Mato alto. Paredes com pintura descascando. Galpões, barracões, prédios e terrenos - grande parte deles ocupados antes por fábricas ou empresas de componentes para calçados - com placas de “aluga-se” e “vende-se”. Este é o cenário que toma conta do Distrito Industrial de Franca. Muitos espaços desocupados e fábricas fechadas em uma área de aproximadamente dois milhões de metros quadrados inteiramente urbanizados, projetados para atender a maior parte do potencial industrial de Franca. A região, assim como os jardins Paulistano e Brasilândia, sente a crise vivida pela indústria calçadista da cidade, que perdeu mais de 30,5% da sua produção.
Em uma breve passagem pelo Distrito Industrial a reportagem do Comércio encontrou diversos locais vazios e esperando ocupação. Nas avenidas Alberto Pulicano, Higino Furini, José Pimenta Sobrinho haviam opções para alugar ou comprar, assim como nas ruas Ézio Pucci, Olívio Fenath, Durvalino Peliciari, Júlio Húngaro e Geraldo Garcia Nascimento. Apenas em um quarteirão da avenida Tristão Dalmeida eram três prédios disponíveis para locação.
Apesar da situação que remete ao abandono do Distrito Industrial, os representantes de imobiliárias francanas apontam uma melhora na procura por locações na região nos dois últimos meses e projetam para 2019 um ano de crescimento. “Temos algumas opções de galpões e barracões na região do Distrito Industrial para locação. O ano de 2018 começou mais calmo, estava mais difícil para recolocar os espaços, mas notamos uma melhora considerável de outubro pra cá com aumento nas propostas e visitas nestes locais”, disse Larissa Marim dos Santos Silva, auxiliar de escritório da imobiliária AA Costa. Ela disse que o tempo médio para uma nova ocupação gira em torno de 3 a 5 meses. “Mas cada prédio tem suas particularidades e o tempo pode variar. Por exemplo, tenho um espaço que está desocupado desde março, mas em contrapartida temos aqueles que desocuparam e imediatamente já são alugados”, completou.
De acordo com Alexandre Agnello, da imobiliária A Agnello, de forma geral o mercado está mais confiante e os investidores têm demonstrado interesse em voltar a investir, o que provocou um crescimento de 20% na procura por imóveis no Distrito Industrial neste final de ano. “A desocupação que vemos hoje é reflexo dos últimos 5 anos de crise. Nas últimas semanas, sentimos a confiança dos investidores voltando e um incremento de cerca de 20% nas ocupações. Para 2019 a expectativa é que siga na casa dos 20% e 25% na realocação dos imóveis. Hoje o tempo médio para recolocar um imóvel no mercado é de seis meses”, finalizou.
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