Depois da forte chuva o vendedor de picolés passa buzinando. Em vão. Temperatura baixa... Em vão não. A velhinha, manquejando, equilibrando sombrinha e sacola, faz-lhe sinal. Quer um picolé. De morango. Conta as moedas. Não são suficientes. Desculpa-se. O homem, trôpego também, dá-lhe o gelado de graça. Desculpa-se por não ter de morango. Mas é de chocolate! Deve ter pago do próprio bolso a dádiva. Ela vira a esquina, coloca o presente na sacola de plástico. Está com dor de garganta. Só ia comprar para ajudar o rapaz que, possivelmente, naquela tarde nada venderia.
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