Elaine Caparroz é uma linda mulher de 55 anos. Solteira, como centenas de milhares de mulheres atualmente, fez uso da internet para conhecer pessoas, fazer novas amizades e, eventualmente, conhecer rapazes com quem poderia se relacionar. Há oito meses ela conversava com Vinícius Batista Serra, de 27. Finalmente, o dia do encontro chegou. A noite correu bem até que, na madrugada, Elaine acordou sendo espancada violentamente por Vinícius.
O rosto dela foi absolutamente desfigurado. Inúmeras fraturas a impedem de abrir os olhos e a retina do olho esquerdo foi descolada. Nos braços, marcas de mordidas que ela diz que aconteceram quando tentou impedir que o rapaz lhe aplicasse um “mata leão”. Elaine só foi salva porque gritou e os vizinhos, do seu apartamento na Barra da Tijuca, região de classe média do Rio de Janeiro, atenderam ao chamado desesperado. Assim como as imagens dos hematomas de mordidas nos braços e do rosto de Elaine, as manchas de sangue espalhadas por todo seu apartamento também são impressionantes. Vinícius disse que acordou em surto e está preso em um hospital psiquiátrico.
O caso acendeu um grande debate na internet na última semana. Seria Elaine uma irresponsável por ter aberto seu apartamento para um rapaz que ainda não tinha encontrado pessoalmente? Mais uma vez, muitos caem na armadilha de colocar sobre a mulher a culpa, mesmo sendo ela, claramente, a vítima.
O raciocínio estão tão arraigado em nossa sociedade que é fácil compreender o tamanho do desafio que é traçar uma linha diferente.
O uso de aplicativos ou redes sociais está mais que difundido na sociedade nos dias de hoje como forma de nos conectar. Estamos todos, diariamente, conhecendo novas pessoas pelo celular, pelo computador. É apenas mais uma ferramenta.
Engana-se, no entanto, quem acredita que conhecer um homem pessoalmente em diferentes encontros, frequentar a família, amigos ou descobrir interesses, faça com que uma mulher esteja imune à agressão. Os assombrosos índices de violência contra mulher estão aí para não deixar dúvidas. A cada cinco minutos uma mulher é agredida no Brasil, são 12 mil por dia em números do ano passado. Na ampla maioria, os agressores são namorados e maridos. Homens perfeitamente conhecidos por suas vítimas.
O caso de Elaine é mais um. O que ainda incomoda é o fato de ela por algum motivo não ter sentido medo de Vinícius antes, medo que nem deveria existir em nenhuma relação. Medo que, via de regra, nenhum homem sente ao ir se encontrar com uma mulher com quem conversa há mais de oito meses. Em vez de culpar as vítimas, não deveríamos estar questionando a razão que leva nossa sociedade a temer o desequilíbrio de tantos homens? Ainda há muito a que ser enfrentado para que o machismo arranque suas raízes da nossa sociedade, para que enfim, homens e mulheres, possam viver em igualdade. E, ambos, sem medo.
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