O casamento da tia Maria


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Tia Maria era a única irmã de meu pai. Ela se casou em meados dos anos 60.

Naquela época eu era muito pequena e entendia pouco, ou seja, só entendia que estava acontecendo algo diferente na família, pois vi o alvoroço assim que minha mãe recebeu a notícia do casamento.

Nesta época era costume, na nossa família, todos contribuírem de alguma forma para algum evento que fosse ocorrer.

Morávamos na fazenda ainda e vi minha mãe já separando os pintinhos que seriam os futuros frangos para o almoço do casamento. Também a vi começar a preparar o presente, que como era de praxe no nosso caso, seria todo original, ou seja, feito à mão...

 Lembro-me de minha mãe costurando grandes toalhas de banho feitas de saco de algodão alvejado e em seguida as mesmas seriam desfiadas nas pontas e amarradas com nós, de forma a fazer um barrado todo estilizado, o chamado macramê, de que só vimos a conhecer a denominação aqui em Franca. Minha mãe colocou minhas duas irmãs mais velhas para desfiar e amarrar e isso tudo foi um acontecimento. A casa ficou toda alvoroçada com a produção dos presentes e a euforia do casamento.

Minha tia Maria era uma moça muito bonita e elegante. Usava belos tubinhos, saltos altos e mantinha os cabelos curtos, o que a fazia interessante e moderna, principalmente para nós, verdadeiros bichos do mato. Acho que herdei dela o gosto pela magia dos vestidos, porque só me sinto verdadeiramente mulher usando um.

E falando sobre vestidos, me recordo que minha irmã, mais velha que eu poucos anos, foi daminha do casamento. Fiquei com um ciúme danado daquilo, porque não entendia o porquê. Coisas de criança. Não sei se percebendo isso, minha mãe mandou fazer vestidos iguais, ou seja, eu não fui daminha, mas estava tal e qual minha irmã.

Recordo que namorei este vestido a festa inteira. Nunca havia visto nada igual de tão rosa e lindo. Aliás, acordei para os vestidos naquele dia, pois nunca havia prestado atenção neles até então.

Assim, eu pesquisei tudo nele, do forro às mangas e andava durante a festa levantando a parte de cima para mostrar como o forro era mais lindo que o tecido propriamente dito. Trago recordações apagadas na minha mente, pois não recordo do vestido de noiva da tia Maria e nem da cerimonia em si, mas lembro da alegria, da união dos irmãos, pois cada um contribuiu com alguma coisa.

Lembro-me também de todos indo de carona no caminhão do leite para o casamento; da energia da festa, da comida, das pernas dos adultos dançando na minha frente, dos risos das mulheres e, sim, lembro muito daquele meu vestido...

Este vestido e o inusitado da ocasião ficaram gravados na minha mente como um símbolo de alegria, liberdade, feminilidade e união que só os momentos felizes nos proporcionam.

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