Nas últimas semanas as carências do Centro de Franca voltaram à pauta depois que lojistas e empresários retomaram a luta pela revitalização da região em busca de manter o local atrativo para o comércio (veja mais em texto nesta página). Segurança pública, ambulantes, mercado popular nas praças 9 de Julho e Itaú, falta de estacionamentos e até a criação de políticas públicas voltadas aos moradores em situação de rua estão entre as melhorias buscadas.
Para saber um pouco mais sobre essas reivindicações, o Comércio ouviu algumas pessoas que estão diretamente envolvidas com a questão: moradores do Centro, lojistas, ambulantes e donos de barracas do mercado popular que existem nas praças da região Central.
Há mais de 20 anos vendendo roupas infantis e produtos de cama, mesa e banho em uma barraca na “Praça do Itaú”, a comerciante Luzia Lima Domingos, de 79 anos, acredita que a revitalização da praça e padronização das barracas seria um ganho tanto para quem trabalha ali como para os clientes. “Seria muito bom que arrumassem tudo aqui na praça. Este assunto já foi abordado muitas vezes, mas infelizmente nunca saiu do papel. Acredito que se acontecer só temos a ganhar”, disse.
Morando há mais de 40 anos em uma casa no Centro a costureira aposentada Helena Rodrigues, de 73 anos, também é a favor de melhorias na região. “Posso dizer que acompanhei parte do desenvolvimento do Centro. Aumentou o número de lojas, mas em contrapartida também aumentaram moradores de rua, ambulantes. É preciso pensar em formas para melhorar a situação, especialmente quando estamos falando da segurança dos consumidores e moradores no geral”, disse.
“As pessoas em situação de rua, por exemplo, são um problema, pois em muitos casos eles deixam os consumidores amedrontados. Iluminação, falta de vagas de estacionamento e segurança também são pontos importantes para que o nosso Centro fique mais atrativo”, disse Maicon Denis, 35, gerente da Lojas Xavier.
“A falta de estacionamento durante o dia é um problema e no período da noite a iluminação e o alto número de moradores em situação de rua que ficam pedindo dinheiro para os clientes acabam afugentando os consumidores”, disse Larissa Bilenque, gerente adjunta da farmácia Drogasil.
“Andando pelos calçadões podemos observar o grande número de ambulantes, de pessoas pedindo dinheiro, e isso acaba inibindo muito os consumidores. Alguns clientes deixam de vir até o Centro por estes motivos e sofremos com isso. Acredito que a iniciativa de buscar estas melhorias será boa por isso”, disse Carine Fernandes Pereira, gerente adjunta do Magazine Luiza.
Procurada para comentar todas as reivindicações citadas na matéria, como moradores de rua, estacionamentos, segurança, revitalização de praças, entre outros tópicos, a Prefeitura respondeu apenas sobre a questão dos ambulantes. Em nota, a assessoria de imprensa informou que a Prefeitura “vem atuando na forma prevista na legislação, com os fiscais da Vigilância Sanitária trabalhando inclusive nos finais de semana, mas está formatando uma nova proposta que deve estabelecer limites mais claros com os direitos e deveres de cada profissional nessa área”.
Colaborou Kaique Castro
‘EmpreCentro’ elabora projetos de melhorias
Núcleo de desenvolvimento empresarial formado por lojistas do Centro de Franca, o EmpreCentro, da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), tem encabeçado a luta por melhorias na região Central. Neste sentido já foram realizadas reuniões, inclusive com a presença de autoridades locais.
Segundo o diretor administrativo da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), Tarciso Bôtto, é preciso se atentar para a necessidade de providências que colaborem para a manutenção do Centro como área comercial atrativa, em favor da economia local. “A nossa preocupação é deixar o Centro de Franca, cada vez mais receptivo para a população, para o consumidor. [...] A gente entende que se não defendermos nossa economia local, ela pode se degradar”, afirmou.
Entre as demandas solicitadas pelo grupo está a reativação das câmeras instaladas no Centro e seu monitoramento e acolhimento à população de rua para que a mesma seja atendida em suas necessidades, em prol de uma reinserção na comunidade produtiva.
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