Camila Gobbi, 33 anos, é uma simpática francana com uma trajetória incomum e fascinante. Há sete anos, deixou a terra das Três Colinas para trabalhar em Morro de São Paulo, na Bahia. De lá, foi ser babá nos Estados Unidos. Hoje, mora no Havaí, onde é massoterapeuta especializada em recuperação de lesões e melhora do desempenho esportivo. Amante de trilhas, rapel e mergulho, Camila se sente em casa no Havaí e não pensa em voltar. Mas, a quem pensa em seguir seus passos, faz um alerta: “45% do que se ganha vai para os impostos. É preciso ralar muito”, avisa.
Você nasceu e cresceu em Franca mas hoje mora no Havaí, território americano que fica no oceano pacífico, a meio caminho entre os Estados Unidos e o Japão. Como você foi parar lá?
Trabalhei nas Casas Bahia de Franca por muitos anos, mas sempre quis me aventurar pelo mundo. Primeiro, fui pra Morro de São Paulo, no norte da Bahia, onde morei por um ano e meio e trabalhava com turismo. De lá, fui para os Estados Unidos, no esquema de au pair (babá em casa de família).
Você trabalhou como babá, casou-se com um americano, separou-se e hoje é cidadã americana. Hoje você se sente mais americana ou brasileira?
Morei em muitos lugares nos Estados Unidos, porque fui sendo transferida de um estado para o outro, a trabalho. Conheci numa dessas andanças meu ex-marido, um porto-riquenho com dupla cidadania, e me casei. Ele é membro das Forças Armadas e foi convocado para participar da guerra do Afeganistão. Voltou de lá perturbado, com muitos traumas, e não conseguiu se readaptar a uma vida normal. Também não quis procurar tratamento. Para minha segurança, me divorciei. Quanto aos Estados Unidos, eu me adaptei bem à cultura americana, mas as minhas raízes são brasileiras.
Você é uma espécie de fisioterapeuta, trabalhando com recuperação da mobilidade de pessoas e também como apoio ao incremento do desempenho esportivo. Como descobriu esta vocação?
Quando entrei na escola de massoterapia, não gostei da parte de massagem. Então, resolvi estudar medicina tradicional chinesa. Um instrutor me ofereceu a oportunidade de trabalhar com a recuperação de soldados em um hospital militar para contar as horas como clínica pra especialização de medicina esportiva. A vocação está na ponta dos meus dedos. Nem preciso olhar para o paciente para entender o problema. Basta tocar e sentir, meu dedos são muitos sensíveis. E eu amo a recompensa de ver as pessoas melhorando, tendo uma qualidade de vida melhor. A parte empreendedora veio de assistir meu pai fazendo negócios a vida toda, e também por ter feito faculdade no Havaí de empreendedorismo.
Como é a vida no Havaí? O custo de vida é caro? É um lugar tranquilo?
A vida no Havaí é corrida. Trabalho sete dias na semana, mas sempre reservo umas horas pra assistir o pôr-do-sol na praia, aos domingos, onde tenho um grupo de encontro de redes. Colocamos as redes nas palmeiras e assistimos o pôr-do-sol juntos, como uma irmandade. A ilha e as pessoas são especiais, cheias de paz e cura. Moro na ilha de Oahu, em Honolulu, na capital. A vida no Havaí não é tão barata quanto em Franca, mas bem mais barata do que em São Paulo, acreditem ou não!
O que você mais gosta de comer da culinária local? Quais são os pratos tradicionais? E do que sente falta de casa?
A população local é uma mistura de filipinos, samoanos e japoneses, então a comida predominante é asiática. Eles comem muita carne, fritura e macarrão asiático com arroz japonês. Eu não gosto de nada disso. Sou vegana, pois meu corpo não se dá bem com os hormônios e agrotóxicos. Meu prato preferido é o Pho, uma sopa vietnamita com macarrão de arroz, legumes e tofu (queijo de soja), servida com brotos e manjericão roxo.
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