Ilustração: Mariana Lemos
A tristeza que balança começa na adolescência.
Cheguei ao cume da notícia
Ao vê-la com os olhos encharcados
De tanto amor.
Não sabia o que lhe dizer
Apenas ofereci o meu guarda-chuva
Para que ela pudesse carregar aquela dor.
Seus olhos coloridos,
Derretidos pela inocência da maquiagem,
Marcaram a chama da desilusão.
Pudera, era sua primeira vez
Em mares nunca antes navegados.
A nudez anunciada queimava-se
Em pleno sol de verão.
Ouça, minha querida!
Viver é trágico,
Molhará inúmeras vezes
O seu corpo em vão.
Mas não abandone o navio,
Nem se assuste com a tripulação.
A maré alta se aproxima
Em breve chegará o seu dia
De catar corais com as mãos.
Antes mexerá em lixos
E pisará em esgotos
Saiba que isso não lhe trará desgosto.
Seus pés se tornarão firmes
Sua mente encontrará a paz
Entenderá o que é amor por inteiro:
Despir-se do outro e vestir-se de si
Bem mais.
Fechar-se de dentro para fora
Para quem sabe se abrir
E se permitir ser cais.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.