Chama da Desilusão


| Tempo de leitura: 1 min
Ilustração: Mariana Lemos
 
 
 
A tristeza que balança começa na adolescência.
Cheguei ao cume da notícia 
Ao vê-la com os olhos encharcados
De tanto amor.
 
Não sabia o que lhe dizer
Apenas ofereci o meu guarda-chuva 
Para que ela pudesse carregar aquela dor.
 
Seus olhos coloridos, 
Derretidos pela inocência da maquiagem, 
Marcaram a chama da desilusão.
Pudera, era sua primeira vez
Em mares nunca antes navegados.
A nudez anunciada queimava-se 
Em pleno sol de verão.
 
Ouça, minha querida!
Viver é trágico, 
Molhará inúmeras vezes 
O seu corpo em vão.
Mas não abandone o navio, 
Nem se assuste com a tripulação.
 A maré alta se aproxima 
Em breve chegará o seu dia 
De catar corais com as mãos.
 
Antes mexerá em lixos
E pisará em esgotos
Saiba que isso não lhe trará desgosto.
 
Seus pés se tornarão firmes
Sua mente encontrará a paz
Entenderá o que é amor por inteiro:
Despir-se do outro e vestir-se de si
Bem mais.
 
Fechar-se de dentro para fora 
Para quem sabe se abrir
E se permitir ser cais.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários