Franca foi destaque nos noticiários nacionais no início desta semana após veteranos do curso de medicina da Unifran (Universidade de Franca) praticarem um “trote” com conteúdo considerado machista, misógino, pornográfico e preconceituoso com calouros no primeiro dia de aulas. Meninas e meninos que ingressavam na universidade tiveram que entoar, observados por alunos veteranos, juramentos com xingamentos contra outros cursos e também contra o Uni-Facef. Vídeos, fotos e áudios do trote foram amplamente divulgados em grupos de WhatsApp, Facebook e Instagram e ganharam repercussão em sites como Folha de São Paulo, G1, Veja, Catraca Livre, Último Segundo e Correio Braziliense.
Nas imagens que viralizaram é possível ver as calouras entoando o juramento com trechos como “eu prometo nunca entregar meu corpo para nenhum invejoso burro da odonto” e “me reservo totalmente à vontade dos meus veteranos e prometo sempre atender aos seus desejos sexuais”. Já no caso dos calouros, o juramento continha trechos como “eu prometo infernizar qualquer um dos bastardos, invejosos de subcursos como os da odonto e dos copiões de merda da Facef” e “prometo usar, manipular e abusar de todas as dentistas e facefianas que tiver oportunidade, sem nunca ligar no dia seguinte”.
Repúdio
Com a repercussão do caso, a Atlética Med do Uni-Facef, Associação Atlética Acadêmica Arquitetura e Urbanismo, Atlética de Engenharias da Unifran, Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito de Franca, Odonto Franca e Conselho Municipal da Condição Feminina de Franca e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), se pronunciaram com notas de repúdios ao trote e o conteúdo discriminatório e machista. Grupos de alunos de outros cursos da Unifran também se manifestaram contra os alunos veteranos da medicina.
Em nota oficial publicada no Instagram, a Atlética Med Franca, do curso de Medicina da Unifran, declarou reconhecer “o cunho ofensivo do discurso feito, o qual não possui autoria das entidades estudantis. Todos nós já estamos tomando providências sobre um assunto que realmente necessita de atenção e atitudes imediatas”.
A reportagem tentou contato com o presidente da Atlética Med Franca, mas ele não atendeu as ligações feitas para o seu celular nem retornou o contato, até o fechamento desta reportagem. O veterano que aparece no vídeo entoando os juramentos também foi procurado, mas a informação seria que ele se formou no final de 2018 e não tem ligação direta com a universidade.
Universidade
Na última terça-feira, dia 5, a Unifran informou, através de nota, que repudia quaisquer atos que incitem preconceito, homofobia, machismo, discriminação, constrangimento ou equivalentes e que os responsáveis pelos atos estão sendo identificados e serão penalizados.
Entre as penalidades as quais os responsáveis pelo trote estão sujeitos, segundo a Unifran, estão advertência oral e em particular, exceto no caso de advertência coletiva; advertência por escrito; suspensão de até 30 dias; transferência compulsória ou não renovação da matrícula no caso de discentes.
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