Na semana passada, a Apae (Associação dos Pais e Amigos do Excepcionais de Franca) completou 49 anos. No dia do aniversário, o presidente da entidade, Agenor Gado, recebeu o Comércio para uma entrevista especial. Animado com os resultados de sua gestão, o empresário do setor coureiro e da pecuária não descarta partir para um segundo mandato o atual vence no final do ano. Ele administra um orçamento anual de R$ 11 milhões e comanda um grupo de 295 colaboradores, que atendem 963 pessoas. Lembra que é um desafio aumentar a receita, mas comemora o fato de, em sua gestão, a entidade ter alcançado um equilíbrio de caixa. Também se mostra satisfeito por terem feito obras de melhorias no ambulatório e refeitório, pintura na área de educação esportiva, concluído o bloco da assistência, reformado o bloco escolar. “Está ficando bonito, aqui”, disse.Além do balanço positivo das ações da Apae, Agenor projeta os desafios a serem superados. Entre eles, concretizar a implantação da gestão profissional na associação. No entanto, Agenor se mostrou preocupado com a queda de doações, através do telemarketing da Apae. “A gente tem sentido que, no telemarketing, vem caindo a receita, principalmente no ano passado. Acredito que seja em função da situação econômica”.Diferentemente de alguns de seus antecessores, o atual presidente da Apae de Franca descarta enveredar pela carreira política. Nos bastidores, Agenor teve o nome cogitado para virtual candidatura a prefeito em 2020. “Nunca pensei nisso. Não é o meu projeto de vida. Estou aqui na Apae. Quero fazer um bom trabalho aqui na nossa instituição. Descarto participar”.
Porque decidiu ser presidente da Apae?Ser voluntário, à certa altura da vida, é uma coisa gratificante. Me identifiquei como voluntário, fui tomando gosto e achei que poderia contribuir com alguma instituição. Felizmente, acabei vindo para a Apae. Estive na Lasep (Liga de Assistência Social e Educação Popular), também.
A escolha pela Apae se deu por qual motivo?Com a Festa de San Genaro, fui convidado para participar. Me chamaram para ajudar na barraca do porco no rolete. Depois fui chamado para assumir a presidência, há alguns anos, mas achei que não estava preparado. Naquele momento foi o (Jorge) Sandrin, que aceitou. Fiquei de vice-presidente por seis anos. Fiquei afastado por três anos. Agora, já estou há dois anos, como presidente da Apae.
Ao final deste mandato, o senhor pretende seguir na presidência?
Nós temos este mandato, que se encerra no final do ano. Temos realizado um bom trabalho, felizmente, a diretoria é muito competente, proativa e dedicada. Não resolvemos ainda, mas, possivelmente, a gente pode continuar.
Qual avaliação que o senhor faz durante este período na presidência?
Não querendo ser orgulhoso, mas digo que estamos fazendo um trabalho muito bem feito, muito sério, comprometido e, felizmente, com ótimos resultados. Além das reformas que a gente vem realizando, temos feito um trabalho junto aos funcionários que está melhorando a gestão e cuidando de todos os departamentos. Estamos focando num planejamento para cinco anos. Estamos trabalhando as estratégias, o marketing, as finanças, as pessoas e os projetos. Então, a gente está fazendo um trabalho de profissionalização da instituição. Esse é o objetivo. O nosso legado seria deixar a Apae mais parecida com uma empresa. Deixar uma Apae com planejamento, para os próximos anos, com muita qualidade. Nossa diretoria é uma diretoria bacana, que tem contribuído e entendido. Estou feliz por estar à frente dessa instituição.
O senhor fala em deixar, como legado, um modelo profissional. O modelo atual não é o ideal ainda?
Em qualquer empresa nunca é o ideal, sempre a gente tem que melhorar. Pegamos Apae com alguns problemas. Problemas de caixa, que a gente conseguiu sanar. Felizmente, as finanças estão equilibradas. Você também tem que trabalhar sempre cortando despesas. Despesa é igual a unha do dedo: se você não cortar, ela sempre cresce. Não podemos esmorecer em sempre em pensar em algo melhor: diminuir despesas e aumentar receitas, para que a gente sempre possa fazer aquilo que a gente quer fazer. Resumindo: toda empresa sempre tem coisa para melhorar. A Apae não é diferente.
Aumentar a receita é um desafio?
Sempre é um desafio. Nós voltamos para Apae e o leilão é um grande evento. Realizamos no ano passado um excelente leilão, no ano anterior também. Esse ano, a gente pretende realizar um grande leilão novamente. A data já está definida. Vai ser no dia 18 de maio. Depois, em setembro, vamos fazer a Festa de San Genaro. O nosso telemarketing é uma captação muito importante. Temos outra captação, que são as Empresas APAExonadas, que fazem doações e recebem um certificado, como Empresas APAExonadas.
E os empresários têm participado?
Têm participado. Felizmente, a gente tem que agradecer aos empresários, que têm nos dado todo apoio e todo respaldo. Apesar de a economia não estar em um momento legal, nestes dois últimos anos, parece que agora estamos em outro momento e, felizmente, eles (empresários) têm contribuído e participado. Só temos que agradecer.
Como é a relação da Apae com os órgãos públicos?
A relação é boa, bacana. Nós temos uma boa relação com a Prefeitura de Franca, que contribui, temos convênio com a Prefeitura de Franca. Conseguimos, nestes dois anos passados, (convênios) com as prefeituras da região, que sempre mandavam os alunos para cá, mas nunca participavam (com verbas). Isso nos ajuda muito. Além das prefeituras, temos contribuição dos Governos Estadual e Federal, também.
O Senhor disse que pegou a Apae com dívidas. Como era a situação quando o senhor assumiu e como está hoje?
Hoje, a situação está equilibrada. Nossas finanças estão equilibradas. Conseguimos isso com os eventos como o leilão, que não estava mais sendo realizado. No ano passado, foi um leilão excepcional, atingimos R$ 1,1 milhão em apenas um dia. Felizmente, as finanças estão controladas. Isso nos permite fazer pequenos investimentos e manutenção.
E os investimentos para 2019?
Esse ano vamos reformar o bloco administrativo, que vai ser um grande investimento. Temos o bloco da educação infantil, que também vai ser reformado. Estamos concluindo as reformas no ambulatório, onde trocamos todo o piso, inclusive que estava com problema de infiltração. Estava péssimo. Estamos acabando de realizar a pintura na área de educação esportiva. E, neste final de ano, a gente concluiu um bloco, que é da assistência. Também, no ano passado, nós reformamos um bloco escolar, trocamos toda a fiação do refeitório, além do telhado e pintura interna, melhoramos o acesso ao Ambulatório de Reabilitação, fizemos a regularização do projeto do Corpo de Bombeiros (para as normas de segurança do prédio) temos mais de 8 mil metros quadrados de área construída, construímos um bloco da assistência social. Resumindo os investimentos, entre obras e mobiliário, nós gastamos, no ano passado, R$ 1,128 milhão. Realmente, nós fizemos muita coisa. Está ficando bonito aqui.
O senhor convidou novos integrantes para a Apae?
No final do ano passado, convidamos algumas pessoas para nos assessorar. Como presidente, eu poderia convidar. Convidei seis pessoas para serem assessores, cada um na sua competência específica. Todos voluntários. Então, eu convidei a Deise Pucci, que vai ser a assessora de arte design; a Rosângela Moura, vai ser a assessora pedagógica; Noedi Freitas, assessora social; Marcelo Diniz, assessor de engenharia e arquitetura; Lúcia Helena Brigagão, assessora cultural, e a Elizabeth Freixes, assessora de gestão de pessoas. Então, além da nossa diretoria, eles estão contribuindo conosco, para trazer ideias novas para dentro da instituição. Todos voluntários.
Hoje, qual a maior dificuldade da Apae?
Acho que é a captação de doações. A gente tem sentindo que, no telemarketing, vem caindo a receita, principalmente no ano passado. Acredito que seja em função da situação econômica. A gente fica um pouco preocupado com isso. Temos trabalhado intensamente, aumentado o número de funcionários para fazer a captação.
O que representa o telemarketing no orçamento anual da Apae?
Dos R$ 11 milhões (orçamento anual), praticamente 30% temos que captar com receitas entre leilão, Festa de San Genaro, telemarketing e Empresas APAExonadas. Então, as doações da sociedade são importantes, não só de Franca, mas de toda a região.
Festa de San Genaro 2019...
Acabamos de realizar a San Genaro no mês de outubro. No momento em que a festa está sendo realizada, a gente tem o cuidado de ficar observando o que está bom e o que pode ser melhorado. No ano passado, a gente teve pratos novos. É cada vez mais afinando a viola, para que a música saia melhor.
Hoje falta algum tipo de atendimento na Apae?
A gente está estudando um programa de venda de assessoria e consultoria, desenvolvendo um programa de gestão de pessoas com deficiência, para empresas que precisam cumprir a sua cota de PCD (trabalhadores), especializado em recrutamento e assessoramento. Também podemos vender mais serviços para a Prefeitura. Temos o espaço físico, temos os profissionais, especialmente, na área da saúde, que é a expertise nossa.
Os alunos da Apae têm encontrado espaço no mercado de trabalho?
Têm encontrado. A gente sempre procura empresas para que os nossos meninos que estão preparados. Existe uma certa demanda, até. Os empresários têm buscado (contratar). As assistentes sociais têm esse cuidado. Sempre que tiver alguém preparado para ir para a área de trabalho, a gente encaminha. A gente também acompanha o dia a dia. Os profissionais não ficam “jogados”.
Uma discussão antiga é sobre os alunos estarem na rede regular de ensino e não na Apae. Ou seja, que eles poderiam ser direcionados para a rede regular de educação. O que o senhor pensa sobre isso?
Eu acho que é uma proposta muito interessante. Não podemos descuidar e jogar esses jovens em uma sala de aula, onde os profissionais não estejam preparados. Aqui nós temos uma pedagoga, uma professora que está na sala de aula. Além da professora, tem uma auxiliar de sala. Muitos destes meninos são cadeirantes. Têm necessidade de troca de fraldas, por exemplo, de serem levados ao banheiro. Então, são dois, três, profissionais por sala de aula. Se a rede regular estiver preparada, ótimo. No entanto, a gente vê que ela não está totalmente preparada. Nós temos aqui, a Sala dos Autistas. Autista, você não pode colocar mais que seis pessoas por sala. Além da educadora, tem que ter auxiliares.
Como o senhor avalia a estrutura de atendimento das escolas regulares? O que elas precisam ter de diferente, além dos profissionais, para recebe esses alunos?
Pelo o que eu sei, as salas de aula do ensino regular não têm esses cuidadores que acompanham esses jovens. É uma etapa a ser vencida ainda. Então, não podemos jogar (os alunos) na rede regular e esses jovens serem discriminados. Aqui na APAE não existe este problema. Na rede regular, ele pode sofrer um bullying, por exemplo.
O senhor sente que há preconceito em Franca?
A gente que está aqui no dia-a-dia, sendo bastante sincero, no nosso ambiente, não tem. Mas pode ter em outros locais, onde esses jovens, essas crianças, saem com seus pais, mas eu acredito que vem melhorando muito. No passado existia muito. Hoje, acho que as pessoas estão entendo mais.
Como está a capacidade atual da Apae?
Nos setores da educação e da assistência social, estamos no limite. Só se construirmos mais blocos para conseguirmos aumentar o atendimento. Na área da saúde ainda temos espaço.
Há pessoas esperando por atendimento? Ou seja, há uma fila de espera para poder ser atendido pela Apae?
Tem. As pessoas vêm para a Apae e, então, é feito um diagnóstico. Verificando que e elas têm suas deficiências, às vezes, elas ficam um mês esperando, tão logo apareça uma vaga. Vamos dizer assim: existe uma fila? Existe. Não é algo tão grande. É algo que não passa de um mês, excepcionalmente pode chegar a dois meses, para que a pessoa seja atendida. Eu não diria que é um problema; é uma rotina. Você avalia a criança e marca o período em que ele pode começar o tratamento. É só uma questão de escala.
Historicamente, ex-presidentes da Apae de Franca foram eleitos para cargos públicos. Como o senhor vê essa relação?
Todo ser humano tem liberdade para decidir o seu caminho, as suas vontades. Às vezes, a gente pode estigmatizar a pessoa, pois ela passa para Apae e não pode ser um vereador, um governador, um prefeito. Quem usa os cargos públicos, usa para servir a sociedade. Então, se ele tem competência para isso, nós precisamos, cada vez mais, de melhores profissionais na política. Então, acho uma coisa natural.
Em menos de dois anos haverá eleição para prefeito. O nome do senhor chegou a ser apontado nos bastidores como possível candidato. O senhor tem pretensão de participar da disputa?
Eu não estou sabendo disto, não, que meu nome foi cogitado (risos). Mas é bacana saber que o nome da gente está, de certa maneira, sendo valorizado. Mas nunca pensei nisso. Não é o meu projeto de vida. Estou aqui na Apae. Eu quero fazer um bom trabalho aqui na nossa instituição, possivelmente ter até um segundo mandato (como presidente). Existem muitos bons nomes para o Executivo da nossa Prefeitura.
Então o senhor descarta participar da eleição?
Sim, eu descarto participar .
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