“Este é o sustento da minha família, a partir do dia 25, com a decisão de que teremos que deixar a praça, não sei o que vamos fazer. Queremos apenas o nosso direito de trabalhar. Quem mora aqui, não consegue. Falta emprego e quem quer ganhar seu dinheiro honestamente encontra dificuldades. Não temos outro ganha pão e realmente não sei o que será de nós.”
O relato acima é da sapateira desempregada Danieli de Morais Fernandes Assis, de 22 anos, moradora da Vila São Sebastião. Mãe de três filhos, a jovem passou a trabalhar com o avô Valdivino Fernandes, que há 45 anos é ambulante em Franca, na venda de frutas e verduras em uma barraca montada na Praça Barão. A partir do dia 24 de dezembro ela, o avô e todos os ambulantes que hoje atuam em Franca terão que deixar as ruas da cidade por determinação do Ministério Público, que cobra uma regulamentação da categoria.
Em Franca há mais de 3 anos, o ambulante Aldemis Santos, de 29 anos, vende seus artesanatos com origem da Paraíba (PB) nas praças da cidade. Para ele, a determinação de que deixe de vender, assim como para seus amigos, será uma “catástrofe”. “É minha única fonte de renda, é com o que trabalho há mais de 5 anos e em mais da metade deles aqui em Franca. Temos que trabalhar, queremos fazer isso honestamente. Tenho nota fiscal de todas as minhas mercadorias, a gente sofre, trabalha no sol, no calor, tudo dignamente. É muito melhor que roubar e querem nos tirar isso”, desabafou.
Responsável por sustentar toda a família - formada por ele, a mulher e quatro filhos - com a renda que ganha vendendo brinquedos diversos em uma barraquinha montada na Praça Barão, o ambulante Osmilton Fernandes Santos, de 48 anos, está no ramo há dez anos. “Trabalhamos para sustentar nossas famílias, todos os dias batalhando e sem incomodar ninguém. É complicado o MPdeterminar a nossa saída, pois estamos aqui trabalhando honestamente. Concordamos que é necessário regularizar, mas sairmos na véspera de Natal e sem saber ao certo o prazo nos fará viver uma situação bem complicada, não sei como farei para sustentar a minha família. Querem nos tirar, porém não nos oferecem outra forma de trabalhar”, disse.
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