'2019 é um ano de otimismo', diz Luis Carlos Teixeira


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Luis Carlos Teixeira é um empreendedor nato.  Ainda jovem, deixou a segurança de um cargo concursado no Banespa para investir no mundo dos imóveis. A aposta foi acertada. 30 anos depois, ele é um dos nomes mais respeitados do ramo em Franca. Há dois anos, acompanhando o tratamento da mãe que perdeu a batalha contra o câncer, Teixeira se afastou do mercado. Mas, agora, incentivado pela sócia Michele Nascimento, ele criou a Gold Negócios Imobiliários, e volta ao mercado que conhece como poucos. 
 
Sua família é de Franca? Seus pais tinham alguma relação com o mercado imobiliário?
O meu pai, quando eu era menino, trabalhava com negócios. Negócios diversos. Ele tinha uma escola de datilografia do lado da Santa Casa, que coincidentemente, era do lado das oficinas do Jornal Comércio da Franca. Desde pequeno eu sempre andei com o meu pai e observava ele visitar as pessoas, conversar, então esse é um negócio que está no DNA da nossa família (são cinco irmãos. Tem uma irmã que mora no exterior, na Espanha, um irmão que é médico, mas deixou a profissão e foi empreender como loteador também e duas irmãs que são dentistas). 
 
Como foi começar no ramo imobiliário?
Foi muito natural, porque eu, de uma certa forma, fui preparando a carreira. Primeiro eu trabalhei no banco, no Comid e no Banespa. Trabalhei, durante um ano, no cartório, no registro de imóveis e, na sequência, fui fazer direito.  Quando eu trabalhava no Banespa, resolvi sair do banco e trabalhar numa imobiliária em que meu pai era sócio. Eu estava no terceiro ano de faculdade. Quando resolvi sair, o pessoal falava que eu era louco, porque era concursado no Banespa de Predregulho. Mas eu já queria começar a carreira. Eu estava formando em direito. Eu vim para Franca e, inicialmente, trabalhei no jurídico da imobiliária em que meu pai era sócio. Em quatro meses,  vi que aquilo era muito pequeno para o meu mundo. E aí foi quando eu resolvi montar, em 1986, a minha primeira imobiliária. Durante 30 anos. De dezembro de 86 a dezembro de 2016 eu fui dono da mesma empresa. Eu calculo que nesses 30 anos, a minha empresa  e eu, como pessoa, deve ter intermediado em torno de 6 mil imóveis.
 
Você começou com quantos funcionários?
Comecei com uma secretária e mais dois corretores que começaram a me ajudar. Passou uns dias, meu pai se somou à gente. Ele saiu da outra empresa e veio trabalhar comigo. Isso era na Marechal Caxias. Tinha até a feira livre de quinta-feira, que ficava em frente à imobiliária. Durante 8 anos eu fiquei lá na Marechal Caxias. 
Quando comecei a imobiliária lá, que era uma casa cedida pelo meu pai, não tinha nenhum comércio, não tinha nada. Nesses 8 anos, a gente notou que aquela microregião começou a ter um desenvolvimento comercial. 
 
Como foi esse começo?
Meu pai era uma pessoa muito bem relacionada e até o nome “Teixeira” veio dele. Ele era conhecido como Teixeira e depois eu adotei o nome também. Eu fiquei 8 anos na Marechal Caxias, até que mudei para a Major Nicácio. Foi a mesma coisa. Quando eu fui para lá, não tinha ninguém na Major Nicácio. Era uma avenida secundária, que o pessoal ia por causa da igreja. Do lado de onde eu montei o escritório tinha uma rotisserie. Era assim, negócio bem insípido. E eu fiquei nesse endereço 22 anos. (...) Eu peguei o período todo. A minha geração é especialista em economia. A gente pegou Plano URV, Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor. Então aprendemos a negociar muita coisa. A gente pegou um período que o dólar tinha uma cotação de manhã, outra na hora do almoço, uma à tarde, uma no fim da tarde, uma à noite. 
 
E Franca também mudou muito...
Então, eu acho que edificados a gente tem mais ou menos uns 90 mil imóveis. E, em terrenos, a gente tem uns 120 mil imóveis cadastrados. Eu não tenho certeza, mas acho que é isso daí aproximado. Ao longo desses 30 anos, consegui comercializar mais ou menos 6 mil imóveis. Acho que posso falar assim que eu tenho uma participação significativa no desenvolvimento da cidade. Às vezes, não medimos isso porque estamos  envolvidos no dia a dia e acabamos não tendo essa visão. Mas, quando você para para pensar e avaliar tudo o que você fez, vai vendo o quanto participou.
 
Antes da venda, como estava a empresa?
Eu vendi a empresa em duas fases. Porque a gente tinha, na época, a maior administradora de imóveis da cidade. Tínhamos aproximadamente 2 mil imóveis em administração e, ao longo do tempo, conseguimos trazer empresas de expressão para Franca. Trouxemos a MRV em 99, depois a Perplan, que fez lançamento dos loteamentos fechados, a Build também, que hoje está fortemente presente na cidade. Eu fiz parceria com a Camila Construtora, que é uma construtora local muito boa. Então, a gente participou de muitos processos de urbanização da cidade de Franca e isso é muito gratificante. 
Em 2012 eu vendi a carteira de administração de imóveis para outra imobiliária. Durante 26 anos eu trabalhei com venda e compra, locação e administração de imóveis. E, em 2012, eu vendi a carteira de aluguel para outra empresa. Aí eu deixei de trabalhar com aluguel e passei a trabalhar só com venda, compra e lançamento imobiliário. Fiquei mais 5 anos fazendo essa atividade. Em 2016, eu vendi a empresa, a Teixeira. Vendi a empresa, o CNPJ e o ponto.
 
Como foi esse processo? Tomar essa decisão?
Na vida, de tempos em tempos, a gente vai virando as páginas. Eu posso dizer que em nenhum momento me arrependi dos passos que dei, porque acho que todos esses passos foram pensados e muito bem planejados. Obviamente, administrar 2 mil imóveis é uma atividade que cansa muito, você tem muitos funcionários. Na área de vendas eu cheguei a ter até 100 corretores. Isso é uma loucura, porque você tem o atendimento do cliente externo e o interno. E, na realidade, isso acaba virando um empreendimento que você fica conectado 24 horas por dia e 7 dias por semana. Mas a gente chegou num ponto, que estava precisando de um espaço para respirar. O primeiro foi em 2012, quando a gente desfez da carteira. E, depois, amadurecemos mais a ideia no ano de 2016. A ideia era realmente sair do mercado. Eu ia pendurar a chuteira. Mas, assim que eu vendi a empresa, a Michelle (Nascimento), que hoje é minha sócia, falou que queria empreender também, que ela tinha visto jeito que a gente trabalhava e que a ideia dela era fazer aquilo. E perguntou se eu não queria participar com ela dessa nova fase. Então, durante 2 anos, a gente fez algumas experimentações e foi estudando o que a gente ia fazer.
 
De toda sua experiência até esse momento, qual foi a melhor fase?
Um fato muito marcante foi quando a gente trouxe a MRV para Franca. Porque foi a primeira construtora externa, de porte, que se interessou pela cidade, se interessou pelo projeto, pela parceira. Porque eles vinham numa crescente e isso foi resultado de um contato que eu fiz com amigos em Ribeirão. Acabei indo a Belo Horizonte, conversei com o presidente da MRV na época. O Rubens Melino Teixeira. Até coincidência do sobrenome. E ele falou queria vir conhecer a cidade. Na época, a primeira área que a gente negociou foi com o senhor Paulo Neves, que era dono do Curtume Orlando. Ele aceitou a ideia e aquilo foi realmente um marco na cidade. Eu posso falar que a gente tinha, até então, um ritmo de obra e de crescimento na cidade. Do ano 2000 para cá a cidade cresceu de uma forma exponencial.
 
E uma fase ruim?
Em 30 anos são inúmeros episódios, mas antes disso a gente viveu alguns planos econômicos. Me recordo, na época do Plano Collor, quando ele prendeu o dinheiro da caderneta de poupança para todo mundo, e todo mundo tinha 50 reais, a gente viveu um período que nós ficamos quase 4 meses sem fazer nenhuma intermediação. Foi um período duro. 
 
Você disse que sempre foi envolvido com algumas atividades da cidade, com esporte. Como foi essa experiência?
Essa experiência tem duas partes. Uma por uma questão pessoal, eu sempre gostei de basquete e, de forma amadora, eu sempre pratiquei o esporte. Nunca pensando em profissionalizar porque minha altura não permite. Mas, então, eu via alguns garotos que jogavam basquete com a gente e eles tinham aquela vontade de poder ter uma segunda oportunidade. Porque muitos tinham sido dispensados das escolas de formação. Então, em 2005, eu criei um projeto, era até em parceira com o Comércio da Franca. Chamava Teixeira Basquete e nós participamos durante três anos da Liga Regional de Basquete. No primeiro ano, nós ficamos em terceiro lugar. Foi quando a gente montou o time. No segundo ano, nós fomos campeões invictos da Liga Regional. Neste ano fomos convidados a jogar a divisão A2 do Estadual. Naquela época, o Franca Basquete vivia um período de vacas magras. Muitas pessoas diziam que eu estava tentando criar uma nova sequência, como tivemos no passado a Ravelli e o Dharma, que foi um período muito conturbado. Diante disso, dei uma recuada e transferi esse projeto para patrocinar um campeonato do Sesi, que se chamava Copa Teixeira Sesi. Durante 9 anos eu patrocinei a copa que reunia mais de 200 atletas. Acredito que foi uma colaboração muito grande.
 
Quando você foi para a diretoria do Franca Basquete?
Depois que eu deixei essa equipe, que era patrocinada pela imobiliária, fui chamado por alguns amigos a fazer parte da diretoria do Franca Basquete. Num primeiro momento eu assumi como diretor de marketing do Franca. Durante esses dois anos fiz um trabalho para poder divulgar o patrocinador. A mentalidade de muita gente no esporte é que time está fazendo um favor para o patrocinador e, na realidade, é o contrário. O patrocinador que precisa ser louvado. Ele precisa ter a sua marca exposta para se interessar em continuar com o patrocínio. O resultado disso é que depois me convidaram para continuar colaborando e assumir o cargo de presidente. Então, nas eleições meu nome foi referendado. Na época, o prefeito era o Sidnei Rocha. Conduzi o time por dois anos. No primeiro, Franca foi vice campeã nacional pela NBB. No segundo ano, vivemos momentos trágicos.. Na época tínhamos contratado o Babby, ele pediu dispensa e, por fim, a equipe ficou em décimo lugar. Então eu vivi o céu e o inferno naquele período. Acho que, depois do prefeito, o cargo de presidente do Franca Basquete é o cargo mais conturbado que existe na cidade. 
 
Agora você não participa mais da diretoria do Franca?
Não, não. Continuo sócio torcedor, torcendo pelo time, mas não tenho mais nenhum envolvimento com o time.
 
Você nunca pensou em entrar para a política e disputar um cargo eletivo?
Não. Não tenho essa vontade. Já fui sondado algumas vezes, mas não tenho esse interesse. Não me vejo em nenhum desses cargos.
 
Muitos investidores, loteadores e profissionais do ramo imobiliário têm sofrido com a demora na liberação de loteamentos em Franca. Há uma burocracia travando o processo. É um momento delicado para quem trabalha no ramo. 
Vou dizer que a prefeitura pecou muito com os empreendedores e com o próprio cidadão. Porque a desorganização da Secretaria de Planejamento ela prejudica diretamente o desenvolvimento econômico da cidade e é uma coisa desnecessária. Poderia haver um incremento muito maior nessa área, poderia estar organizado. Poderia ter pessoas competentes lá. Tem pessoas muito competentes, mas que muitas vezes as pessoas não podem exercer por questões político partidárias. Mas seria ótimo se a prefeitura voltasse os olhos para essa área e liberasse tudo que está represado lá. Tem muita coisa parada nos escaninhos da cidade e que poderiam estar liberados.
Você, que já viveu tantos altos e baixos no setor, o que recomenda para quem está nessa área e vive este momento tão complicado?
Eu recomendo que essas pessoas pressionem a prefeitura. Se a gente não consegue essas coisas por bem, temos que conseguir por mal.
 
E quanto ao governo federal, que ajudou muito com o lançamento do Minha Casa, Minha Vida, mas que agora parece mais distante do setor.
Na verdade, temos as verbas disponíveis. O que atravanca são esses andamentos dos processos dentro da prefeitura e a dificuldade da comprovação de renda formal de quem tem interesse em adquirir um imóvel por meio de financiamento. Muitas pessoas tem essa dificuldade e isso tem sido um impeditivo. Porque há um passado não muito distante em que as pessoas estavam cometendo loucuras para conseguir um financiamento. As regras não eram muito claras e abriram financiamentos para pessoas que não tinham capacidade de pagamento. O resultado tem sido a retomada de inúmeros imóveis pelos agentes financeiros. Então, hoje os bancos entenderam que o negócio sadio é aquele que as pessoas fazem amparadas, com a renda de acordo com a capacidade de pagamento.
 
E agora, a volta do Teixeira (com a Gold Negócios Imobiliários). Para trabalhar em um segmento bem específico?
Na realidade, o que eu e a Michele formatamos é que o nosso negócio está buscando um nicho de mercado que não conta com uma pessoa especializada. Unindo a minha experiência e a energia dela, para que a gente possa dar um atendimento diferenciado para quem tem um imóvel com um valor agregado maior. Tanto na venda quando na compra e na locação. Buscamos especificamente um nicho de mercado e acho que vamos ser mais parceiro das imobiliárias de que concorrentes.
 
Podemos citar sobre uma faixa de valor desses imóveis?
Prefiro dizer que trabalhamos hoje com terrenos e casas em condomínios fechados. Com apartamentos de padrão elevado. Não estabelecer um valor, para não pecar. Prefiro dizer que atendemos uma clientela B e A.
 
Por que escolher esse segmento? Vocês sentem que essas classes estão crescendo em Franca?
Vou usar uma expressão até muito própria para a cidade. Para cada pé tem um sapato. Então, no nosso mercado, o que aconteceu de uma forma geral? Todo mundo passou a investir em mídia eletrônica, nos apps. E as pessoas as vezes esquecem que atrás de uma transação imobiliária tem um bem muito precioso, que aquilo lá é a coroação do fruto de trabalho das pessoas, que é o imóvel. Porque o imóvel ele normalmente é produto de muito trabalho, de muita poupança, de muita economia. Então, essa pessoas querem ser tratadas de uma forma diferenciada, porque aquele bem para ela é o bem mais precioso. Quando a gente pensa nesse nicho de mercado é que a gente quer dar um atendimento diferenciado, um aconselhamento financeiro, imobiliário. Não somos simplesmente uma corretora, vamos prestar consultoria na área imobiliária para orientar as pessoas sobre o melhor momento para vender, para comprar, para alugar. Escolhemos esse nicho, porque ele está mais em consonância com o nosso ideal.
 
Com uma equipe reduzida?
Sim. Hoje estamos em 11 pessoas.
 
Como você vê o futuro? Há uma grande expectativa para 2019?
2019 é um ano de muito otimismo. Vivemos um período que rompemos com a situação anterior. Existe uma expectativa muito positiva no mercado. Até no ânimo das pessoas. As pessoas estão otimistas com relação ao futuro do pais. Isso é uma composição muito boa para o mercado. As bolsas subiram, o dolar caiu. Isso demonstra o otimismo do brasileiro com os novos ventos. Enxergamos todos que precisamos combater a corrupção, que também começa em pequenos atos. Precisamos preparar as novas gerações para que elas sejam mais exigentes e cumpram mais com os deveres e não pensem só em direitos. 

Colaborou  Thais Busqueiro

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