'Menino veste azul e menina veste rosa', diz ministra


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'Menino veste azul e menina veste rosa', diz ministra Damares Alves
'Menino veste azul e menina veste rosa', diz ministra Damares Alves

Em nova declaração de repercussão, a pastora evangélica Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, aparece em vídeo em que pede atenção, diz que é uma "nova era no Brasil" e que "menino veste azul e menina veste rosa".

Ela repete a frase em coro com alguns apoiadores que estavam perto dela e é aplaudida pelo grupo.

Na quarta (2), em auditório lotado por ativistas que gritavam "aleluia" e "glória a Deus", Damares tomou posse e fez um discurso emocionado em que disse que não haverá mais "doutrinação ideológica" de crianças e adolescentes, que "menina será princesa e menino será príncipe" e criticou setores da imprensa, sem especificá-los.

"Um dos desafios é acabar com o abuso da doutrinação ideológica. Acabou a doutrinação ideológica de crianças e adolescentes no Brasil", afirmou ao falar da defesa de jovens.

A nova ministra, reconhecida por sua religiosidade, exaltou durante sua posse mais de uma vez sua fé. "O Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã e, por ser cristã, acredito nos desígnios de Deus", afirmou. E chamou a pasta de "mais extraordinário e lindo ministério".

Damares também tocou em outro ponto polêmico, durante a posse, que foi levantado desde a sua nomeação. Ao comentar o abuso que sofreu na infância e a passagem em que diz ter visto Jesus ao subir numa goiabeira, criticou a imprensa.

Reclamou de "alguns jornalistas" várias vezes ao longo do discurso. "Houve alguns ruídos. Na verdade tudo que essa ministra fala vira ruído no Brasil e até o que é escrito sobre a ministra também vira ruído".

"Minha história não foi respeitada por muitos meios de comunicação", afirmou. "Minha crença virou chacota e também motivo de risadas. Tive minha história compartilhada com escárnio." E completou, sendo aplaudida de pé: "Tenho meu consolador e, queiram vocês ou não, ele sobe em pé de goiaba".

Em entrevista ao UOL, no mês de dezembro, disse que é a favor da educação sexual nas escolas, que poderia tê-la protegido da violência sexual que sofreu, mas falhou. E que vai conversar com o Ministério da Educação sobre isso.

A posição vai de encontro ao que disse o presidente Jair Bolsonaro (PSL) um mês antes: "Quem ensina sexo é papai e mamãe e ponto final".

"A escola vai ter que ter um papel importante para combater abusos contra crianças. A primeira ideia é capacitar professores para identificar violências contra os alunos, mas é preciso respeitar as especificidades de cada idade. E a família deve ser ouvida e consultada. Se a família não quiser que o filho aprenda sobre o assunto, vai ser responsabilizada por isso", declarou.

Questionada se não seria perigoso deixar a decisão na mão da família, respondeu: "A escola tem o caminho para saber se a família é um lugar de proteção. Teria de ser analisado, mas, repito, a família tem que ser ouvida e consultada".


 

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