Apagão deixa 85% da Venezuela sem acesso à internet


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É a segunda vez que uma falha geral no fornecimento de energia atinge a Venezuela.
É a segunda vez que uma falha geral no fornecimento de energia atinge a Venezuela.

O apagão que atinge a Venezuela desde a tarde de segunda-feira (25) prejudicou também o uso da internet no país, deixando 85% da população sem acesso à rede nesta terça (26).

A falta de luz fez o regime do ditador Nicolás Maduro suspender as aulas e o dia de trabalho até a noite desta quarta (27).

É a segunda vez que uma falha geral no fornecimento de energia atinge a Venezuela em menos de um mês.

Segundo a ONG britânica NetBlocks, que monitora a disponibilidade da internet em diferentes países, 20 dos 23 estados venezuelanos enfrentaram problemas de acesso.

Em 16 deles e no Distrito Federal, onde fica Caracas, a situação foi considerada severa –quando o acesso cai para menos de 10% do normal.

Os moradores da cidade também relataram dificuldade para estocar alimentos e para se locomoverem, já que o metrô está paralisado.

O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela, acusou Maduro de aproveitar a falta de internet para espalhar notícias falsas. "O regime utiliza esses momentos para desinformar e gerar confusão", disse ele na segunda.

Estudo da Universidade de Oxford (Reino Unido) de 2018 mostrou que o governo venezuelano tem equipes voltadas para a distribuição de fake news nas redes sociais, o que Caracas nega.

Nesta terça, Maduro voltou a culpar os EUA e a oposição pelo apagão, que começou às 13h20 (14h20 em Brasília) de segunda. A energia chegou a voltar em algumas localidades na tarde de segunda, mas à noite ela voltou a cair e o problema prosseguiu na terça.

Maduro afirmou que a falta de energia foi causada por um incêndio na área de geração e transmissão da usina hidrelétrica de Guri, no estado de Bolívar (sul), que fornece 80% da energia da Venezuela.

Ele disse que o local "sofreu dois ataques terroristas desonestos" na segunda.

O primeiro teria sido cibernético e ocorrido no começo da tarde, causando o apagão. Já o segundo, eletromagnético, teria gerado o incêndio em uma central pouco antes das 22h locais (23h no horário de Brasília).

O ministro de Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, divulgou nas redes sociais imagens do que seria a usina de Guri após o incêndio.

Segundo Guaidó, o apagão ocorreu por uma sobrecarga no sistema de subestações. "Este regime é tão inútil que criou uma guerra elétrica imaginária e a perdeu em três dias", disse ele em discurso na Assembleia Nacional.

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