Um levantamento realizado pela revista Veja e publicado na edição que circulou nesta última semana aponta que o deputado Roberto Engler (PSB), representante de Franca e região na Assembleia Legislativa, é o campeão do nada honroso ranking dos parlamentares que mais faltam às sessões legislativas. Nos últimos quatro anos, o deputado francano, que foi reeleito para o oitavo mandato consecutivo, esteve ausente por 389 dias da Assembleia Legislativa.
“Noves fora”, como se dizia antigamente, Engler “cabulou” quase 30% do mandato . Tecnicamente, o deputado não cometeu nenhuma irregularidade. Pode parecer esquisito, porque desafia o senso comum, mas ele pode faltar. Por mês, cada deputado tem o direito de se ausentar pelo menos quatro vezes sem ter que dar maiores explicações. Engler faltou muito mais, mas ainda assim, há muitas brechas no regimento que permitem que um parlamentar, se assim o desejar, dedique-se ao “ócio criativo” e remunerado.
A própria justificativa de sua assessoria ajuda a traduzir para o eleitor como um volume tão grande de faltas pode acontecer - e dentro das regras do jogo. Diz o assessor do deputado que a reportagem da revista “deve” ter considerado como dias úteis as segundas e sextas-feiras, quando não há votação na Assembleia e as sessões extraordinárias, quando quase sempre o que vai ser votado já está acertado pelas lideranças partidárias, o que tornaria, então, a presença física do parlamentar “dispensável”. No caso das faltas às quintas-feiras, a “justificativa” é que são dias em que “raramente” acontecem votações e, muitas vezes, o deputado aproveita para participar de compromissos em Franca e região, “parte importante do mandato”.
É curiosa a lógica dada pela assessoria do parlamentar. Engler não é simplesmente um dos que mais falta. Ele é, disparado, o que mais falta. Seus colegas, por razões mais ou menos nobres, participam muito mais do que acontece na sede do Legislativo paulista, pelo menos fisicamente, do que o nosso representante. Em síntese, diz a assessoria que nas segundas e sextas não acontece nada que justifique a presença de Engler, nas quintas raramente tem votação, e as extraordinárias invariavelmente já têm todos os projetos definidos antes mesmo que sejam levados à votação, dispensando a presença do parlamentar. Se é assim, é de se perguntar se um deputado com estas convicções consegue mesmo desempenhar o mandato na sua plenitude.
É fato que muito do trabalho parlamentar é feito nos bastidores e que existem votações cujo resultado é conhecido antes mesmo que os projetos sejam levados a votação. Mas um pouco mais de empenho e de presença física seria importante para a biografia do veterano deputado. Que Roberto Engler possa rever suas posturas neste novo mandato que começa em poucos meses. Aproximar-se do final da carreira mais conhecido por ser campeão de faltas do que pela qualidade dos projetos que apresenta, decididamente, pouco lustra sua biografia.
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