Inércia e preconceito fazem mais vítimas


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Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga tinha apenas 19 anos. A inércia e o preconceito mataram Pedro Henrique na última quinta-feira, no meio da tarde, em pleno supermercado Extra, da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Um vídeo que circula pelas redes sociais não deixa dúvidas.

O jovem, como tantos outros que passam pela adolescência, especialmente no Rio, sonhava em ser dj.

 Pai de uma criança de 6 meses, o Lorenzo, ele mantinha uma boa relação com a ex que, mesmo não estando mais com ele, se desesperou ao imaginar o futuro do filho que agora vai crescer sem a presença do pai - que sempre pagou a pensão em dia.

Pedro Henrique já fazia algumas apresentações e era querido pelos amigos, mas estava passando por uma fase difícil. Segundo a família, ele estava instável, usava drogas, chegou a ter alucinações e, por isso, estava a caminho da reabilitação. Levado pela mãe, ele estava rumo a uma clínica em Petrópolis, na última quinta, quando decidiram passar no supermercado.

O que aconteceu exatamente a partir daí ainda é um mistério. As imagens que estão pelas redes mostram o segurança do supermercado, Davi Ricardo Moreira, deitado sobre Pedro Henrique em uma espécie de gravata. Enquanto dos dois permaneciam no chão, pessoas os circundavam, aparentemente clientes do supermercado e outros seguranças.

Segundo Davi Moreira, tudo foi uma reação à tentativa de Pedro de pegar a sua arma. Segundo a mãe do jovem, no entanto, a versão não é verdadeira. O jovem teria sofrido um surto e teria corrido rumo ao segurança. Eles entraram em luta corporal, quando a arma caiu no chão. Onde estão os vídeos do circuito interno que um supermercado do porte do Extra - que pertence ao grupo Pão de Açúcar - deve possuir é outra pergunta que ainda não tem resposta.

No entanto, seja qual for a versão que vai prevalecer, assistir as cenas em que Pedro é imobilizado por Davi, enquanto várias pessoas observam, alertam que o menino estava desacordado, entre elas outros seguranças, é perturbador. Vivemos um país violento, não se trata de negar isso. Mas o clima de medo não pode ser usado para justificar mais violência. Nas cenas, fica claro que o jovem não apresentava nenhum sinal de resistência, nenhum tipo de perigo. E, ainda assim, era massacrado enquanto outros cidadãos assistiam inertes.

A mãe do jovem, que presenciou toda a cena, está em choque e ainda não conseguiu prestar depoimento à polícia. O segurança ficou detido por três horas, pagou a fiança de R$ 10 mil e responderá ao processo em liberdade. Pedro Henrique foi sepultado na tarde de sábado.

O Brasil vive um momento sensível. É compreensível a preocupação com a violência urbana, a revolta com tantos assaltos. Mas em hipótese alguma ela pode legitimar o preconceito. E, nós, todos, não podemos permanecer inertes frente a ele.

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