Capelinha passa por restauração histórica que deve custar R$ 2 mi


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A Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como “Capelinha’, está passando por um projeto inovador de restauração, com um orçamento que pode ultrapassar os R$ 2 milhões. A igreja é o primeiro prédio público da cidade a passar por uma restauração dessa magnitude, seguindo todos protocolos do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Todo o dinheiro arrecadado para os trabalhos vem de doação feita pela comunidade.

A igreja, que foi inaugurada em 1926, no bairro Santo Agostinho, e passou por uma ampliação em 1958, é parte do patrimônio histórico da cidade. De acordo com o arquiteto Marcelo Prestes, responsável pela obra, a restauração está em um processo de finalização da parte estrutural. “Fizemos uma adequação de plantas, fachada, parte elétrica e de estrutura que não existia. Até o momento, já foram restaurados o telhado, os forros e as colunas. O prédio tem quase 100 anos, então, você tem os problemas de um prédio de 100 anos. Temos que requalificá-lo estruturalmente, se eu não faço isso, perco ele. Já reestruturamos também os pisos e fizemos impermeabilização, para que ele dure mais 100 anos”, disse o arquiteto.

Marcelo disse que essa primeira etapa dos trabalhos é mais demorada e menos visível, mas é fundamental para que tudo fique como era antes. O arquiteto prevê que essa parte de estruturação termine em março, para, então, começar a segunda etapa. “A parte estética é a mais visível, mas também é a mais cara. Vamos repor o piso hidráulico, toda parte de iluminação, vitrais, além de aprimorar aspectos de segurança”, completou. A previsão é entregar o projeto com a parte de arquitetura finalizada até o fim de 2020.

Depois disso, continua o processo, pois todas as pinturas antigas vão ser restauradas. “O teto da igreja é cheio de pinturas, mas hoje é impossível de ver, porque passaram tinta por cima. Uma equipe especializada, vinda de fora, vai se incumbir da restauração das pinturas, que é uma parte demorada. Vamos entregar o prédio para o publico, mas esse aspecto das pinturas ainda não estará finalizado”, disse ele. O arquiteto explicou que o projeto é minucioso e demorado e, para que a restauração seja o mais fiel possível a versão original do prédio, foram feitas diversas pesquisas de cores, de pinturas, análise de fotos, ouvidos relatos de fieis... enfim, vários caminhos para se ter uma noção mais exata de como era a igreja na década de 50.

Além das restaurações, Frei José está animado porque a igreja vai ter mais acesso para cadeirantes. “O processo é demorado, mas vai valer a pena. Vai ser feito um memorial que mostrará a história da igreja na cidade, com conteúdos e imagens históricas. Tudo isso está sendo possível graças ao empenho da comunidade. E, de nossa parte, estamos mantendo uma gestão muito firme, com muita transparência, para mostrar para os fies para onde o dinheiro está indo”, disse ele que aproveitou para fazer um pedido. “Precisamos da ajuda das pessoas para que esse projeto seja finalizado’.

Durante as obras, as missas estão sendo celebradas no barracão ao lado da igreja. 

 

Jazida do Espírito Santo doa mármore
No projeto inicial de restauração da Capelinha, foi decidido que não seria colocado mármore na coluna, uma vez que é uma pedra muito cara e a arrecadação, ainda que substanciosa, não seria suficiente para cobrir mais esse gasto. Foi então que o Frei José, pároco da Capelinha, decidiu procurar parceiros fora da cidade. O religioso é do Espírito Santo e mostrou o projeto de restauro. A obra encantou empresários de uma jazida de mármore localizada naquele estado e eles doaram 500 metros de mármore. “A doação foi de extrema importância, pois vamos conseguir fazer como no projeto original”, disse o frei. “Empresas que estiverem dispostas a nos ajudar, poderão contar com o incentivo da Lei Rouanet. Temos todos os documentos necessários para obter esse incentivo fiscal”, finalizou. Interessados em doar podem fazer contato pelo telefone (16) 3707-2222.

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