Depois da tempestade vem a bonança, dizem os médicos, os padres, a natureza e até as mães de antigamente.
Vi um menino triste chorar a morte da sua mãe. Vi um senhor passando fome pelas ruas da cidade.
Vi o mundo de cabeça para baixo diante de tanta atrocidade.
Vi monstros mundanos. Lembrei-me da pequenez do ser humano.
Lembrei que o mundo continua, apesar dos desenganos.
Lembrei-me da minha avó, dos cafunés de criança e da criança que ainda vive em mim, do pão com manteiga e do cheiro de naftalina que saía do armário ao som do telefone de linha tocando: trim trim.
A saudade é soberana, a vida escorre pelos meus dedos com o tilintar do relógio cuco.
A cristaleira eu carreguei comigo feito um navio em tempestades criadas por mim.
Abro-a rotineiramente e inspiro seu perfume que encandeia o meu ser.
É preciso qualquer droga de fé para viver.
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