Sérgio Olímpio Gomes, 57, integrou os quadros da Polícia Militar por 29 anos. Fez cursos de segurança em Israel e na Espanha. Cursou ciências jurídicas e sociais, educação física e pós-graduação em comunicação social. É autor de três livros. Em 2006, Major Olímpio tornou-se deputado estadual e cumpriu dois mandatos na Assembleia Legislativa. Tornou-se deputado federal em 2014. Ganhou notoriedade pela postura polêmica, se define como um major boca-dura e admite ser um fio desencapado.
Major Olímpio disputou as eleições para senador no ano passado e recebeu nove milhões de votos. Foi o senador mais votado do País. Só em Franca foram 79.475 votos.
Na sexta-feira, major Olímpio retornou à Capital do Calçado pela primeira vez após se tornar senador da República. Ele visitou a Santa Casa, se reuniu com empresários e diretores de entidades na Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) e falou com exclusividade ao Comércio da Franca.
Qual o motivo da visita? Após assumir o mandato de senador, é a primeira vez que estou vindo para regiões do interior, pois, em toda a transição de governo, o senador acaba tendo uma participação muito intensa. Tenho ficado åmais em Brasília ou viajado para outros Estados. Estar em Franca é diferente, pois é o único lugar no interior que tenho um escritório regional. Não tenho escritório na terra onde nasci, que é Presidente Venceslau, mas tenho em Franca. Me tornei filho postiço de Franca, onde recebi o Título de Cidadão Francano. Tenho uma amizade de irmão com o coronel Brandão, que é da minha turma da academia de polícia. Ele que toca o meu escritório. Tive uma votação muito expressiva em Franca e vim à cidade para me comprometer a ajudar na medida do possível. Fiz reuniões técnicas e recebi demandas da Santa Casa, da Apae e dos empresários, sobretudo do setor calçadista. Arrumar recursos é nossa obrigação. As eleições acabaram, chega de discurso e vamos para as realizações. É o que estamos tentando fazer para mudar o País.
O senhor acaba de completar dois meses como senador da República. Qual avaliação faz deste início? Quando você é um novato na casa, a tendência é as pessoas falarem para a gente passar um ou dois anos aprendendo, para, depois, pôr as asas de fora. Eu sou mais acelerado e já cheguei me colocando para tentar disputar a presidência do Senado. Sou encrenqueiro e já no primeiro dia estávamos lá com demandas muito agudas. Sou amigo e aliado de primeira hora do Jair Bolsonaro desde quando era apenas ele, o celular, os filhos e um pouquinho de amigos, acreditando e sonhando em mudar o País. Tenho muita obrigação de ajudar a fortalecer o governo dele e ajudar a implantar as coisas. Isso dá muita briga e confusão, pois conflita interesses. Muita gente no Brasil estava acostumada a mamar nas tetas dos recursos públicos. Estamos tentando cortar isso. Os homens públicos têm que dar o exemplo. Há 15 dias, o Bolsonaro assinou decreto acabando com a possibilidade de ter 21 mil cargos de confiança no governo federal. Isso incomoda. Estamos tentando aprovar um pacote de medidas para endurecer a legislação penal, que é o chamado “Pacote do Moro”. Tem muita gente resistindo e dizendo: “Coitadinho do ladrão, ele não teve uma oportunidade”. Ocorre que a população não aguenta mais a impunidade. É muito bandido solto, é muita moleza na legislação brasileira.
O senhor acredita que o ‘Pacote do Moro‘ seja votado ainda no primeiro semestre? O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está segurando a tramitação do projeto? A resistência está diminuindo. O Rodrigo Maia teve um “piti” esses dias, andou trocando farpas com o Bolsonaro e com o Moro. Essas coisas são normais na vida, mas os homens públicos têm que ter responsabilidade. Já voltaram atrás. Ele e o Moro já conversaram. Tive uma reunião com o Moro e ele está animado. Lá no Senado, estamos ajudando. A senadora Liziane Lins, eu e o senador Eduardo Girão apresentamos as mesmas propostas, com origem parlamentar, para já discutir e votar no Senado para, depois, encontrar com a votação da Câmara. Isso foi combinado com o Moro e tem o objetivo de agilizar as coisas. Estou animado e acredito que no começo do segundo semestre possamos votar o pacote de medidas da segurança.
A Reforma da Previdência será aprovada?
Não tenho dúvidas de que será aprovada, pois não temos outro caminho, não há outra alternativa. Ou fazemos a reforma ou o País quebra. Não teremos mais recursos para fazer o pagamento de pessoal e pagar as aposentadorias. Temos que cobrar quem não pagou e combater as fraudes. É preciso equilibrar o sistema previdenciário. O governo fez o projeto do que seria o ideal economicamente e encaminhou para a Câmara. Haverá as discussões e é lógico que o projeto não ficará igual ao original, alterações são normais. O governo fez o ideal e o Congresso vai aprovar o que é possível. Pode ser que a reforma não resulte na economia prevista pelo governo, mas ela será fundamental para o equilíbrio. As pessoas precisam entender que o Brasil é o Pais da vez. Só não há mais investimento do exterior no Brasil pois eles têm medo, falta confiança. A estabilidade é fundamental para trazer investimentos e ajudar a oxigenar a nossa economia.
Como o senhor avalia decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de arquivar a CPI da Lava Togas? Ele não arquivou. Ele tem um parecer dos técnicos dizendo que não é pertinente porque o objeto da CPI não estaria bem definido. Ele remeteu para a Comissão de Constituição e Justiça, onde sou um dos integrantes, para que a gente possa deliberar a respeito. Ele já recorreu contra a decisão dele mesmo para que o plenário decida. Fui o segundo a assinar o pedido de abertura da CPI e vou assinar quantas vezes for necessário. Já estamos passando o Brasil a limpo no Executivo e no Legislativo. Tem que passar no Judiciário também. Entendo que o Davi Alcolumbre teve uma postura política demais para o meu gosto e não está respeitando as 29 assinaturas para instaurar a CPI. Alguns senadores não querem se meter com o Judiciário. Não entendo qual é a relação disso. A população brasileira está “moendo” esses senadores nos seus Estados. Não deixam os caras sossegados e cobra porque eles não querem assinar. A pressão da população é muito grande e válida. Recebemos pressão de tudo o que é área para retirar as assinaturas e não abrir a CPI, mas não vamos arredar o pé. Vamos dar um trabalho danado. Não somos contra o Judiciário, não. Sabe quem são os maiores apoiadores da CPI Lava Togas? São os juízes concursados, de carreira. Quem fica ensandecido conosco são aqueles que se tornaram ministros pelo Quinto Constitucional, simplesmente pelas questões políticas. São estes que precisam ser apurados.
O senador Jorge Kajuru chamou o ministro do STF Gilmar Mendes de canalha e o acusou de vender sentenças. Como avalia estas acusações? Deu conselhos para o Kajuru ter um pouco mais de calma? O Kajuru é extremamente honesto, firme e de propósito. Nos aproximamos por um amigo em comum, que é o Datena. Não vou dizer se ele exagerou ou não nas críticas. Ele está no exercício do mandato de senador e tem, pela Constituição, liberdade de fala, expressão e voto. Quem sou eu para criticar o Kajuru? As pessoas me chamam de fio desencapado, sou o cara que briga pelas coisas. Se precisar, vamos para o pau da mesma forma. Entre o Kajuru e o Gilmar Mendes, eu sou 100% Kajuru. Vou apoiar o Kajuru em todos os momentos e estaremos juntos. Não tem conversa não. O Kajuru, simplesmente, teve a ousadia de dizer o que todo o povo brasileiro acha.
O senhor já avisou o Bolsonaro que a campanha já acabou e que ele e os filhos precisam sair das redes sociais e começar a governar? O Bolsonaro tem um estilo de comunicação direta dele com as pessoas. Ele se fez assim. Ele e o celular dele conquistaram o Brasil. Agora, ele está se adaptando com isto, pela chamada liturgia do cargo da presidência. Aos poucos, vão parar, se Deus quiser, essas manifestações no Twitter, nas redes sociais. Os filhos dele são pessoas maravilhosas, mas cada um tem que entender o seu papel dentro da República. Um é vereador, outro é deputado federal e o outro senador. Já, já, cada um chega no ponto em comum, como está todo mundo se adaptando. Estamos com 90 dias de governo. Daqui a pouco, as divergências vão se equacionar. Temos que deixar as picuinhas, diferenças e vaidades de lado, pois há 210 milhões de pessoas que estão esperando muito de nós. Em nome do equilíbrio, da paz para nosso País, da segurança e para a retomada do crescimento, temos que ser muito maiores que nossas picuinhas. Se Deus quiser, isto vai serenando.
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