'Quero poder fazer o bem', diz presidente do CVS de Franca


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'O francano ajuda muito. E o empresário francano, também. Recebemos muitas doações anônimas, que ajudam demais', diz Dalila Barini
'O francano ajuda muito. E o empresário francano, também. Recebemos muitas doações anônimas, que ajudam demais', diz Dalila Barini
Viúva há seis anos, com três filhos e seis netos, Dalila Barini assumiu neste mês a presidência do Centro de Voluntários da Saúde. Há seis anos como voluntária, Dalila começou a se dedicar à causa, após acompanhar a luta do marido contra o diabetes. Agora, ela comanda um verdadeiro exército do bem, com 600 integrantes, que acolhe pacientes em três unidades de saúde de Franca. Ao Comércio, ela contou seus planos para o Centro de Voluntários e revelou uma doação anônima que chamou sua atenção: um paciente com câncer, antes de morrer, deixou em seu testamento a destinação de um apartamento para o Centro.
 
Como a senhora começou a participar do voluntariado?
Comecei a participar depois que marido morreu. Eu achei que deveria fazer alguma coisa para o próximo, porque cuidei do meu marido vários anos doente e, depois que ele morreu, achei que eu precisava de alguma coisa. Assim, comecei a trabalhar na Hemodiálise, da Santa Casa. Trabalhei lá por três anos, como voluntária. No final do terceiro ano, recebi um telefonema do (José Luís) Beneli, que era o presidente do Centro de Voluntários, perguntado se eu queria fazer parte da diretoria dele. Depois, conversamos bastante e eu aceitei. Fui a segunda secretária na gestão dele. Foi um ano de muito aprendizado, aprendi muito com o Beneli. Novamente, no final do mesmo ano, ele me convidou, outra vez, como ele foi reeleito, para fazer parte da diretoria dele. Aceitei, mas achando que iria continuar a segunda secretária. Não foi assim. Quando ele falou sobre os nomes da diretoria, eu era a vice-presidente. Aceitei, pois se Deus coloca algo no caminho da gente é por algum motivo. Foi mais um ano de aprendizado. Hoje estou aqui. Tomei posse no último dia 7 e estou muito feliz. Espero continuar o trabalho dele, o trabalho que ele realizo nos últimos anos. Foi um trabalho muito bonito.
 
Há quanto tempo você está atuando como voluntária?
Seis anos.
 
O que mais lhe marcou neste período?
Olha, são tantas coisas. Vi a alegria no rosto de cada paciente. É muito gratificante a gente fazer parte, poder ajudar, ver aquele rosto (de alegria). É muito bom.
 
Como presidente do Centro de Voluntários qual é o seu maior desafio?
O meu maior desafio é tocar para frente este clube. Nós somos em 600 voluntários. São muitas pessoas. Quero poder continuar a fazer o bem. A gente está aqui, olha para as pessoas e vê aquele rosto que necessitada daquilo. Necessita de uma palavra, necessita de um apoio. Necessita você sentar ao lado, para conversar com aquelas pessoas. Você poder ajudar com um suplemento alimentar, que aquela pessoa tanto precisa para sobreviver, é muito gratificante. Então, tudo isso é muito bom. 
 
A senhora disse que são 600 voluntários. Há espaço para mais pessoas participarem?
Sim. Nós somos em três setores. Nós atuamos no Hospital do Câncer, na Santa Casa e, há pouco tempo, recebemos um convite do secretário da Saúde (Rodolfo Morais) para atuarmos também no NGA (Núcleo de Gestão Assistencial). Então, estamos atuando nestes três lugares. 
 
Como que funciona? Quem tiver interesse em se tornar um voluntário, em ajudar nesse trabalho, como deve proceder? 
Uma vez por mês, temos a capacitação entre as pessoas que querem ser voluntárias. Elas ligam aqui no Centro de Voluntários (3704-2122), deixam nome e telefone, e são chamadas para essa capacitação. Nessa capacitação, a gente mostra como é o centro, como funciona, como é o trabalho, quais são as regras e as normas. No final, a gente fala para a pessoa quais os setores que estão precisando de mais voluntários. A partir daí, a pessoa, que está fazendo essa capacitação, vai ver qual o melhor horário para ela, qual é o melhor setor no qual ela prefere trabalhar, pois os voluntários trabalham duas horas por semana. Além do acolhimento, da conversa com o paciente e familiares, nós também oferecemos leite, lanche, bolacha e café, das 7 às 17 horas, aqui no Hospital do Câncer, para todos os pacientes. E tudo isso é feito pelos voluntários. 
 
O que a pessoa precisa ter para ser voluntária?
Ela precisa ter a disponibilidade de duas horas por semana, uma vez por semana, e ter boa vontade.
 
São quantas pessoas atendidas?
Sete mil pessoas por mês, entre pacientes e familiares.
 
Vocês começaram a atuar também no NGA. É possível pensar a saúde pública em Franca sem os voluntários?
A gente houve falar, como disse o senhor José Cândido Chimionatto, que é o presidente da Santa Casa, que, sem os voluntários, o hospital não seria o mesmo. Então, eu acho que estamos fazendo uma boa ação.
 
O Hospital do Câncer completou 17 anos (na semana passada). Como voluntária, qual avaliação do trabalho feito aqui?
Nosso lema é: “melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares”. É isso que a gente sempre procura fazer. Com o que? A gente oferece cesta básica toda semana, leite, café. A gente oferece uma acolhida a eles. A gente trabalha na Hemodiálise da Santa Casa, na Hemodiálise do Hospital do Câncer, pediatria, com a brinquedoteca. Então, são vários setores que a gente atua. 
 
Quem precisa de mais atenção: o paciente ou a família?
É difícil, pois a famílias, às vezes, precisam mais de uma palavra do que o próprio paciente. Então, às vezes, você olha no rosto de cada um deles que está passando por esse momento e vê que eles estão precisando (de ajuda) mais do que, propriamente, os pacientes que estão em tratamento.
 
O francano ajuda?
Muito. O francano ajuda muito. Aqui no Centro de Voluntários é assim: por exemplo, o estoque de leite está acabando, quando é à tarde, chega uma camionete carregada com leite, outra com bolacha; o francano tem um coração de ouro. Eu falo que é sempre Deus. 
 
E o empresário francano...
Também. A gente tem vários empresários que doam, que fazem doações anônimas, que preferem não ser citados. A gente não tem queixa.
 
Qual doação anônima que mais chamou a atenção da senhora?
Recentemente, recebemos em doação um apartamento de uma pessoa, que já estava doente, ela chamou o presidente do Centro de Voluntários para uma conversa, uma conversa longa. Passou alguns meses, ela morreu. O Centro de Voluntários está no testamento desta pessoa, como herdeiro deste apartamento. 
 
Já há uma ideia do que será feito como está doação?
Ainda não. Ficamos sabendo sobre isso há pouco tempo. Ainda está em inventário. Quando estiver tudo certinho, vamos pensar o que fazer. 
 
Como presidente do Centro, o que a senhora faria de diferente dos presidentes anteriores?
Nós temos nosso plano de trabalho. Nós temos, praticamente, um evento por mês. Nesse ponto, eu acrescentei alguns eventos, que a gente prefere não divulgar, pois está em estudo no momento. 
 
Qual marca que a senhora pretende deixar como presidente do Centro de Voluntários?
A minha dedicação a estes pacientes que tanto precisam de nós. 
 
Hoje, as relações humanas estão muito virtuais. Como convencer as pessoas a serem voluntárias, a doarem, a se doarem, neste contexto atual?
Acho que é demostrando o quanto este pessoal precisa da gente. Inclusive, a gente mostra com slides o que é feito aqui (no Centro de Voluntários da Saúde), como a gente faz com os pacientes. Tudo isso toca a pessoa. Você mostra tudo o que a gente faz para aquele paciente. Isso acaba despertando a vontade nas pessoas de também ajudarem.
 
Tem algo que a senhora queira implantar no Centro de Voluntários agora que assumiu a presidência do grupo?
Estamos de casa nova. Faz um ou dois meses, que mudamos para este novo espaço. Então, todas as nossas oficinas que trabalhavam fora do hospital, na casa de voluntários, a gente alugava casa para essas oficinas, então, esse espaço nós fizemos para isso. Todas as oficinas vão ser transferidas para cá. Também estamos arrumando outras oficinas para virem para cá. Temos um salão muito grande para trabalhar durante o ano inteiro. Temos o nosso bazar, que é o nosso carro chefe, realizado em novembro, quando a gente arrecada mais fundos, para a gente poder trabalhar para estes pacientes.
 
Quais oficinas vocês mantém no Centro de Voluntários?
Temos algumas oficinas muito importantes. Entre elas está a de confecção sutiãs específicos para mulheres que retiraram a mama. Também recebemos doações de cabelos naturais e, com eles, fazemos perucas para as pacientes que estão em tratamento e, por conta disso, perderam os cabelos. 
 
Qual o investimento anual no Centro?
A gente investe uma média de R$ 30 mil mensais voltados aos pacientes. Por isso, a gente precisa de muita doação.
 
Como a pessoa que quiser ajudar com doações deve proceder?
Quem quiser doar pode procurar o Centro de Voluntários, que é dentro do Hospital do Câncer, ou ligar no nosso telefone (3704-2122).
 
No contato diário, tem algo que entristeceu a senhora?
Eu adorava trabalhar na hemodiálise da Santa Casa. Mas o que mais me entristecia? Eu tinha aquele contato diário com os pacientes, a gente pegava aquele amor por eles. Então, o que acontecia? Na outra semana, eu chegava e aquela cadeira estava vazia. Então, para mim, era muito difícil (disse, com voz embargada e olhos lacrimejando). 

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