A chuva


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Na última quarta-feira vivemos momentos de terror em Franca. Durante uma tempestade rápida, mas violenta, mesmo quem está acostumado a ver os córregos transbordando ao menor sinal de chuva, se assustou. Na região do Uni-Facef, o cenário foi desolador. Carros foram totalmente encobertos pela água, o centro universitário viu até salas de aula serem invadidas pela mistura de sujeira, terra e enxurrada. Na região do Córrego dos Bagres, a situação não foi melhor. Carros engavetados, tomados pela sujeira foi o que sobrou quando a água baixou. Na região mais próxima à Major Nicácio, imagens de uma picape sendo levada pela força da correnteza, enquanto por pouco não despencava dentro do córrego, são desesperadoras. Encontrar uma passarela de pedestres intacta é um desafio.

Segundo a prefeitura, quatro creches foram alagadas, sendo que em uma delas, um muro desabou sobre dois carros estacionados. O muro da escola “Antônio Sicchierolli” também caiu, o asfalto sofreu danos em várias regiões. Na rua General Telles, a pavimentação afundou. Muitas defensas caíram, assim como foram levados pela força da água muitas encostas dos córregos. Pontes tiveram a estrutura comprometida e muita sujeira tomou conta de ruas e casas. Mas é impossível calcular o prejuízo.

A jovem Joice dos Santos Santana, de apenas 25 anos, que caiu de moto e foi levada pela enxurrada, permanece internada. Nove casas foram inundadas, sete foram interditadas pelos engenheiros da Prefeitura. Não é possível dimensionar o sofrimento dessas famílias.

Mas, de tudo, a chuva deixa uma lição clara: já passou a hora de Franca começar a pensar em como resolver a questão do acúmulo de água em suas vias em dias de tempestades que, com uma frequência preocupante, castiga a cidade. Não se trata apenas de obras em córregos. É preciso analisar para onde é escoada a água dos novos bairros. É urgente recalcular as áreas verdes que são fundamentais para absorver ao menos um pouco das chuvas. É fundamental rever a canalização dos bairros mais antigos, principalmente o Centro, construído em uma época em que Franca era completamente diferente. Além, claro, de soluções modernas que podem ser desenvolvidas para aliviar um pouco do acúmulo de água que escorre pelas ruas.

Em uma entrevista esta semana, o prefeito Gilson de Souza ressaltou a importância de se planejar a cidade para os próximos 20 anos. Mesmo quem discorda de outras ações do governo, há de concordar que esse olhar para o futuro é mesmo fundamental. Se administradores do passado o tivessem feito, certamente o sofrimento dos francanos hoje fosse menor.

Agora, além de planejar, temos que dar os primeiros passos. Com urgência.
 

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