Pizza pré-assada


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No início de cada ano letivo, exatamente na primeira aula, é comum o professor utilizá-la para uma apresentação recíproca do professor e dos alunos. Nessa aula inaugural, os discentes são também informados do método de ensino a ser utilizado no decorrer do estudo, o programa básico da disciplina, contendo os seus objetivos mediatos e imediatos e os métodos de avaliação do professor.

Evidente que todas essas informações preliminares são importantes, exatamente para que exista uma perfeita interação entre o professor que se apresenta e os alunos. Ela (a interação) é elemento essencial para a harmonia na classe e para o maior êxito no aprendizado. Costumo dizer aos meus colegas de docência, que o sucesso do aprendizado, no decorrer do ano, passa também por uma aula inaugural impactante, desafiadora, aquela que desperta no aluno o interesse pela matéria que irá ser ministrada. Sim, pois há que se reconhecer que a primeira impressão é a que geralmente fica.

Neste ano pretendo inserir um aspecto novo na minha palestra inicial. Trata-se de uma reflexão que me parece importante nos dias atuais. Quero desafiar os meus novos alunos a diminuírem o tempo por eles despendido com as redes sociais e estimulá-los a aumentarem as suas disponibilidades para as relações pessoais, para o diálogo presencial e não aquele geralmente monossilábico dos relacionamentos virtuais.

Não desconheço a importância da internet na vida das pessoas, mas condeno o uso desmedido dela, fato que tem retirado (ou pelo menos diminuído) a capacidade das pessoas de administrar problemas e de encontrar soluções criativas sem depender do auxílio escravizante do equipamento eletrônico.

Comum nas universidades, nos dias atuais, trabalhos escolares extraordinariamente bons. Mas que, quando bem verificados e submetidos ao exame de eventual existência de plágio, constata-se que, infelizmente, a colaboração do aluno para o resultado final dele foi inexpressiva. Habituei a denominar esses trabalhos, jocosamente, de “pizza pré-assada”, pois a qualidade melhor ou pior dela não depende dos dotes culinários do consumidor.

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