Semeadoras


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Bem poderia eu exaltar a figura feminina dizendo das tantas mulheres que sinalizam, para mim, algo de essência, de alma, daquilo que é inexplicável pelas palavras cotidianas. Bem poderia buscar Adélia, Cecília, Clarice e tomar-lhes emprestado o verbo poético e transcendente para dizer o indizível da alma mulher. Quem sabe pudesse soar a voz de Marisa, Elis ou Dalva, ou de minha mãe com canções de ninar. Quiçá, buscasse as palavras cientificamente arranjadas e sábias que souberam dizer minhas professoras tantas. Para quê, na verdade, ter que provar pela exaltação, a beleza das aves do paraíso? Elas estão aí cantando, amando, dançando, labutando... Felizes os que têm das mulheres o seu melhor: sua alma que persiste na busca dos diamantes que se misturam às pedras. Mulheres são seres que não se importam em sangrar os dedos para remexer o barro da vida e retirar de lá suas crias, quaisquer que sejam. Não quero ser mais um a falar do apelo proveniente do corpo exposto ou do que se adivinha. Há algo mais que não se manifesta com facilidade no fora. Há um algo que se esconde no fundo do olhar, na ternura do sorriso e do abraço, no colo que aninha o infante, nas rugas já impossíveis de serem escondidas ou nos cabelos brancos que representam a caminhada que a tudo resiste e supera. Falo deste algo mais, tão difícil de ser reconhecido, deste além de humanidade. Quando a vida se torna seca e estéril há ainda a esperança de uma alma mulher a semear o bom futuro, a bem aventurança e a paz porque de guerra e dor já estamos fartos no mundo dos homens.
 

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