A Apaaf (Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Franca) divulgou, nesta semana, o circuito realizado anualmente em celebração ao dia Mundial de Conscientização do Autismo, que é comemorado no dia 2 de abril. A programação divulgada conta com diversas atividades que terão duração de uma semana, vão do dia 31 de março até o dia 6 de abril.
Tudo começa com um domingo que será exclusivo para crianças e jovens com autismo e seus familiares. O evento será realizado no Poliesportivo “Pedrocão” e espera receber cerca de 1.500 pessoas. A primeira atração do dia será a “2ª Corrida Azul Apaaf & Feac”, que terá inicio às 8h. A corrida para adultos e atletas abre as comemorações e proporcionará a alegria das crianças presentes. As inscrições já estão abertas e se encerram no dia 20 de março ou quando o número de 500 participantes for atingido.
Após a corrida, começa o famoso piquenique voltado para pessoas autistas e seus familiares, mas que será aberto ao público. O piquenique começa às 9h e contará com diversas atividades recreativas mescladas a toda comilança, como pula-pula, tobogã, um carrinho de pipoca e algodão doce e várias outras brincadeiras que serão comandadas por professores e membros da associação. Cada família ficará responsável por levar seu lanche, recolher seu lixo e acompanhar seu filho nas brincadeiras e atividades.
“A nossa intenção com o piquenique e os demais eventos é desmistificar e informar as pessoas sobre o que é o Autismo e como lidar com essas pessoas nas mais diversas situações sociais,” disse Juliana Rocha da Silva, 30, professora de língua portuguesa e membro da diretoria da Apaaf. “O objetivo é proporcionar um dia de lazer para os portadores de autismo. Um dia para que se sintam verdadeiramente incluídos, à vontade e aceitos,” completou a professora.
Palestras
Além do piquenique, a Associação divulgou palestras que acontecerão ao longo da semana. Elas serão comandadas por especialistas em autismo; profissionais da área da saúde, educação, além de palestras com advogados que irão orientar sobre os direitos das pessoas portadoras da doença.
E para fechar a semana, as crianças contarão com uma sessão de cinema adaptada, já que para a maioria dos autistas é um pouco difícil ir ao cinema comum, por conta do som muito alto e, também, da iluminação que pode ser insuportável para o autista, por conta da falta de processamento sensorial que é um fator entre os portadores deste transtorno psiquiátrico (leia mais nesta página).
Sobre a Apaaf
A Apaaf foi fundada em 2017. Idealizada e criada por pais de crianças autistas, a Associação desenvolve projetos educacionais e terapêuticos que serão ofertados para a população. A associação também realiza diversos cursos de capacitação, palestras e workshops para pais de crianças autistas e profissionais da área da saúde e educação.
A Associação atualmente luta para conseguir patrocínios e condições de oferecer às crianças e às famílias, tratamentos especializados que melhorem a qualidade de vida e o desenvolvimento. A associação foi idealizada e fundada somente por pais de Autistas.
Transtorno não tem uma causa definida e não tem cura
O autismo é um problema psiquiátrico que costuma ser identificado na infância, entre dois e três anos. O distúrbio afeta a comunicação, o aprendizado e adaptação. Os autistas têm o desenvolvimento físico normal, mas têm dificuldade para firmar relações sociais ou afetivas. Pesquisas indicam que a causa provavelmente são quadros resultantes de diferentes genes, mas a informação não é comprovada. O que se sabe com certeza, é que não tem cura.
Os sinais aparecem quando a criança tem entre dois e três anos de idade. Existem diferentes tipos de autismo. Há autistas com formas graves do transtorno, com retardo mental e agressividade e formas mais leves, em que a inteligência e a fala são normais. Há, também, uma categoria denominada savant (sábio, em francês). Os autistas savats têm uma memória fora do comum e talentos específicos especialmente ligados à musica, matemática, desenho e cálculo de calendário. Pessoas com autismo podem apresentar dificuldades no processamento sensorial. Por essa razão, elas podem não tolerar sons altos, por exemplo, ou sensibilidade excessiva no tato, olfato, paladar e visão.
Fonte Cristina Maria Pozzi, Neuropediatra
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