Aos 36 anos, Maxilene Rocha é uma mulher realizada. Master coaching, formada em técnicas de hipnose ericksoniana, atingiu suas metas, de casar e formar sua própria família. Mas, quem a vê agora, grávida, construindo seu futuro e investindo em sua própria empresa, não imagina a triste história que ela carrega. Perdeu a mãe para um câncer e o pai num assalto. O processo de superação foi longo e, hoje, ela usa sua experiência para ajudar as pessoas a alcançarem suas próprias metas.
Como surgiu a ideia de fazer Coaching?
Começou o ano passado. Estava trabalhando em uma usina a 400 km de Franca, a usina Coruripe, que fica em Iturama. Conheci essa área no ano passado. Trabalhei na área de Recursos Humanos durante dez anos, na parte de treinamento e desenvolvimento, mas eu queria voltar para casa e ficar em Franca, pois gosto muito daqui. Mas em Franca as oportunidades na área de RH estavam muito escassas. Eu conseguia vir uma vez por mês, por conta da distância, mas meu vínculo estava todo aqui, amigos e rotina. Fui trabalhar fora mas com a intenção de voltar para casa. Eu sempre pensava “vou voltar para Franca, mas vou fazer o quê? Não tinha mais meus pais e pensava como vou me manter?” Meu namorado (agora meu marido) morava em Ituverava e a relação à distância também era muito difícil. Mas eu me culpava pela minha história, sentia um vazio muito grande. Perdi minha mãe com câncer, muito nova, meu pai morreu baleado em um assalto...
O que aconteceu com a sua mãe?
Eu perdi minha mãe muito nova. Eu tinha 20 anos, hoje eu tenho 36. Ela teve câncer, ficou tratando durante 11 anos e acabou falecendo.
E com seu pai?
Cinco anos após a morte da minha mãe, perdi meu pai baleado em um assalto em Passos (MG). Minha família é de Itaú de Minas (MG), mas meu pai trabalhava em Passos. Ele era frentista de um posto de combustíveis. E, enfim… Até o ano passado eu ficava me culpando, por quê comigo e não com os outros? E eu não entendia.
Por que você veio para Franca?
Eu vim a trabalho. A empresa que eu trabalhava é de Itaú de Minas e foi transferida para Franca. Eu trabalhei na parte administrativa e financeira de uma empresa que prestava serviços para a Sabesp. Quando ela se transferiu para Franca e eu vim junto. Na época eu havia acabado de perder minha mãe e vim pra ficar cerca de um mês. Somente para organizar e voltar, pois tinha que cuidar do meu irmão mais novo. Quando cheguei aqui, as primeiras semanas foram difíceis, mas, acabei me adaptando. Me formei em economia na UniFacef e acabei indo trabalhar na área financeira da empresa, onde atuei por seis anos. Mas parecia que não era aquilo que eu queria. Depois, fui para a área de Recursos Humanos e fiz a gestão da empresa. Cheguei a um momento eu pensei que precisava “crescer” ir para novos ares. Foi onde comecei a trabalhar em usinas. Fui para Estreito na usina de Furnas. Prestei serviços de treinamento e desenvolvimento. Depois fui para Buritizal na usina de lá e, por último, na usina de Iturama.
Essas empresas em que você trabalhou sempre tiveram muitos funcionários?
Muitos, a última têm cerca de 10 mil funcionários. Na cidade de Iturama, nós fazíamos treinamentos com todos os líderes. Ensinando como dar um feedback, por exemplo. O feedback é algo importante nas empresas, pois se for feito de qualquer jeito o funcionário não vai saber entender e vai sair frustrado. Muitas pessoas me perguntavam o porquê dessa área, já que eu era formada em economia. Eu sempre gostei dessa parte, porém parecia que me faltava alguma coisa.
Você trabalhou muito com a área de desenvolvimento humano. Como foi seu primeiro contato com o coaching?
Sempre fui encantada com a área de gestão de pessoas, mas faltava alguma coisa. Eu sempre achava que o peso era por conta do meu passado pessoal. Um dia que fui em um evento na empresa e o palestrante pediu para que nós escrevêssemos 30 metas. Eu estava sentada lá no fundo, fiquei quieta e não conseguia escrever. Em dado momento, o palestrante pediu para que as pessoas que não conseguiam escrever, fechassem os olhos e se permitissem sentir. Ele disse para imaginarmos que estávamos em um hospital, com um laudo médico dizendo que teríamos apenas seis meses de vida. Então ele pediu para que abríssemos os olhos e tentássemos escrever de novo. Foi onde eu consegui colocar várias coisas. Tinha como meta voltar para minha cidade, ficar com a minha família, etc. E, na última meta, escrevi que queria ser como o palestrante. Gostaria de estar na frente das pessoas falando como ele. Ao final da palestra, conversei com ele que me indicou o IBC (Instituto Brasileiro de Coaching). Foi então que decidi.
Como foi sua formação na área?
Abriram uma turma, inclusive aqui em Franca, durante as minhas férias e resolvi fazer. Dois módulos, em oito dias. Quando fiz, me surpreendi. Não sabia como era. Pensei que sairia de lá com planejamentos, etc. Mas não foi nada disso. Foi muito no “sentir” mesmo, na emoção. Para mim, ali foi um momento de cura. Trabalhei aquele buraco, que eu não entendia, que era minha história.
Em linhas gerais, o que é coaching?
O coaching faz você sair do estado em que você está hoje e ir para o estado que você quer chegar. No meu caso, queria curar aquelas feridas que eu tinha, queria entender que eu perdi os meus pais, mas que isso hoje é a minha história… que eu poderia ajudar as pessoas. Às vezes alguém chega para mim, reclamando que não suporta a mãe e eu tenho a referência de saber como eu gostaria de ter minha mãe presente para um simples abraço. A minha história hoje ajuda no meu trabalho, é a minha bagagem. Então, o coaching é isso. Ele ajuda você a alcançar coisas que talvez não conseguisse sozinho. Ele não dá respostas, faz perguntas poderosas para você refletir e encontrar as respostas. Normalmente, em uma sessão, quando as pessoas são questionadas, percebem que nunca pararam para refletir sobre alguns aspectos das suas vidas. É claro que, com a correria do dia-a-dia, a gente realmente não para para pensar, só apaga incêndios. E no coaching, você para pra pensar em você, para pra investir em você, para realmente buscar realmente as respostas que você precisa.
Como funciona? É um trabalho individual? Ou é preciso estar em grupo, empresa, etc?
Existem na verdade, vários tipos de coaching profissional. Profissional de emagrecimento, de saúde, de relacionamento, sexóloga, etc. Quando você faz a formação em coaching, você escolhe o nicho que quer seguir. No meu caso, como eu já tenho a bagagem de empresas, o meu foco é liderança. Eu trabalho com coaching empresarial. Trabalho com gestores, líderes, colaboradores, equipes e atendo também o life coaching, que é o individual. No meu caso, além do coaching, eu também tenho formação em hipnose ericksoniana.
Qual a diferença de fazer o life coaching e ir para o psicólogo?
A maioria das pessoas me perguntam se o coaching é terapia. Não. O psicólogo vai tratar os seus traumas em um processo mais demorado. Se você chegar em uma psicóloga, em três meses você não vai conseguir tratar um trauma. Eu, por exemplo, tratei com psicóloga por três anos. Já com o coaching, você consegue atingir, em três meses, um resultado que você estiver buscando. O coaching não vai tratar seu trauma, mas vai ajudar a acelerar os seus resultados. Em três meses, muitas vezes, você consegue atingir o que você está buscando.
Por exemplo?
Eu já atendi uma pessoa de 60 anos que queria tirar habilitação e não conseguia. Já tinha sido reprovada cinco vezes e não queria mais tentar. No processo de coaching a gente define metas. Três metas, porque existem várias, mas precisamos priorizar. No caso dela, quais eram: tirar a habilitação, comprar o carro e, por último, viajar. Ela tinha dinheiro no banco para comprar o carro, mas não comprava, já que não tinha a habilitação. Conversando, falei com ela “talvez, comprar o carro seja o gatilho que você precisa para tirar a habilitação. Afinal, com o carro na garagem você vai buscar.” Ela foi e comprou o carro. Um carro preto, lindinho. Começamos o processo e, chegou no dia, ela estava pronta. Foi o que aconteceu. É uma forma de apoderar a pessoa. As pessoas saem da sessão querendo “quebrar tudo” e aí não tem o que a segure.
E como entrou a hipnose nessa história?
Na hipnose você tem dois lados a serem seguidos. O executivo, que é focado em empresas e a questão da hipnose. Eu ainda quero fazer o empresarial, mas eu optei por seguir a hipnose tradicional por curiosidade. A hipnose tradicional tem um comando que na maioria das vezes o profissional faz a condução. A hipnose ericksoniana é um pouco diferente. É uma das ferramentas mais poderosas do coaching. Além de fazer você enxergar o que você precisa, faz você sentir. É diferente de quando você pega algo pra ler, por exemplo, de quando você sente.
Como assim?
De olhos abertos, a gente vê o que está na nossa frente, mas de olhos fechados nós vemos infinitamente. A hipnose ericksoniana é muito sugestiva, usamos muitas metáforas e histórias. Ela coloca a pessoa no estado de transe hipnótico. Através do inconsciente dela mesmo, a pessoa busca respostas para organizar os conflitos que ela tem internamente. A responsabilidade de organizar os conflitos vai da própria pessoa. O profissional vai somente colocá-la em transe, orientá-la e observar as reações. Nó usamos muito do respeito, pois a pessoa vai abaixar sua consciência e entrar em um estado de vulnerabilidade. Vai abaixar a sua frequência e começar a acessar o seu inconsciente. É como se eu estivesse contando a sua história em um telão. Como se fosse em um cinema. Você está assistindo a um filme sobre a sua vida. Quando você começa a enxergar dessa maneira, vendo de fora, você passa buscar e achar as respostas que você precisa.
Mas você disse que não é uma questão de trabalhar trauma?
Eu prefiro não falar que tratamos de traumas para não entrar em conflito com a psicologia. Existiu um momento em que houve esse conflito. Muitas pessoas diziam que agora os coachs iram tirar o papel do psicólogo e a gente não quer isso. Tanto que no meu espaço eu tenho uma psicóloga. Se chega uma pessoa desestruturada, ela não tem nenhuma condição de fazer coaching. Pois o coaching vai empoderar a pessoa para fazer acontecer. Então eu encaminho ela para o psicólogo primeiro e, quando estiver bem psicologicamente, nós entramos com o coaching.
Quais os benefícios da hipnose ericksoniana?
Trabalhar uma ansiedade, medo, frustração e até algum grau de depressão.
A hipnose não é paralela ao processo de coaching?
Se fosse só o coaching profissional, eu faria só o processo de perguntas poderosas, definia metas, ela iria para casa com sete dias para colocar em prática e voltaria. Usando a hipnose ericksoniana eu consigo fazer com que as minhas sessões se fortaleçam. Por exemplo, eu uso ferramentas em treinamentos que são da hipnose. Fizemos um treinamento no final de 2018 muito interessante. Muitas vezes a pessoa queria sair daqui com gráficos, mas fizemos uma retrospectiva no inconsciente do ano. O que foi bom, o que foi ruim. Depois, trabalhos o que as pessoas queriam para 2019. A pergunta é “O que você quer que aconteça diferente esse ano?” Mesmo que a pessoa tenha passado pela perda de um ente querido, ela precisa refletir sobre o que fazer com o que sobrou. Vai ficar chorando o leite derramado? De que vai adiantar? Você tem que aceitar e seguir em frente. É um empoderamento muito forte para que a pessoa saia daqui com tudo muito mais claro.
Vivemos um período de muitas crises emocionais. Depressão, aumento do suicídio…
O que eu costumo dizer? Acredito que as pessoas estão se perdendo. Elas não conseguem se voltar para elas mesmo. Estão preocupadas em agradar o outro. Se é na empresa, quer agradar o chefe e esquece que do lado de fora tem família, vida pessoal. Quando é relacionamento, muitas vezes a pessoa vive por conta daquele outro. Esquecendo que o futuro é muito imprevisível. Eu costumo dizer que hoje você tem até a meia noite para fazer alguma coisa diferente. Quer alcançar alguma meta? Fazendo sempre as mesmas coisas, você não vai conseguir nada diferente. Pode até ser que consiga, mas num processo muito mais lento. Além disso, as pessoas estão muito preocupadas em mudar o outro. “Se meu chefe não fosse assim, se meu marido mudasse”. Assim, você vai gastar toda a sua energia e não vai conseguir. A única coisa que temos o poder é de mudar o nosso comportamento. Quando você muda o comportamento, começa a refletir nas pessoas à sua volta.
Tem alguma técnica para isso?
Um lição que ensino nos treinamentos é para quando você estiver em meio a uma discussão fervorosa, precisa fazer uma pausa de 90 segundos. O impulso é continuar, mas nosso cérebro precisa de uma pausa. É o momento de escolher entre ser feliz e ter razão. Se você quer estar em paz, em plenitude, não precisa concordar. Você simplesmente faz uma pausa. Saia fora da situação, do foco. Depois dos 90 segundos fora da situação, você não voltará da mesma maneira e o resultado da discussão vai ser muito melhor.
Como conseguir cumprir as metas, sair de uma situação em que a pessoa não está feliz?
É muito comum, na correria, a gente se perder em milhares de pensamentos. Fica fácil se perder e não ter foco, concentração. Uma forma de conseguir tudo isso é organização pessoal, definir metas para o dia a dia. Começar o dia com alguma gestão do tempo. Fica muito mais fácil ter uma organização pessoal.
E para quem tem uma rotina mais caótica?
É uma ordenação mental. Ver qual o sentimento está boicotando a gente, ter disciplina, definir as metas e organizar o tempo. É priorizar o que realmente é importante.
Neste começo do ano, muitas pessoas pensam em perder peso, por exemplo. Mas por que são poucas as que conseguem?
Porque ela prefere recomeçar do que ir até o fim. Por que algumas pessoas conseguem ter sucesso? Porque elas vão até o fim. Eu digo o seguinte: está cansado de recomeçar? Para de desistir. Vá até o fim. Se é o que você quer, vai depender só de você.
Você alcançou as suas metas?
Minha meta para 2018 era formar a família, já que a minha é muito pequena. Fechei 2018 grávida e casada, me casei em dezembro. Eram minhas metas. Isso era prioridade para mim. Hoje me sinto plena, feliz, realizada.
O que você diria para quem, no começo de 2019, ainda não sabe por onde começar a atingir as suas próprias metas?
Todo mundo quer alguma coisa. É preciso priorizar. Eu prefiro o feito que o perfeito. Prefiro ir plantando um pouquinho de cada vez do que nada. Defina três metas que sejam prioridade para 2019. Trocar o carro, casar, subir de cargo, por exemplo. Defina qual você quer primeiro e detalhe ao máximo que você quiser. Quer trocar o carro? Quando, qual carro, o que você precisa de recursos para trocar o carro? Precisa definir os passos que vai fazer para atingir a meta. Se ficar muito aberto, sem um plano de ação, vai chegar dezembro você não vai ter trocado o carro. Primeiro passo é querer, depois desmembrar para que a meta seja alcançável. Depois que atingir as três primeiras, defina mais três. Uma passo de cada vez é melhor que acordar querendo fazer tudo hoje e aí não acontece.
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