo local foi agredido por participantes do ato pró-Lava Jato. O homem foi jogado no chão e teve sua mochila rasgada; a mulher foi empurrada e recebeu uma gravata de um manifestante.
Os policiais então separaram os grupos, tiraram a mulher dos braços do manifestante e levaram o casal agredido para o outro lado da rua. No carro de som, os organizadores gritaram "viva a PM".
A Polícia Militar não divulgou estimativas de público para as duas manifestações em São Paulo.
Prosseguindo a manifestação, os grupos de direita fizeram críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), em especial ao ministro Gilmar Mendes. Também saudaram a memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos símbolos da repressão durante a ditadura militar (1964-1985).
Um pouco mais tarde, por voltas das 17h, na praça do Ciclista, Guilherme Boulos, líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), fez discurso em defesa do ex-presidente.
O candidato à Presidência em 2018 pelo PSOL chamou de farsa judicial a sentença de Moro que condenou Lula.
"Se a nomeação de Moro como ministro de Bolsonaro, o principal beneficiado da prisão de Lula, não é prova de uma farsa judicial, não sei mais o que é."
Boulos enumerou o que considera uma série de injustiças contra o ex-presidente após a prisão: terem impedido que dê entrevistas, terem cassado sua candidatura, não terem permitido que fosse ao enterro do irmão.
Segundo Boulos, o petista se mantém altivo apesar das adversidades. Esse é o exemplo que a esquerda deve seguir, afirmou.
No dia 7 de abril do ano que vem, declarou o líder do MTST, "espero que não estejamos pedindo Lula Livre, mas sim fazendo uma forte manifestação contra Bolsonaro, com Lula ao nosso lado."
A campanha Lula Livre organizou atos em outras oito cidades do país. As manifestações a favor da Operação Lava Jato ocorreram em ao menos 13 cidades.
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