Sonho de pegar filhos move jovem em busca de prótese


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Kennia Batista com o filho João Gabriel
Kennia Batista com o filho João Gabriel
Qual o sonho da sua vida? O da Kennia Batista é andar com os filhos no colo. Parece um gesto simples, mas não para quem está há oito anos tentando equilibrar a vida após um grave acidente de trânsito ocorrido em setembro de 2010. A jovem, na época com 22 anos, saiu de São Sebastião do Paraíso pilotando sua moto rumo a Franca quando teve a viagem interrompida em uma colisão frontal. "Ao fazer uma curva perdi o controle da moto e bati de frente com um carro que vinha em direção contrária". Com o impacto, Kennia teve múltiplas fraturas e perdeu parte da perna direita. 
 
Kennia ficou internada por vários dias em um hospital de São Sebastião longe da família. Na ocasião, o namorado e a sogra revezavam o período de acompanhamento. "A amputação ocorreu já no acidente e não foi possível o reimplante do membro. Tive fraturas expostas na mesma perna e fraturei o braço. Poucos dias após o acidente, todos os pontos da cirurgia abriram. Minha perna ficou toda aberta. Eu consegui alta no hospital de tanto implorar para o médico. Precisava estar perto da minha mãe". 
 
Pelo caminho ficou ainda o desejo de cursar a faculdade de Educação Física e o futuro, ainda incerto, era compensado pela gratidão de estar viva. "Naquele dia era pra eu ter morrido e Deus me deu a oportunidade de viver novamente e ver a vida por outro ângulo. Quando eu cursava Educação Física meu sonho era trabalhar com pessoas deficientes. Eu tive a oportunidade de ficar do outro lado. Todos os dias nós temos uma luta diária. De enfrentar muitas vezes o preconceito, falta de educação e compaixão com o próximo. Antes eu via os deficientes como frágeis. Hoje eu sei como todos somos fortes". 
 
De volta a Franca, Kennia ficou sob os cuidados de uma enfermeira voluntária que junto com a sua mãe, a pensionista Carlota Medeiros, de 50 anos, ajudava nos curativos e nos cuidados de higiene pessoal. Depois de um ano de tratamento, ela foi liberada a usar uma prótese que custou R$ 6 mil. Ela não se adaptou. Sentia muitas dores. O médico resolveu examinar o local e descobriu uma infecção no osso. "Após esse episódio começou uma saga de várias cirurgias. Tive que tirar a parte do osso que estava afetada, diminuindo meu 'coto' e eu perdi a prótese que tinha. Tomei antibióticos fortíssimos e caríssimos que até hoje tenho que pagar. Depois ainda tive que tirar o joelho e fazer correção. Foram oito cirurgias". 
 
Mesmo diante de tantas provações e dificuldades para enfrentar, Kennia nunca perdeu os sonhos, a fé e nem a esperança de dias melhores. Constituir uma família estava entre eles. "Em junho de 2015 eu tive meu primeiro filho e comecei a formar uma família com o Adalberto de Oliveira Junior, que também me ajudou muito em todo tempo. O João Gabriel Batista de Oliveira (hoje com 3 anos) foi a maior bênção da minha vida. É ele que me dá forças para continuar a luta todos os dias. É a razão do meu viver!". Kennia será mãe pela segunda vez. A jovem está à espera de Maria Helena. A previsão que é o bebê nasça em janeiro do próximo ano. 
 
Kennia achava que seria impossível ela se tornar a mulher que é hoje diante do obstáculo que o destino cravou. Ela conquistou uma bolsa de estudos integral do Prouni e em 2019 ingressa no último ano de Medicina Veterinária. "Eu sou estudante em período integral, eu participo de todas as aulas práticas do curso em fazendas, no hospital veterinário, no centro cirúrgico. Sou mãe o tempo todo. João Gabriel fica na creche durante o dia e a hora que ele chega sou eu que tenho todos os cuidados com ele. Eu cuido da minha casa. Vou e volto da faculdade de ônibus e muito mais". 
 
Depois de oito anos usando muletas, a jovem está adaptada, no entanto, fica limitada a algumas atividades. "Por exemplo, meu filho me pede para carrega-lo no colo e até hoje não consegui isso e é meu maior sonho. E agora ainda mais, pois vem mais uma bebezinha para eu cuidar. A prótese me daria essa liberdade, me ajudaria a desempenhar todas as funções da profissão que vou me formar ano que vem!". 
 
A universitária, hoje com 30 anos, iniciou campanhas com o apoio de amigos e familiares para tentar conseguir a nova prótese que custa R$ 35 mil. Com as ações, que levam o tema "Hello Perninha", Kennia arrecadou mais da metade do valor e agora faltam outros R$ 10 mil.
 
Neste domingo, dia 16, haverá sessão de tatuagens, a R$ 50, com o tatuador Douglas Santos, na rua João Antônio Silva, 629, Aeroporto 1. Dia 26 de janeiro, no mesmo endereço, será a entrega de pizzas. São oferecidos quatro sabores a R$ 25 cada.
 
Para saber dos próximos eventos para ajudar Kennia, fique atento a página dela no Facebook https://www.facebook.com/helloperninha/ . A deficiência não impede ninguém de fazer nada. Quando a gente se aceita,  a superação é automática".

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