E o BNDES, como fica?


| Tempo de leitura: 2 min

O trabalho da Polícia e do Ministério Público Federal, com o indispensável respaldo do Poder Judiciário, tem sido fundamental para desmontar o esquema de corrupção dentro da Petrobrás, cuja magnitude quase levou a estatal à bancarrota.

Trabalho semelhante, também, tem sido importantíssimo para desvendar o esquema criado pelas principais empreiteiras do país, para assaltar os cofres governamentais, superfaturando obras, tudo com o beneplácito de vários agentes públicos, nas três esferas de Poder, que sempre fecham os olhos para os absurdos, quando regiamente remunerados.

Mas a faxina ainda não está completa. Há dois setores que ainda precisam ser bem examinados, sob pena do trabalho das Instituições de Controle e Fiscalização não resultar efetivo. Na Itália, por exemplo, a operação “Mãos Limpas” atuou em todas as frentes.

O primeiro setor que ainda clama por um exame acurado de suas atividades, é o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social). Para muitos especialistas, ali é que estaria a verdadeira “caixa preta” do esquema de corrupção. Empréstimos que teriam sido concedidos para empresas nacionais e estrangeiras, sem qualquer rigor técnico e em condições amplamente favoráveis aos devedores.

No entanto, pelo que se tem notícia, até a presente data, não há nada de concreto sendo encetado por esses órgãos encarregados da fiscalização, visando desvendar o mistério do BNDES (se é que há mistério).

O outro setor que também merece um exame detido das autoridades competentes, é o do futebol. Sim, pois além das arenas superfaturadas, das transações envolvendo quotas de televisão, ainda existe um verdadeiro descalabro nas transações de jogadores brasileiros para o exterior. Eles são transacionados para a Europa, Japão, China ou mundo Árabe, por valores astronômicos, poucos meses depois, retornam ao nosso país, sem maiores explicações, por meio de cifras infinitamente inferiores, fazendo supor, em muitos, a existência de um esquema de lavagem de dinheiro. Nesse passo, merece ser lembrada a sabedoria cabocla: “onde tem queijo, tem rato”. É só averiguar.


Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários