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Às vezes, um sonho cai/Da barca, dentro do mar/Sem destino, o sonho vai,/Perdido, sem naufragar.Poesia mínima, de Helena Kolody


Há um sonho embutido no jornalista: o de reportar o que se passa aqui e acolá. O de abrir ouvidos ouvintes onde há ouvidos moucos. O de movimentar mortos-vivos para que acordem de pesadelos e ajam. O de denunciar o “invisível” (às vezes diante do nariz, concretamente) para os incautos que veem mal, que se esquivam de ver, para os que negam veementemente que o tal “invisível” denunciado existe. Mas há o que medra no pântano escuro dos homens de má fé; que ilude e deforma e manipula os de boa fé.

Sem destino, um sonho continua: NUNCA morre. Devemos lutar pelo sonho daqueles que se dedicam a ser mensageiros. Há uma fábula em que o rei, irritado com as más notícias dadas pelo mensageiro, corta-lhe a cabeça. É a confusa e insana atitude de quem não se atreve a conhecer as coisas como elas são e teima, onipotentemente, a fazer valer apenas o que lhe convém. O jornalista é aquele que mostra o rei nu.

Ao ver jornais à deriva, os sonhos dos jornalistas caírem ao mar, devemos todos lançar salva-vidas para que os sonhos, mesmo perdidos, boiem, sem naufragar. Principalmente, ter fé nos sonhos que necessitamos como água, como alimento, sabendo que dependem de sonhadores que os tornam visíveis.

Sonhos partilhados, da humanidade. E a humanidade precisa continuar: continuemos. Atentos e fortes. Porque o rei – estonteado pelo poder e ganância – eventualmente está nu para quem tem olhos de ver, e ouvidos de ouvir. E em um reino há um só Rei e os amigos do Rei (que perigo!).

Os sonhos a todos pertencem: vamos ressoar os sinos da boa vontade.
 

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