A “via-crúcis” de Fernando Collor de Mello, que inclusive culminou com o seu impeachment, teve como estopim as graves denúncias de seu irmão Pedro Collor, de que Paulo Cesar Farias, o tesoureiro da campanha presidencial, era o braço corrupto do Governo de seu irmão. O escândalo tomou tamanha proporção que ficou insustentável a permanência de Fernando Collor no cargo.
Luis Inácio Lula da Silva, também sofreu ao longo dos seus dois mandatos presidenciais, com contínuas acusações de tráfico de influência e de enriquecimento ilícito, atribuídos ao seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido por “Lulinha”. Tais fatos lhe teriam permitido acumular considerável fortuna. Lula não perdeu o cargo, graças ao seu carisma e ao bom desempenho de seu governo. Não sofreu o impeachment, mas acabou preso após o mandato e condenado em penas, ainda recorríveis, de mais de 24 anos.
Dilma Rousseff, por sua vez, precipitou o seu impeachment, quando pretendeu de forma ostensiva e até despudorada, nomear e manter Ministros com a nítida intenção de lhes conferir foro privilegiado e consequentemente permitir que eles escapassem das “garras afiadas” do então Juiz Sérgio Moro.
O atual presidente Jair Bolsonaro, conseguiu se eleger com o estandarte de acabar com a bandalheira. Mas, na aurora de seu governo, se vê às voltas com graves denúncias envolvendo os seus filhos e alguns de seus Ministros.
Retoricamente ele tem se mostrado firme na apuração dos fatos atribuídos aos filhos e seus correligionários. Também tem manifestado favorável as punições cabíveis, se as denúncias forem comprovadas.
Talvez a conduta de Bolsonaro, que, ao contrário de seus antecessores não tenta “tapar o sol com a peneira”, possa lhe conferir desfecho diferente, se confirmadas as acusações. Ademais, a nação brasileira já tem maturidade suficiente para separar “o joio do trigo”, não condenando o pai por eventuais delitos dos filhos, pois todos os que são pais sabem, de sobejo, que não é fácil controlar as ações dos filhos quando eles atingem a maioridade. O tempo, porém, é que dirá o que está reservado para o governo Bolsonaro.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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