Em Miami desde 2015, onde aguardava um transplante raro de intestino, o pequeno Davi Miguel estava com volta ao Brasil agendada para o último dia 21 de março. Internado no Jackson Memorial Hospital com uma infecção dias antes do aguardado retorno, ele recebeu alta e nos últimos dias tem recebido antibióticos em casa. Agora, segundo a família, a dívida que gira em torno de US$ 20 mil com a farmácia que fornece os medicamentos para o menino tem inviabilizado uma nova data para a sua volta.
O retorno de Davi Miguel, que completou neste mês 5 anos, começou a ser viabilizado pelo Ministério da Saúde no ano passado, quando a equipe médica que acompanhava o menino em solo americano descartou, ao menos momentaneamente, o transplante de intestino indicado para o garoto, que sofre da doença das microvilosidades ou diarréia intratável (quando o organismo não é capaz de absorver nutrientes dos alimentos). Em dezembro, a Justiça determinou o retorno e o Ministério da Saúde deveria garantir todas as condições para a volta.
Em terras brasileiras, Davi Miguel será encaminhado para o hospital Menino Jesus, em São Paulo, onde passará por procedimentos de adaptação para o tratamento no Brasil. Seus pais, Jesimar e Dinéia Gama, devem passar por treinamento para cuidar dos cateteres que são usados para a nutrição parenteral que ele recebe. A expectativa é que posteriormente ele e a família retornem para Franca e ele siga o tratamento, incluindo consultas periódicas em São Paulo. Todo o tratamento deverá ser bancado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “O Davi teve alta, mesmo com o pagamento atrasado na farmácia, mas para o seu retorno será necessário pagar esta dívida. Eles nos concederam o direito de vir para casa com antibióticos, porque eles pensam no melhor para o paciente, só que o pagamento deve ser feito até 1º de abril. Meu filho com certeza precisará de medicamentos também para a viagem, além disso acreditamos que seja ideal ele viajar em um voo com UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para garantir a segurança dele. Estamos esperando um posicionamento do Ministério da Saúde sobre a volta, mas até agora não nos falaram nada”, disse o pai Jesimar Gama.
O pai afirmou ainda que o retorno precisa ser marcado o mais rápido possível já que a família não tem mais dinheiro para pagar as despesas nos Estados Unidos.
A reportagem do Comércio entrou em contato com o Ministério da Saúde em busca de informações sobre a dívida com a farmácia citada pelos pais de Davi Miguel, assim como sobre uma nova data para o retorno do menino ao Brasil, porém até o fechamento desta reportagem a assessoria de imprensa do departamento não retornou os e-mails encaminhados.
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