Automedicação


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A automedicação em nosso país é uma realidade incontestável. O brasileiro toma remédio em excesso e a fácil constatação disso é o grande número de farmácias existentes em todas as localidades do país.

Na minha infância, em Cássia, com aproximadamente 14 mil habitantes, eram três as farmácias: a do João Reis, do Cacildo e a do Távico. Atualmente, segundo o último senso do IBGE, a cidade tem em torno de 18 mil habitantes, porém, já são mais de dez as farmácias. A população da cidade cresceu 22% e as farmácias mais que triplicaram. Soma-se, ainda, o fato de que alguns medicamentos, como analgésicos, ainda são encontrados em bares e restaurantes, além de algumas poderosas redes de Drogarias, com forte apelo publicitário, comercializarem medicamentos, sem qualquer controle, pelo telefone e pela internet, induzindo a pessoa a comprar aquilo que não necessita, apenas porque está barato.

Em vários países da Europa e nos Estados Unidos, a quantidade de farmácia disponível à população é bem menor, sobretudo porque as pessoas não têm o hábito de se automedicar. Além disso, drogas que são livremente vendidas no Brasil, naqueles países, só se consegue com prescrição médica.

O Sistema de Saúde acostumou a tratar os sintomas e não a doença e o doente. O uso de antibióticos, antidepressivos e de medicamentos “tarja preta”, é desmedido, acima de qualquer parâmetro internacional. Registre-se que os jovens, sem que se possa entender por qual razão, são os que mais consomem medicamentos para disfunção erétil.

Cogito (não é uma informação, mas uma sensação), que os grandes laboratórios mundiais, aqui obtém lucros astronômicos, tanto que lutam bravamente em defesa de suas patentes, impondo preços abusivos a medicamentos essenciais para salvar vidas humanas e amenizar sofrimentos. Tudo com a complacência das autoridades governamentais que regulam (ou deveriam) o setor.

Ademais, a população daqui tem o mal vezo de gostar de receitar. Basta que um remédio tenha sido bom para um que ele já sai indicando para os outros. Exatamente por isso é que se costumou dizer que no Brasil, “de médico e de louco cada um tem um pouco”.

Setímio Salerno MiguelAdvogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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