Alzheimer predomina entre os pacientes de geriatria; entenda


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"Não existe medicação que previna o Alzheimer, mas algumas medidas podem ajudar; entre elas, fazer atividade física e aprender coisas novas", disse o geriatra Rafael Lira

O desaparecimento do produtor rural Miguel Berdú Egéa, de 87 anos, que sofre do Mal de Alzheimer ou Demência de Alzheimer, chamou atenção para a doença que provoca perda de memória e de habilidades cognitivas. E o Alzheimer é, de fato, uma doença que precisa de atenção. Em Franca, no ano passado, foram realizadas mais de 2,5 mil consultas geriátricas na rede pública, sendo que a maior parte dos pacientes atendidos, segundo informações da Secretaria de Saúde, é formada por pessoas que sofrem de demência e Alzheimer.

A doença, que não conta com medicamento preventivo, tem como principal sintoma, de acordo com o médico geriatra Rafael Lira, que atende no Hospital e Maternidade Regional, o comprometimento da memória. “A pessoa começa a ficar, como é dito popularmente, esquecida e repetitiva. Existe uma dificuldade para memorizar uma pequena lista de compras, para lembrar-se de compromissos, para lembrar-se de detalhes de conversas e acontecimentos recentes, para lembrar o que lhe foi dito anteriormente. Pode existir uma desorientação no tempo e no espaço e pode ter alteração no comportamento, por exemplo, apatia, irritabilidade e depressão”, explicou.

Segundo o profissional, existem três fases da doença: leve, moderada e grave. Sabe-se que é uma doença incurável e de piora lenta e progressiva. Quanto mais avançada a fase, mais dependente de cuidados de terceiros a pessoa será. Apesar de não existir nenhum medicamento que cure definitivamente a doença, existem alguns que podem retardar a evolução da mesma. Atividades específicas que ajudam a trabalhar a memória também são consideradas importantes para o tratamento.


Prevenção

“Não existe medicação que previna o desenvolvimento da Demência Alzheimer. Mas sabe-se que algumas medidas podem evitar até 1/3 dos casos. Entre elas estão: ter um bom controle da hipertensão e do diabetes; tratar a obesidade e perder peso; parar de fumar; fazer atividade física; tratar corretamente quadros depressivos; estudar e aprender coisas novas; manter um bom convívio social e familiar e corrigir perda auditiva e visual” disse Lira, que afirmou que os dois maiores fatores de risco para desenvolvimento da doença são idade e histórico familiar.

Na rede pública, de acordo com a Secretaria de Saúde, os idosos são atendidos em todas as unidades de saúde, sendo encaminhados para especiaO tratamento de quadros demenciais é realizado no Ambulatório de Geriatria, que conta com geriatra, fisiatra, psicóloga, fisioterapeuta, enfermeira e equipe de apoio. No Ambulatório de Geriatria é realizado, mensalmente, o grupo de apoio às famílias de pacientes com quadros de demência, orientado pela psicóloga e pelo médico geriatra.

 

Lares concentram muitos casos


Apesar de não existirem lares específicos para tratar pessoas com Alzheimer, alguns pacientes podem viver em ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos), conhecidas popularmente como casas de repouso.

Em Franca, segundo as próprias instituições, mais de 40% dos residentes dos lares possuem o Mal de Alzheimer ou outros graus de demência. Na Instituição Espírita Nosso Lar - Lar de Dona Leonor, onde são residentes 55 idosas, 23 delas sofrem do Mal de Alzheimer em diversos graus.

Nos Lares de Idosos Eurípedes Barsanulfo e São Vicente de Paulo, que têm 40 idosos cada, metade dos internos têm demência. No Lar de Ofélia, que pertence à Fundação Espírita Judas Iscariotes, são 180 residentes. Na instituição existe uma ala específica para idosos com Alzheimer e 28 pacientes estão em um estágio mais avançado da doença. Além disso, alguns internos que têm Alzheimer, mas em outro estágio, estão separados em outros núcleos.  

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