Indústria calçadista de Franca perde 11 mil vagas em 5 anos


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Em apenas 5 anos, indústria calçadista eliminou mais de 11 mil vagas formais de emprego
Em apenas 5 anos, indústria calçadista eliminou mais de 11 mil vagas formais de emprego

A indústria calçadista de Franca perdeu mais de 11,3 mil vagas de empregos ao longo dos últimos cinco anos. Os dados são do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) com base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, e apontam que em outubro de 2013, quando a cidade atingiu sua maior produtividade, 30.381 pessoas tinham carteira assinada no setor. Em outubro deste ano, os trabalhadores somavam 19.071; 11.310 a menos, uma queda de 37%.

“Acredito que dificilmente recuperaremos estas vagas, mesmo a longo prazo. Tudo por conta da economia que vem estagnada desde o ano passado, com o consumo em baixa das famílias. Esperamos agora as ações dos futuros governos, estadual e federal, das estratégias a serem adotadas para a recuperação rápida da economia”, disse o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto.

Quando analisado o saldo de empregos no setor no acumulado deste ano, entre janeiro e outubro, comparado com o mesmo período em 2017, a queda é de 51,38%. Enquanto em 2017 o saldo era de 4.095, neste ano o número não chega a 2 mil. Na medida em que os trabalhadores diminuíram, caiu também a produção de calçados na cidade: em 2013 foram 39,5 milhões de pares produzidos, neste ano a expectativa é que a produção feche em 27,5 milhões.

Para Brigagão do Couto, reformas são necessárias para ajudar na recuperação da economia e, consequentemente, aumentar a geração de empregos. “É preciso focar nas reformas, especialmente na tributária e na da previdência, criar políticas de estimulo às exportações e combater a guerra fiscal, para que as empresas voltem a crescer e daí gerar empregos. Sem as reformas, temo que a situação não mude, ou até piore, se nada for feito pela indústria”, disse ele, que completou afirmando estar confiante nos novos governantes.

O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo, acredita que a reforma trabalhista e a terceirização contribuíram para a queda no número de vagas formais na indústria calçadista. Antes disso, segundo ele, a evasão de fábricas de Franca, a modernização, a informalidade e também a precariedade da categoria - que tem como salário base R$ 1.148 - são os motivadores na queda de carteiras assinadas.

“Estamos falando de mais de 11 mil vagas em um setor que ainda é considerado o principal na nossa cidade. O que eu vejo são muitos sendo demitidos e contratados através da terceirização, com contratos temporários e a precariedade do trabalho e dos direitos dos trabalhadores aumentando”, disse Sebastião Ronaldo. “Quando falamos de cinco anos, vemos que apenas neste ano a produção calçadista na cidade caiu, o que não justifica então essa queda drástica no número de trabalhadores atuando”, completou.

Com ampla experiência na direção do Sindicato dos Sapateiros e na luta pelos direitos dos trabalhadores, Sebastião Ronaldo é receoso quando o assunto é o futuro da indústria calçadista a partir de 2019. Para ele, os empregadores mudarão o formato de contratação utilizando as novas regras da reforma trabalhista o que, avalia, resultará em ainda menos vagas formais no setor. “Não tivemos um ano bom, especialmente no segundo semestre, e temo sobre o que poderá acontecer em 2019”, finalizou. 

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