A dançarina francana que deu a volta ao mundo


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 Carina Costa - Foto: Mike Kai
Carina Costa - Foto: Mike Kai
A francana Carina Costa, 31 anos, é bailarina profissional. Mas não foi a dança que a levou a percorrer os quatro cantos do planeta. Seduzida pela aventura, Carina se lançou no desafio de dar uma volta ao mundo. Tudo no esquema mochilão. A epopeia rendeu um livro e tem outro em gestação. 
 
Como surgiu seu interesse por desbravar?
Me formei em dança na Unicamp. Trabalhei durante um ano, morando em São Paulo, em uma companhia de dança. Nesse período, percebi que não era isso que queria fazer. No Ano Novo de 2013, decidi que queria fazer alguma coisa diferente. Comprei um tour e fui fazer um trekking na Chapada Diamantina, sozinha. Foi uma experiência incrível, oito dias atravessando o Vale do Pati. 
 
E depois?
Em julho de 2014, fiz a montanha na Bolívia. Foram 14 dias. Nunca tinha visto neve, nunca tinha passado por tanto frio... Quando a gente ia alcançar o cume, falei: “Eu não dou conta. Se for, eu não sei se volto (...) Preciso descer, voltar para o acampamento.” 
Um guia me levou. Então, vi o meu limite. O fato de ter reconhecido meu limite, (me fez entender que) na próxima aventura ele estaria mais amplo. Escrevi sobre essa experiência. Foi publicado na revista da TAM. Isso me motivou. Tinha 27 anos e falei: “Quando fizer 28, (quero) sair para uma viagem mais longa, que eu possa me desenvolver espiritualmente e meu autoconhecimento” 
 
Qual foi o passo seguinte?
Me planejei financeiramente. Minha ideia era sair para essa viagem com 28 anos e terminar de viajar o mundo aos 30. Essa seria minha jornada. Foi um ano e meio sem vida social, de muito trabalho, para conseguir financiar essa viagem de volta ao mundo. 
 
E como foi a Volta ao Mundo?
Eu tinha muito claro que queria começar essa volta ao mundo por um longo caminho. Escolhi o Caminho de Santiago (de Compostela). Convidei minha mãe para ir comigo. Foram 34 dias. Caminhamos juntas 800 km no norte da Espanha. Depois, segui sozinha. Fiz Barcelona, fui para a França. Participei de uma meditação pela paz mundial com um grupo em Cannes. Fui para a Itália também. Cheguei de carona em Florença. Tinha escutado falar que existe o Caminho de Assis, na Itália, que é muito bonito. A única informação que eu tinha sobre esse Caminho de Assis era a cidade em que começava, Dovadola. O lugar em que eu ia ficar hospedada era ao lado de uma igrejinha. E só tinha um padre lá. Estava sozinha e ele falou: “Olha, Carina, esse Caminho de Assis não é tão demarcado. Você vai estar sozinha no caminho.” Fiquei muito receosa. Estava anoitecendo. Rezei. Aí comecei a escutar umas vozes. Falavam português. Entraram três pessoas, duas mulheres e um homem. Eram de Patos de Minas, muito próximo de Franca. Olha que louco isso! Fizemos juntos o caminho. 
 
Onde mais foi?
Fui para a Croácia, trabalhei num hostel em troca de hospedagem e alimentação. Fiz os Bálcãs, de carona. O Ano Novo passei na Áustria. Fui para a Turquia, onde tive a experiência de voar de balão. África do Sul, onde também trabalhei em um hostel. Amei porque é muito similar ao Brasil, as pessoas são muito alegres, receptivas. Fiz um monte de safari na Namíbia. 
 
Que outras aventuras você viveu?
Tinha a ideia de que queria fazer uma caminhada de longa distância mais uma vez. Decidi que queria fazer a Via Francigena, um caminho que começa na Inglaterra e termina em Roma. No total, são 2 mil km caminhando. Eu fiz 1600 km. Sozinha. Foram dois meses e meio. Quando cheguei em Roma, deitei no chão, em frente do Vaticano, e só agradecia. Uma sensação de que a gente é capaz de concluir tudo que a gente se coloca a fazer.
 
Quantas histórias. O que veio depois?
Fui fazer a Ásia. Meu primeiro país foi a Tailândia, onde fiz um retiro espiritual. Era um retiro de meditação, dez dias de silêncio. Depois fui para a Malásia e de lá decidi ir para a Índia. Fui para Nova Deli. Voltei para a Malásia. Fui ao Nepal. Depois, Israel, onde fiz curso de dança, que também foi uma experiência muito boa. Retornei à África do Sul, para velejar para o Brasil. Um cara me convidou para fazer a travessia do Oceano Atlântico com ele e mais um amigo. Foram 45 dias. Chegamos ao Rio de Janeiro. Essa experiência da travessia foi muito marcante. O veleiro vai passando e os plânctons vão se acendendo. Tudo ao redor do veleiro fica verde fluorescente. É mágico!

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