Desespero e prejuízo


| Tempo de leitura: 3 min

Estava com meus filhos e um funcionário em casa, já alerta e com medo pela intensidade da chuva, quando o Matheus (pintor) decidiu que ia buscar as coisas dele que estavam na garagem. Ainda falei pra ele não ir, mas quando ele estava perto, duas telhas caíram e ele conseguiu sair a tempo, antes do telhado desabar e parte do muro cair. Foi um susto enorme”. A declaração é da enfermeira Rafaela Moresco, de 45 anos, que estava em sua casa, no condomínio de chácaras Quinta do Bosque, um dos vários locais que sofreram danos provocados pelo forte temporal que caiu sobre Franca na última quarta-feira, 20. No condomínio, uma garagem e um muro caíram sobre um carro em uma casa e o telhado de outra acabou arrancado com a força do vento e só parou quando encontrou um coqueiro pela frente. No momento da queda do muro, que caiu sobre uma horta na casa vizinha, um homem saía de carro e o veículo foi atingido, felizmente ele conseguiu escapar sem ferimentos.

Em pouco mais de uma hora choveu mais de 75 milímetros, de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Como resultado, os córregos transbordaram, muitos locais foram tomados pela água e o saldo foi de prejuízos incalculáveis.

Na unidade I do Uni-Facef, na avenida Major Nicácio, a água chegou a um metro e meio. Junto com muito barro, a água tomou salas, estacionamento e deixou um rastro de destruição. Centenas de livros, antes alocados na parte de baixo das prateleiras da Biblioteca do Centro Universitário, foram danificados e tiveram que ser descartados. Carros que estavam no estacionamento foram arrastados e precisaram ser retirados com guinchos.

“É realmente uma tristeza grande ver o que aconteceu aqui. Foram muitos danos e o valor do prejuízo, especialmente na biblioteca, onde perdemos muitos livros, é incalculável. Com a ajuda de todos os funcionários e até de alunos realizamos a limpeza e posteriormente devemos calcular o dano”, disse o reitor do Uni-Facef, José Alfredo de Pádua Guerra, que afirmou que esta não foi a primeira vez que a unidade foi invadida pela água (em 2017 um caso parecido foi registrado), porém reforçou que o caso foi de longe o mais grave.

Na Dr. Ismael Alonso y Alonso, Hélio Palermo, Antônio Barbosa Filho e Adhemar Polo Filho as vias foram tomadas pela água e carros que estavam estacionados foram arrastados. Nos córregos, pontes tiveram suas grades de proteção arrancadas com a força das águas e diversas passarelas, como as da Alonso y Alonso com a Distrito Federal, outra nas proximidades do Lanchão e da Hidromar, estão com suas fundações comprometidas. Defensas, guard rails, vasos e outras estruturas de proteção dos córregos do Bagres e Cubatão também caíram. Trechos das avenidas também precisaram ser interditados na Hélio Palermo e Alonso y Alonso. O risco era que novas partes das encostas dos córregos desabassem.

Creche
Em uma creche, na Vila Isabel, um muro caiu e esmagou dois carros que estavam eparados nas proximidades. Outras três unidades foram inundadas no Brasilândia, Paulistano e Noêmia. Um muro na escola “Antônio Sichierolli” também desabou. Em nove casas, no Paulistano, Santa Maria do Carmo e Palma, houve perda de móveis, alimentos e roupas. Engenheiros da Prefeitura, até a tarde de ontem, 22, haviam interditado sete imóveis. Em nenhum dos casos houve feridos. 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários