Uma das minhas referências de jornalista competente, destemido, generoso, imparcial e fundamentalmente ético, sempre foi Ricardo Boechat, precocemente falecido. Era contundente, porém equilibrado e com acurado senso de humor. Zelava como ninguém do interesse público.
Todas as manhas, por volta das 7:30 horas, infalivelmente, eu sintonizava a minha TV na BandNews, para assistir aos seus comentários sempre precisos e isentos, sobre todos os principais assuntos, especialmente da política.
Boechat, se tinha ou teve alguma ligação com alguma agremiação política, ele não deixava transparecer, pois qualquer “bandalheira” praticada por quem quer que fosse, ou por qualquer partido político, de direita, de centro ou de esquerda, ele era sempre contundente e até meio ácido (na melhor das interpretações) em seus comentários de desaprovação.
Sem dúvida, foi um jornalista na melhor acepção do termo e um dos mais premiados na mídia nacional. Transitou com competência por diversos veículos de comunicação. Rádio, jornais, revista e na televisão esteve à frente das melhores equipes de profissionais na Globo, no SBT e na Bandeirantes.
Foi, sem dúvida, o melhor mediador de debates políticos entre todos os que exerceram esse mister, sobretudo porque era respeitado pelos políticos debatedores e por seus partidos, pois vislumbravam nele o equilíbrio, a segurança e principalmente a isenção.
Amava os esportes, especialmente o futebol. Embora nascido em solo argentino (o pai era Diplomata naquele país, quando ele nasceu), tinha forte apreço pelo Brasil e pelo nosso povo, pois reconhecia nos brasileiros uma enorme vontade de vencer as adversidades, algumas impostas, infelizmente, por uma classe política gananciosa e fisiológica, com raras exceções.
Assim, só nos resta solidarizarmos com a família, com os seus amigos, colegas de trabalho e principalmente com a sua mãe. Ela que, no ocaso de sua existência, ainda teve de conviver com a inversão da ordem natural da vida. Mas ele, sem dúvida, em sua trajetória em nosso planeta, deixou o Criador feliz, pois sempre “combateu o bom combate”. “Segue o barco!”
Setímio Salerno Miguel
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