Uma brincadeira por pouco não terminou em tragédia na tarde da última quarta-feira, 2, em Franca. A vendedora Daiana Ferreira, de 33 anos, foi atingida por uma linha com cerol enquanto voltava do trabalho em sua moto, uma Honda Biz.
Em conversa com a irmã da vítima, Daniela Ferreira, ela contou que Daiana transitava pela avenida José da Silva, no Jardim Guanabara, por volta das 17h30. Ela teria reduzido a velocidade antes de ser atingida por um pedaço de linha com cerol. “Minha irmã estava vindo pela avenida quando viu o sinal fechado e reduziu a velocidade. Ela sentiu algo no pescoço e puxou. Foi quando percebeu que era uma linha com cerol. Ela tirou o capacete, jogou a moto para o chão e pediu ajuda”, disse Daniela.
Daiana foi socorrida por uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) com um corte profundo no pescoço e encaminhada para a Santa Casa.
A vítima passou por cirurgia na tarde de ontem e segue internada na clínica cirúrgica do hospital. Seu estado é estável.
“Ela está consciente, passou cirurgia ontem e agora segue as recomendações médicas. O médico disse que ela nasceu de novo. O corte foi profundo, pegou alguns nervos, mas não chegou a pegar nenhuma artéria”, disse a irmã.
Segundo a família, o que pode ter evitado a fatalidade foi o momento em que Daiana reduziu a velocidade ao ver o semáforo fechado. “Se o sinal estivesse aberto, ela não teria reduzido a velocidade, teria passado direto e com certeza seria mais grave”, finalizou Daniela.
O dono da linha não foi encontrado pela polícia.
O tenente Régis Antônio Mendes, comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, disse que existe uma legislação para esses casos, mas que ainda não está regulamentada. “Existe uma legislação estadual para a situação da linha com cerol. Porém ela não foi regulamentada. Fica difícil punir esse tipo de ação. Então, a princípio, fica mais a consciência das pessoas”, disse ele. “Infelizmente nesses casos, a grande maioria dos envolvidos é de adolescentes e crianças e então fica também a dica para os pais de orientarem. A partir do momento em que a criança ou o adolescente provoca dano ou lesão corporal, aí sim, é imputado responsabilidade ao adolescente ou aos pais, caso seja menor de idade. Nessa época, devido as férias, culturalmente é muito comum essa prática de soltar pipa. A principal recomendação é que não se use linhas cortantes. Também se deve procurar locais abertos e não praticar em avenidas próximo a fiações elétricas”, disse a autoridade.
Segundo ele, quem presenciar pessoas soltando pipa usando linhas com cerol, pode denunciar para a polícia. “Se houver a certeza do uso desse tipo de material, pode acionar a Polícia Militar, para fazer no mínimo essa orientação. Informando aos pais que, às vezes, nem sabem desse tipo de prática por parte do filho”, finalizou.
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