O músico e professor Pedro Fonseca, 38, é hoje símbolo do Carnaval de rua de Franca. Defensor do apoio governamental para manter a folia, Pedro lembra que a festa é um patrimônio cultural e deve receber apoio dos governos para se manter. Amante de música brasileira desde a infância, o músico ganhou notoriedade à frente do bloco Cangoma, que percorre as ruas da cidade no ritmo do maracatu e de outras batidas tradicionais. Para o cortejo deste ano, a expectativa é reunir 9 mil pessoas.
O Cangoma começou como uma brincadeira de uns poucos amigos e hoje arrasta milhares de foliões. O que você sente?
É uma alegria muito grande ver a adesão do público. O primeiro cortejo foi em 2007. Na época, era o Grupo Cangoma, não o bloco ainda, e nós éramos em 15 integrantes. Hoje (são) em torno de 7 mil pessoas acompanhando. É uma sensação de que o trabalho valeu à pena, que a resposta está vindo. É uma alegria muito grande.
Como estão os preparativos para o Carnaval deste ano?
Os preparativos estão a mil agora. Principalmente quando chegam as três semanas que antecedem o Carnaval, a correria é muito grande e a gente prepara tudo com muito carinho. Já estamos com tudo organizado, palco, luz, as tendas, que foram oferecidas pela prefeitura, carro de som, o local do baile, equipe de apoio, produção, segurança. Imaginamos (um público) pra cima de 7 mil pessoas. De repente, 9 ou até 10 mil pessoas... A gente torce para que o tempo colabore, porque a chuva pode acabar prejudicando.
O percurso será o mesmo?
O itinerário vai ser o mesmo da terça-feira de Carnaval do ano passado. A gente sai da Praça João Mendes, desce pela Rua Líbero Badaró, entra na Júlio Cardoso, vem direto por ela, dobra à direita na General Osório e depois na Major Claudiano, que vai dar lá na Praça [Nossa Senhora da Conceição], onde finaliza o Cortejo e vai ter o show depois na Concha Acústica. Vai acontecer na segunda (04) e na terça-feira (05) de Carnaval. A concentração começa a partir das 16h, na Praça João Mendes, e a saída prevista do cortejo é às 17h. Provavelmente, chegamos na Praça por volta das 18h30.
A liberação de recursos públicos para o Carnaval foi muito criticada neste ano. O que você acha disso?
Acredito que é função, obrigação do governo, tanto federal quanto municipal, seja qual for o caso, apoiar, sim, essas manifestações. O Carnaval é a maior festa brasileira, faz parte da nossa herança cultural, faz parte da nossa história. Muitas vezes o Carnaval é visto só como entretenimento, só como uma festa, só como diversão, o que também é. Mas não é só isso. Se você pegar as escolas de samba aqui de Franca, (elas) têm 40, 50 anos. Tem uma história viva de várias pessoas que se envolvem, que dedicam a vida para isso, para colocar o Carnaval na rua. É um momento onde o povo é o protagonista da festa, não é um espectador somente. Ele faz parte dessa produção. Isso envolve um monte de questões sociais, educativas, de valorização das manifestações populares.
O Cangoma recebe apoio da prefeitura?
O apoio que a gente recebe é para os shows da praça. Duas tendas, banheiros químicos, água, e apoio da organização da documentação também, que é importante, para liberação do alvará, contato com a Polícia, essa parte mais burocrática.
No seu tempo livre, o que gosta de ouvir?
Desde menino, desde criança sempre ouvi muita música brasileira. Minha formação sempre foi em cima de música brasileira. E eu acabo ouvindo mais música antiga do que música atual. Eu gosto muito de choro, de samba raiz, de samba tradicional, da música regional brasileira, tanto nordestina quanto aqui da nossa região, forró tradicional, forró pé-de-serra, o sertanejo raiz, as duplas tradicionais caipiras aqui da nossa região. Ouço muito bossa nova também, os mestres da MPB, que todo mundo conhece, (como) Gil, Caetano, Chico Buarque, Vinícius de Moraes.
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