Mais uma vez a falta de medicamentos de alto custo fornecidos pelo Governo do Estado de São Paulo tem atormentado pacientes que fazem tratamento contra a diabetes em Franca. Na grande maioria utilizados por pessoas que não têm condições de pagar pelos produtos, há casos de medicamentos que estão em falta desde outubro.
Auxiliar de lavanderia aposentada, Marilza Costa Guiraldeli, de 44 anos, afirma não ter condições de custear o pagamento do tratamento da filha Isadora Guiraldeli, de 17 anos, que desde os 2 anos de idade toma diariamente insulina. No total, segundo a mãe, são 36 unidades por dia. Pagando aluguel em uma casa no Jardim Barão, Marilza teme pela saúde da jovem sem o medicamento. “Estamos falando de saúde, de uma necessidade mesmo da minha filha, algo que mantém ela com condições dignas para se alimentar corretamente e ter qualidade de vida”, disse.
“Não temos como comprar o medicamento, que está atrasado há algum tempo. O fornecimento é compartilhado, um mês realizado por parte da Prefeitura e outro pelo Estado. Com o atraso do mês passado conseguimos adiantar com a Secretaria de Saúde, mas agora não temos mais alternativa e não tenho como pagar o medicamento”, completou Marilza.
“Essa situação vem se arrastando há algum tempo e sofremos durante todo o ano com atrasos e a falta da insulina. Temos um grupo de mães em que umas ajudam as outras, mas realmente chegamos em uma situação crítica. Quando vamos até a farmácia para pegar o medicamento, só avisam que não tem, porém sem nenhuma previsão de quando chega”, explicou Flávia Bosco da Silva, mãe do adolescente João Victor Bosco da Silva, de 14 anos, e que há mais de 6 anos necessita da medicação.
Esta não é a primeira vez que a mãe do menino Vinícius, 11, que realiza tratamento contra a Diabetes tipo 1, a manicure Rosemeire Chimelo Centeno, 47, relata a falta de insulina, catéteres e reservatórios utilizados para o tratamento da criança, todos com responsabilidade de distribuição da Secretaria Estadual de Saúde. No início do ano, ela já havia procurado o Comércio da Franca após quatro meses de atrasos na entrega de medicamentos por parte do Governo do Estado.
“Vivemos sempre com o mesmo problema. Se tem em um mês não é certeza que no seguinte conseguiremos os medicamentos e insumos para os diabéticos. Temos um grupo com cerca de 50 mães com filhos em tratamento e todas relatam a mesma situação. Não estamos falando de nada absurdo, mas de medicamentos que garantem condições para que nossos filhos tenham vidas normais. É muito atraso e também a falta de respostas de se e quando isso se resolverá”, disse Rosemeire cujo o filho utiliza os medicamentos desde os 4 anos de idade.
Outro lado
Procurada a Secretaria de Saúde do Estado, responsável pela distribuição dos medicamentos através do DRS (Departamento Regional de Saúde), informou através de nota que “os três pacientes estão em atendimento pela unidade, que mantém contato com os responsáveis para agendamento das entregas de insulinas e insumos, comunicando-os sempre que ocorre o reabastecimento por parte das empresas fornecedoras. Eles serão comunicados tão logo ocorra a entrega”, porém sem fornecer qualquer prazo para quando a situação seja normalizada.
Os responsáveis informaram ainda que “alguns fatores alheios ao planejamento podem prejudicar a agilidade no processo (de distribuição), como o atraso por parte do fornecedor; os pregões ‘vazios‘ (quando nenhuma empresa oferta o medicamento); ou até os pregões ‘fracassados‘ (quando as empresas estabelecem preços acima da média de mercado, o que inviabiliza legalmente a aquisição)”.
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