Guedes projeta corte de impostos para empresas


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O ministro afirmou que o governo pretende arrecadar pelo menos US$ 20 bilhões (R$ 72,5 bilhões) neste ano com privatizações de empresas estatais./Foto:Alan Santos
O ministro afirmou que o governo pretende arrecadar pelo menos US$ 20 bilhões (R$ 72,5 bilhões) neste ano com privatizações de empresas estatais./Foto:Alan Santos

MARIA CRISTINA FRIAS, LUCIANA COELHO E TÁSSIA KASTNERDAVOS, SUÍÇA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, animaram os investidores, que levaram a Bolsa brasileira a uma nova máxima histórica e o dólar a cair 1%.

Após desconfiança com o discurso curto e sem detalhes do presidente Jair Bolsonaro no primeiro dia do evento, Guedes deu detalhes sobre seus planos para a economia.

Ele confirmou, nesta quarta-feira (23), que planeja taxar dividendos e ganhos de capital, e afirmou que a alíquota deve ficar por volta de 15%.

A compensação para as empresas viria na redução da alíquota do imposto, hoje em 34%.

Uma das principais cobranças de investidores tem sido os passos que o governo tomará para levar a cabo sua agenda reformista e impulsionar o crescimento econômico.

Essa sinalização foi feita de forma pública ao longo da tarde desta quarta (horário de Brasília), quando Guedes concedeu sua primeira entrevista exclusiva após assumir o ministério.

À agência de notícias Bloomberg, o ministro afirmou que o governo pretende arrecadar pela menos US$ 20 bilhões (R$ 72,5 bilhões) neste ano com privatizações de empresas estatais.

O valor representaria cerca de metade do déficit fiscal brasileiro, disse Guedes, reafirmando que o rombo seria zerado em 2019.

"Mas não em uma base permanente, porque isso exige reformas estruturais, como a da Previdência", acrescentou. A previsão para este ano é um déficit de R$ 139 bilhões.

Questionado pela Bloomberg sobre cortes de subsídios, o ministro da Economia disse que, se hoje eles somam US$ 100 bilhões (R$ 376 bilhões), um corte de 10% já se reverteria em mais US$ 10 bilhões (R$ 37,6 bilhões).

"Mas urgente são as reformas estruturais. Se eu começar a falar que vou cortar subsídios aqui e lá, perdemos apoio político para fazermos as reformas mais importantes, como a da Previdência. Para que se engajar em pequenas batalhas se tenho uma enorme à frente?"

Guedes disse que a prioridade do governo é a reforma da Previdência e que a equipe não quer "lotar o Congresso com três, quatro, cinco reformas simultâneas".

Após a entrevista, o dólar passou a cair e fechou em baixa de 1,07%, a R$ 3,7630, invertendo a tendência de alta recente, que havia levado a moeda a superar os R$ 3,80.

A Bolsa brasileira ganhou sustentação e fechou com ganho de 1,52%, no recorde de 96.558 pontos. O volume financeiro foi de R$ 14,5 bilhões.

No exterior, as Bolsas tiveram desempenho negativo na Europa, mas as americanas viraram para alta ao final do pregão.

Com Guedes sob holofotes, analistas locais ignoraram que as metas para os primeiros cem dias do novo governo não citam a reforma da Previdência, considerada essencial.

O documento foi apresentado em Brasília pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que não tem respaldo do mercado financeiro.

A avaliação geral em Davos é que Bolsonaro e a equipe econômica apresentaram boas metas, em sintonia com o que quer o empresariado.

Mas os executivos e integrantes de organizações internacionais ouvidos pela reportagem não estão convictos de que o governo conseguirá passar todas as reformas no Congresso, e por isso esperam entender melhor qual o plano.

Guedes tem aplacado parte desses temores expondo alguns pilares do plano para a Previdência e a para a desburocratização do ambiente de negócios. A proposta de reforma deve ser levada ao Congresso no início de fevereiro, após a cirurgia a que o presidente será submetido e a posse do novo Congresso.

A decisão de baixar a carga para o setor produtivo faz parte disso. No entanto, segundo um executivo presente nas reuniões com o ministro, ele afirmou que seria impossível escapar, nesse caso, da taxação de dividendos e dos juros sobre ganho de capital, a fim de encontrar algum equilíbrio.

Dois integrantes de organizações internacionais ouvidos pela reportagem expressaram dúvidas sobre a capacidade do governo conseguir aprovar as reformas em sua versão completa. De acordo com ambos, é preciso saber quais sãos os planos completos. Um deles lembrou que se trata de uma democracia, e seria preciso negociar com o Congresso.

O ministro, porém, tem mostrado otimismo, afirmando que há consenso entre todos que as reformas precisam ser aprovadas.

Caso isso não ocorra, porém, ele pretende propor o fim da obrigatoriedade de gastos do governo federal, desentesando o Orçamento, o que a Folha de S.Paulo já mostrou que pode ser ainda mais difícil de aprovar entre os parlamentares.

A agenda da equipe econômica em Davos tem sido carregada, entre encontros com executivos, empresários e representantes de governos e organizações multilaterais. Filiado à corrente econômica de viés liberal, Paulo Guedes tem sido colocado pelo presidente Bolsonaro como seu trunfo para trazer investimentos ao país.

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