Simplesmente mudou


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Será que eu mudei ou foi o carnaval que mudou?

Nasci e vivi por um bom tempo em uma cidade que sempre ostentou o laurel de ter o melhor carnaval do interior de Minas Gerais. Todos da nossa região que já completaram mais que quarenta primaveras, hão de reconhecer que o carnaval em Cássia sempre fez grande sucesso.

Ao longo dos anos, vários foram os excelentes blocos carnavalescos que desfilaram pela Praça Barão de Cambuí, encantando conterrâneos e visitantes que para lá se deslocavam, ávidos por participar de um evento grandioso.

Os tradicionais blocos, Adis Abafa, Cartolas, Arrelia, Piratas, Marujo do Samba, Unidos da Vila, Pica-Paus, Cabelos Brancos, Índios, dentre outros, durante anos desfilaram e encantaram pessoas. Nas sextas-feiras que antecediam os desfiles que, sempre, se iniciavam no sábado de carnaval, tínhamos as apresentações dos cordões improvisados, quase sempre com os participantes mascarados.

Após os desfiles dos Blocos Oficiais que se encerravam, britanicamente, às 23,30 horas, os salões dos três clubes da cidade, o Cassiense, Pica-Paus e Clube Popular, se enchiam de foliões animados que pulavam até o sol raiar, ao som das tradicionais marchinhas, muitas, atualmente, condenadas pelo que se costuma chamar de “politicamente correto”, por conterem, ao sentir de alguns, conteúdo racista e homofóbico.

No último carnaval estive em Cássia e deparei com um cenário bastante diferente. Já de algum tempo não há mais carnaval nos clubes sociais. Alguns blocos ainda se esforçam para fazer um desfile de qualidade. Porém, o que as pessoas mais querem, especialmente os jovens, é pular na praça ao som de bandas contratadas pela Prefeitura que cantam tudo, inclusive sertanejo universitário e Rap, menos as tradicionais músicas de carnaval.

Diante desse quadro, concluo entendendo que eu não mudei, continuo tendo as mesmas preferências de antes, mas o carnaval sim. Agora ele atende um público com novas predileções, mas que não pode ser repreendido por isso, pois o bom da vida é entender que nada é, ou deve ser, estático.

 

Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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