O problema nunca foi o Hino Nacional


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Na última segunda, o Ministério da Educação enviou um comunicado às escolas do País que causou polêmica. A carta pedia que as escolas filmassem os alunos durante a execução do Hino Nacional e enviassem os vídeos ao MEC. O problema, no entanto, nem de longe, é a execução do hino. Na carta, o ministro pedia que os alunos fossem perfilados para a execução do hino nacional em frente à bandeira e lida uma carta do ministro Ricardo Vélez Rodriguez, que continha o seguinte trecho: “Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de vocês, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!”.

A ação do ministro, que segundo ele era voluntária, abriu brecha para uma série de problemas. Primeiro, usar a imagem dos estudantes, em sua grande maioria, com menos de 18 anos, sem autorização prévia dos pais. Depois, usar o Poder Público para reforçar um slogan eleitoral. A reação foi imediata.

Além da revolta nas redes sociais e até de a situação ter virado piada em alguns meios, o Ministério Público enviou um pedido de esclarecimentos ao ministro que, no dia seguinte, afirmou ter errado ao pedir para as escolas filmarem as crianças sem autorização dos pais. Na quinta, o próprio presidente Jair Bolsonaro, durante um café da manhã com jornalistas, disse que orientou o ministro: “peça desculpas e desfaça.”

Quinta-feira, 28, para surpresa dos francanos, um problema muito semelhante aconteceu na terra das três colinas. A Secretaria de Educação enviou uma carta orientando os gestores das escolas municipais a, entre outros itens, a falar do trabalho do governo Gilson de Souza “em busca de melhorar a qualidade do serviço”. Um trecho da correspondência dizia: “Nosso prefeito é próximo à população, é importante que os munícipes o sintam presente no ambiente escolar, citem seu envolvimento nas decisões da educação e participação efetiva na pasta”. Aqui a repercussão também foi imediata.

Em uma ponderação necessária, é importante destacar que os gestores têm todo o direito de mostrar para a sociedade as medidas que têm tomado, as decisões e resultados de seus governos. De outro lado, é fundamental que haja uma clara separação entre os conceitos de prestação de contas e de promoção eleitoral.

Escolas limpas e bem cuidadas, professores valorizados e preparados para exercerem seu trabalho, o acesso a ensino de qualidade garantido aos jovens e crianças, a prática esportiva vista com seriedade, bibliotecas decentes e tantas outras áreas que precisam de atenção na educação pública. O respeito à história, às artes, à cultura e, principalmente, ao pensamento livre. Isso, sim, forma e transforma cidadãos, patriotas. Isso sim, quando acontecer, merecerá elogios espontâneos. O resto é só a velha política que insiste em permanecer entre nós. 

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