Caos Bebianno: um mau sinal


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Na última semana, mais uma crise se abateu sobre o governo Bolsonaro. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, foi acusado, em uma série de matérias da Folha de São Paulo, de enviar dinheiro do Fundo Eleitoral, criado para custear as campanhas, a candidatas laranjas. Para piorar, em meio a suspeita, o filho do presidente Carlos Bolsonaro usou as redes sociais para chamar um dos homens mais importantes do governo de mentiroso. Na indecisão se ele sai ou fica na presidência, uma coisa é certa: o presidente Jair Bolsonaro precisa colocar ordem na casa com urgência.

Os absurdos dessa história são muitos. Tudo começa com a suspeita de que tenha sido criado um esquema durante a campanha eleitoral do presidente para financiar candidaturas laranjas. Pessoas que só colocaram seus nomes na disputa para receber dinheiro, sem necessariamente trabalharem pela conquista de votos. Uma delas é a candidata a deputada federal pelo Pernambuco, Lourdes Paixão, que recebeu R$ 400 mil do partido e recebeu, na urna, 274 votos. Uma amostra evidente de que há algo muito errado - este não é o único caso.

Reveladas as suspeitas, começaram a discussão sobre quem tinha autonomia para distribuir os recursos. Bebianno, de um lado, que além de presidente nacional do PSL também esteve ativo na campanha presidencial, disse que não tinha como saber exatamente quais valores eram repassados aos candidatos. Do outro, uma ata de uma reunião - assinada pelo próprio Bebianno - revelada pelos correligionários do partido do ministro, afirma que sim, seria ele o responsável por autorizar cada um dos repasses.

Não bastasse tudo isso, Bebianno afirmou que teria falado com o presidente, que estava ainda internado pós-cirurgia e que não havia crise. Foi o estopim para que Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente, usasse o Twitter para atacar o aliado de até então. Na rede social, Carlos disse que Bebianno mentira, que não tinha falado com o presidente. Para piorar, o próprio presidente republicou a postagem do filho.

Barraco armado, veio a repercussão. No meio político, fritar um aliado tão próximo publicamente pegou mal. Na opinião pública, assistir que enquanto discursava sobre o combate a corrupção, dentro da estrutura do seu próprio partido, havia um esquema armado de desvio de recursos, foi ainda pior. A interferência dos filhos nos assuntos do governo, de um jeito muito agressivo, também abriu muitos questionamentos e, por fim, o presidente deu sinais de que esperava a demissão de Bebianno, mas depois decidiu esperar por mais investigações. Ou seja, o mal estar continua. O ministro Sérgio Moro recebeu “carta branca” para investigar, o Ministério Público também. Ainda é cedo para saber a extensão do esquema ou exatamente como as investigações vão terminar. Mas certo é que, de um lado do presidente está seu filho Carlos e todo o problema que a intervenção do clã Bolsonaro no governo tem provocado, do outro, um ministro fundamental, submerso numa suspeita de corrupção difícil de ser desculpada e, diante de tudo, a população que votou claramente no repúdio à corrupção, assistindo o presidente inerte diante de uma denúncia séria. Recuperado da cirurgia, antes de qualquer outra providência ou de pensar nos inimigos, é preciso que o presidente reorganize seus próprios apoiadores. 

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