Valdes Rodrigues: 'Ou você se atualiza ou morre'


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Querido e reconhecido por onde passa, o radialista Valdes Rodrigues tem muito para contar. Audacioso desde o começo da sua carreira, levou Franca para a TV em um tempo em que internet era um termo absolutamente desconhecido. Liderou festivais de música, programas de rádio, fez história. De tudo, só a política é um assunto a ser esquecido. Aniversariante da semana, Valdes interrompeu um pouco da rotina que faz questão de manter o máximo possível para contar um pouco da sua admirável jornada.
 
De onde é a sua família? 
Eu nasci em Pedregulho. Sou de uma família de quatro irmãos. Estamos em dois agora. O mais velho e eu, que sou o mais novo. Na época, em Pedregulho tinha só até o quarto ano primário e meus irmãos mais velhos tinham que estudar. Daí viemos para cá. Eu vim para Franca tinha de 3 para 4 anos de idade. 
 
Seus pais trabalhavam em qual área?
Meu pai tinha uma selaria (produção de selas de animais) em Pedregulho. Na época ele vendeu para o pai do Orestes Quércia, o senhor Otávio. Depois ele passou para frente também. 
 
Quando seu pai veio, com o que ele passou a trabalhar?
Ele veio para trabalhar com comércio, mas foi tudo bem rápido. Depois ele já pegou o caminho na venda de calçados. Ele foi um dos primeiros vendedores de calçados da HB, do Rui de Mello e outros. 
 
Na sua infância, você frequentou as escolas de Franca?
Eu só estudei aqui no EETC. Nós morávamos na Major Nicácio, fundos do EETC, rumo onde hoje é o Varejão Irmãos Patrocínio. Era atravessar a rua eu já estava na escola. Fiz do primeiro ano primário até o terceiro científico lá. Depois disso, entrei na Faculdade de Direito, fiz até metade do segundo ano. Foi aí que surgiu a Faculdade de Educação Física de Batatais e a minha paixão sempre foi, além do rádio, a Educação Física. Tanto é que, na época em que saudoso Pedroca fazia demonstrações de ginástica no Palmeirinha, eu era guia da demonstração, eu tinha muita facilidade. Uma paixão mesmo. Tenho muita saudade do senhor Pedro porque fui criado nas barras dele. 
 
Você não chegou a jogar basquete ou outro esporte coletivo?
Não. Gostava muito de praticar esportes. Tanto que o nome ‘Chacrobol‘ foi inventado praticamente por mim e pelo Vanderlei Dias. Na época começou a ter muito o futebol em chácara, que tem o campo menor, eram 8 de cada lado e tal. Foi quando nos Estados Unidos teve o boom do Showball. Um dia, o Vanderlei Dias falanco comigo, disse ‘Valdes, poderíamos botar um nome, Chacrobol’. Eu gostei e fazia a divulgação para a Coordenadoria de Esportes e comecei a mandar para as rádios a programação chamando o esporte de Chacrobol. Pegou. Tanto que é só Franca que conhece por esse nome. 
 
Você sempre teve o talento de comunicador. É difícil imaginar você um jovem tímido.
Vou dizer uma coisa. Sou tímido até hoje. Uma vez ouvi o Faustão falar e pensei que somos iguais. Ele disse que só perde a timidez quando está com o microfone na mão. Eu sou tímido até hoje. Mas minha paixão, desde o início era a cultura física e o rádio. Desde quando era moleque eu jogava botão e ia irradiando o jogo que fazíamos. Sempre gostei. Aí, quando a rádio Difusora tinha iniciado, deveria ter uns dois anos, eles quiseram dar oportunidade para novos locutores. 
 
Na época, quem comandava a rádio?
Muitos confundem, achando que a Difusora primeiro se chamou Piratininga. Não. Primeiro ela se chamou Rádio Difusora. Teve uma época que passou a Piratininga, porque ela pertencia à rede Piratininga. E a rede, em uma ocasião, quis passar o nome de rádio Piratininga para todas as rádios deles, de Franca, Barretos, Ribeirãoà Ficou um tempo, depois voltou o nome original. Quem era o gerente, na época, era o Ricardo Spinoza. Quando eu fiz o teste era o Marco Antônio Mattos, um que foi locutor esportivo da Band. E o Amaury Destro, que foi uma pessoa extraordinária estava na direção artística e chamou para esse teste.
 
E seu começo?
Chegamos lá e eu estava doido para falar na rádio. Tinha uns 50 na fila. Aí a gente chegava, ele colocava um gravadorzão na mesa e dava um texto para a gente ler. E aí o Amaury ouviu e falou ‘vou pegar esses dois meninos aqui’ que são os menos piores’. Um era eu e o outro era o Sidnei Rocha. Entramos no mesmo teste. E o Sidnei, como ele já estava ajudando no Comércio da Franca em começo de carreira, ele foi mais para o lado do jornalismo e eu gostava mais do lado artístico. Então fiquei mais aprendendo programas de rádio.
 
A sua entrada na rádio é anterior do começo dos festivais que você organizava?
Eu comecei na rádio Difusora, mas fiquei pouco tempo. Na época, eram só cobrões e eu não estava tendo chance alguma. Aí o Amaury, com quem eu fiz muita amizade, ele tinha saído e foi para a PRB5, a rádio Clube Hertz. Um dia ele me ligou precisando de um discotecário. Ele me chamou que talvez eu pudesse fazer umas participações no microfone. Eu topei na hora.
 
Você demorou a ter um programa?
Não tinha programa fixo no começo. Quando fui para a PRB5 lá que vim a ter um programa meu. O programa se chamava Disque Jovem, porque era um programa de juventude. Era as 15 horas. Pegou tanto que não demorou muito e passou a ser o programa de maior audiência. Era uma competição boa porque na Difusora estava o Rene Parzewiski. Ele fazia como o nome de Valnei Costa na Difusora e eu na B5. Era uma disputa danada, uma delícia. Esse programa durou muitos anos.
 
E os festivais?
Surgiram os festivais da Record nessa época e eu sempre fui muito fuçado, queria criar coisas novas. Na época o Luizinho Baleieiro já era gerente da rádio. Eu falei: ‘Luizinho, vamos fazer um festival de música aqui da rádio?‘ Ele resistiu, mas eu insisti e ele acabou decidindo me ajudar. Aí fomos fazer. Eu me lembro direitinho que na época o presidente da AEC era o Antônio Carlos Seixas. O Luizinho foi falar com ele e para ver quando ele iria cobrar pelos três dias, aí o Antonio Carlos falou: ‘Ah Luizinho, depois você me dá o quanto você quiser, porque nisso aí vai vir meia dúzia de gato pingado.‘ Engano dele. Tenho foto inclusive. Superlotou as três noites!
 
Quem tocava? Artistas de Franca?
Quem fazia o acompanhamento era o Anchieta, o Anchieta e seus Big Boys. Ele colocava a aparelhagem e o pessoal cantava. O primeiro estourou, daí fizemos o segundo e o terceiro. Depois, dei uma parada, quando fui ser Diretor de Turismo da Prefeitura. Foi o único intervalo meu em rádio.
 
Quem era o Prefeito?
Hélio Palermo. Interessante o seguinte. Eu tinha feito uma força danada para o Fabio Meirelles, porque um cunhado meu era vice dele. Mas perdeu e, ainda assim, o Hélio me chamou. Eu estava no departamento de vendas do Amazonas quando o doutor Hélio me chamou para substituir o Fábio Liporoni. Ele lembrava do Cidade Contra Cidade, que eu tinha ido duas vezes, dos Festivais, e me chamou para ir pra prefeitura.
 
Por falar em Cidade contra Cidade, foi um evento muito importante. Como foi?
Na época, a maior audiência da televisão era a TV Tupi e o Silvio Santos esse programa ao vivo toda sexta-feira a noite. Aí ele abriu inscrições para as cidades que quisessem. Como eu era fuçado, inscrevi a cidade. Até, na época, criou uma grande ciumeira. Eu estava começando na época. Mas na época eu era bonitinho e tal e o Luiz falou ‘Vai você. Vamos dar uma força, vai tranquilo‘. E aí fomos disputar com Tupã. Aliás foi quando surgiu a dupla Canário e Passarinho. Tinha uma prova que tínhamos que levar um humorista da cidade ou uma dupla sertaneja. Na época, sertanejo não tocava na televisão de jeito nenhum. E nós levamos os dois que estavam começando, ninguém conhecia. Eles foram tão felizes na interpretação que bateram de 5 a 0 nos votos do jurados. Ganhamos. Aí, classificados, fomos tentar outra vez. Agora, contra Americana e ganhamos outra vez. Poxa vida, foi um negócio. A cidade inteira comemorando.
 
Franca era pouco conhecida...
Sim. A empolgação era tanta que quando chegamos no outro dia, paramos em frente a Catedral. A PRB5 era na Praça Barão. Eles me carregaram no colo. Desci do ônibus, já me juntaram e me levaram carregado até a porta da rádio. Foi aquela festa. É uma das minhas lembranças mais bonitas. 
 
Você tinha qual idade?
Deveria ter uns 17, 18 anos. Era um moleque. Aí o Silvio Santos chamou as cidades que venceram para ir outra vez, aí eu falei ‘Não vou mais não!‘ E não fomos mais. Temos que saber a hora de parar. Por que lembramos disso até hoje? Porque paramos bem. 
 
Por falar na PRB5 como foi sua relação com a rádio?
Aliás, a PRB5 foi declarada perempta na época da ditadura militar, em 1973. Ela ficou fechada. Em 1976, abriram uma outra concorrência para vir uma outra rádio AM para o lugar da PRB5. Quem entra na disputa? O Garcia Neto. Ele colocou o nome de Rádio Hertz, que não é uma sequência da PRB5, que era a rádio Clube Hertz. Muita gente acha que é a mesma, mas na verdade não é.
 
Você viveu a época mais dura da ditadura. Como foi sentir essa fase?
Tinha aqueles que já eram marcados. Lembro direitinho de muitos deles, mas nós na rádio também tivemos dificuldades. Assim, por exemplo, hoje eu faço o programa com telefone no ar, as pessoas que quiserem falar, falam. Na época, talvez com medo de qualquer colocação atravessada, a rádio proibiu participações ao vivo. Pouco mais adiante deram uma abertura pequena. Podia ter participação, mas ela tinha que ser gravada. Então, gravávamos antes de ir ao ar. Até que veio a abertura. Mas passou um bom tempo isso aí. E a gente não podia dizer tudo que temos a liberdade de falar hoje, seja contra o prefeito, governador, de forma alguma. 
 
Era um clima de tensão?
Muito. Muito tenso. Eu e os colegas seguíamos as orientações e nunca tivemos nenhum problema, mas o pessoal do Comércio, no caso o Alfredo Costa, que era marcado pelos militares, tiveram problemas sérios. Festival de música, por exemplo, tínhamos que escolher as músicas e depois mandar para o delegado seccional aprovar. Se tivesse alguma letra que não estivesse de acordo, ele mandava tirar a música. Mas era isso.
 
Super conhecido, querido pelos ouvintes, seria natural que sofresse o assédio dos políticos. Como foi a sua experiência com a política?
Desde a época que o Sidnei candidatou para vereador primeiro, ele me incentivava, mas eu vivia dizendo que não tinha vontade. Mas aí chegou uma ocasião em que pensei, vou tentar. Na época, o Maurício Sandoval seria candidato pela segunda vez. E me chamaram para ser candidato a vereador. Tentei e, graças a Deus, fui muito bem votado. Sem recurso nenhum, nenhum, nenhum. Mas consegui.
 
Mas você não gostou da experiência. O que aconteceu?
Não gostei. Olha, eu não me senti à vontade naquilo. É um tal de um puxar o tapete do outro, uma falsidade. Lidar com a população também é muito difícil. Uma pressão danada. Eu falo para o Everton Lima, hoje com as redes sociais, com todo mundo cobrando, brigando, o sofrimento deve ser ainda maior. Eu não me esqueço. No dia da nossa posse, iríamos eleger a mesa diretora. Na época eram 21 vereadores. O nosso grupo tinha 11 votos, a oposição tinha 10. Nos reunimos, decidimos que o fulano seria o presidente, ‘está certo? Está certo‘. E saímos. No meio do caminho, o Fábio Cruz, que era oposição, chegou para o José Mércuri, que era situação, andando no corredor e perguntou se ele não queria ser presidente. O José Mércuri falou para ele ‘está fechado‘. Assim! No final da votação, a coisa virou e perdemos de 10 a 11. Eu me lembro, que na minha inocência, eu fui na mesa e falei ‘Sr. José, nós tínhamos combinado...‘. Ele falou para mim ‘meu filho, vai acostumando. Política é isso‘. Aí já desanimei no primeiro dia. Decidi não ser mais candidato?
 
Você nunca mais foi candidato?
Nunca mais. Certa vez, quando o Gilmar Dominici foi candidato a prefeito, antes tinha sido o Ary Balieiro. Um dia o Ary me chamou no gabinete e eu fui sem saber o que era. Cheguei lá, o pessoal da Acif, uma turma, estava lotado. O Ary me disse que o pessoal lá, os empresários queriam me propor ser candidato a prefeito. Ele me falou: ‘Vamos pagar tudo que você ganhava na rádio, vamos manter a todinha campanha. Nós queremos você no palanque, nosso candidato a prefeito‘. 
 
O que você respondeu?
Eu disse ‘O senhor vai me desculpar, vou agradecer ao senhor, aos empresários, mas estou fora‘. Não aceitei. Na seguinte, o Gilson está aí para confirmar. Foi quando ele candidatou a primeira vez para prefeito. Foi lá na rádio com a turma dele ‘Olha, dessa vez você vai. Ou você vai e eu sou seu vice ou vou eu e você vai ser meu vice‘. De novo eu respondi ‘nenhuma nem a outra. Não vou nem de graça‘ (risos). E assim foi. Falei que não voltava. Já teve vezes da minha mulher mesmo falar para eu ir, mas de jeito nenhum. Eu falei que não ia mais e não volto atrás. Negativo. E não me arrependo. Ninguém sabe o que é aquilo lá.
 
Você vê o seu trabalho na rádio como um trabalho social também? 
É o que eu falo. O respeito que, Graças a Deus, os ouvintes têm comigo, acho que já consegui muito mais coisas que às vezes lá na Câmara. Fico satisfeito de ter saído com o nome preservado e pelo menos umas três conquistas. Museu da Imagem e do Som fui eu que criei, Adote uma Praça que é imitado aí fui eu que criei. Sabia que os servidores da prefeitura, antes só meia dúzia tinha direito ao Sasson (Plano de Saúde), quem conseguiu estender para todos fui eu. Foi uma batalha, porque não queria dividir o bolo. Os mais antigos lá sabem disso. Saí tranquilo. 
 
Você viveu uma das épocas diferente de Franca. A indústria calçadista ia muito bem, os festivais...
Ah, depois que estivemos no Silvio Santos, decidi fazer colégio contra colégio. Lotava. Era uma competição em que eu pedia o time de futebol de salão, tinha desfiles, disputávamos no Clube dos Bagres e lotava. Tinha uma prova, por exemplo, de arrecadação. Por exemplo, uma escola arrecadava cadernos e depois eles trocavam entre si. Aquilo abastecia a escola por muito tempo. Foi muito legal. Cheguei a fazer competição entre fábricas, mas o das escolas foi um espetáculo. REalmente eu vivi a época do glamour. Por isso que eu tenho uma paixão danada por terem deixado vender a AEC do Centro. Era um local maravilhoso, os bailes, as brincadeiras, o baile Branco, o Baile de Debutantes, uma pena.
 
Muita coisa mudou...
Muita coisa mudou, os costumes mudaram. Me lembro que na minha época jovem, a melhor diversão era ir para a primeira sessão do cinema, no São Luiz ou no Odeon. Ali, depois íamos pro barzinho da AEC e tal. Hoje mudou muito, foram mudando os costumes. Até outra coisa, na minha época, era tudo mais difícil e até mais romântico. Ver o joelho da menina, era uma coisa doida. Hoje mudaram muito os costumes. Com isso, muita coisa foi mudando. Antigamente, até a programação de rádio era pensada nas fábricas. Chegava 11 horas era audiência masculina. Os homens saíam das fábricas para almoçar em casa, queriam ouvir esportes, por exemplo. A tarde, voltava uma audiência mais feminina. Hoje é muito parecido, porque hoje está todo mundo trabalhando em casa, nas bancas de pesponto.
 
Uma coisa que não mudou é que você continua sendo uma referência na cidade. Como é isso?
Não é fácil. Você tem que gostar muito do que faz para não preguiça. Eu, a noite, chego em casa depois da minha caminhada, vou tomando uma cervejinha e eu é quem monto tudo. As histórias da Caça ao Tesouro, todos os quadros, as mensagens para reflexão. Tudo eu que monto. Hoje você já não vê tanto essa dedicação. Outra coisa, também temos que ir se adaptando. O primeiro programa, o Disque Jovem, era tocar música da juventude, Roberto Carlos, Beatlesà hoje eu não toco. Mudou. Hoje é mais diversão, prestação de serviços, informação, interaçãoà Eu mudei. Não fiquei naquilo. Se tivesse permanecido, já tinha sumido do mapa. Eu tenho aquelas minhas brincadeiras, não passa um ano que eu não invento uma outra para jogar ali. É isso ou você se atualiza ou morre. Até um ditado que ouvi uma vez no escritório das coligadas em São Paulo. ‘O comunicador é como um soldado na batalha: cochilou, morre.‘ Se acomodar, daqui a pouquinho outro me passou.
 
Foi seu aniversário essa semana, que é sempre uma época de reflexão. Como foi esse ano, diante de tantas coisas que você já fez e ainda comanda o programa mais ouvido da cidade?
Gratidão sempre. A Deus. Afinal de contas, tenho saúde, disposição, uma família linda. Se você me perguntar o que tenho para pedir, já falo que só tenho a agradecer. Faço o que eu gosto. 
 
Como é o seu dia?
Eu acordo às 6h da manhã. Eu gosto de preparar as minhas frutas e vou me inteirando, ouvindo a rádio, para chegar no programa preparado. Chego na rádio 7h15, já vou acabar de acertar tudo o que tenho que fazer para o programa, ver os comerciais, acertar tudo. Eu precisava acordar tão cedo, para o programa que começa as 8h? Não, mas é a questão da dedicação. Eu quero tudo bem arrumado.
 
E a tarde?
Vou para casa, almoço e vou dar meu cochilo. Ficar 3 horas no ar é muito desgastante. Depois, as vezes tenho que visitar algum cliente, adiantar a coluna do jornal. No final da tarde, vou caminhar pelo menos uma hora. Saio da minha casa no Centro e vou até a Caixa D’água da Avenida Brasil. Não troco nada por chegar, tomar meu banho e cuidar das coisas do programa, tomar minha cervejinha e dormir cedo. Sou muito tranquilo, muito família, gosto de estar em casa.

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