Nossa Diva Patrícia revela mais detalhes da sua vida


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PATRÍCIA PIZZO: Há 60 anos narrando a alegria, empreendedorismo, vida social e novidades dos francanos, Patrícia é um ‘patrimônio’ de nossa cidade - FOTO: STUDIO ANDRANDE
PATRÍCIA PIZZO: Há 60 anos narrando a alegria, empreendedorismo, vida social e novidades dos francanos, Patrícia é um ‘patrimônio’ de nossa cidade - FOTO: STUDIO ANDRANDE

 “Quero, quero ser chamada de querida Quero, quero esquecer o dissabor Sonho, sonho com as venturas desta vida Sonho, sonho com as delícias do amor Falam que eu sou bela Patrícia Sempre a despertar loucas paixões...”

Há 60 anos, o início de uma nova era marcava a vida de Sonia Menezes Pizzo. A jovem então com 27 anos, aceitou o convite de Alfredo Henrique Costa, diretor do jornal Comércio da Franca, para revolucionar o colunismo social. Nascia, ali, a Patrícia. A escolha do pseudônimo veio de uma música famosa da época - Querida - da qual Sonia sempre gostara de ouvir.

Filha de um taxista e de uma dona de casa, nascida e criada em Franca, a sonhadora Sonia viveu uma infância sem luxo. Porém, cercada de amor dos pais e dos irmãos, Melaída e Arthur.

Apesar da simplicidade, sua mãe fez questão de que a filha mais velha estudasse no melhor colégio da cidade, o Colégio de Lourdes, que era frequentado por garotas da alta sociedade de Franca. Neste local, Sonia entendeu que para realizar seus sonhos teria que ser mais forte e não deixar se abater pelas dificuldades. Sofreu preconceito por ser de família humilde, mas venceu e conquistou o carinho das madres que coordenavam a instituição e, com muito estudo e determinação, formou-se professora.

“Meu maior sonho era mostrar a todos que eu era capaz. Que aquela menininha pobrezinha era capaz de comer uma torta de morango feliz no meio dos ricos”, revelou.

Ainda no colégio, conheceu o amor da sua vida, Américo Pizzo, com quem se casou e teve dois filhos, Américo Pizzo Junior e Mauro Menezes Pizzo. Os dois se conheceram na Praça “Nossa Senhora da Conceição”, onde os jovens se encontravam para flertar com as moças.

“O Américo passou por nós e piscou para a minha irmã, mas eu disse a ela que os homens que piscavam para as moças não prestavam. Na verdade, eu já estava interessada nele e queria que a Melaída desistisse dele”, relembra Sonia, com bom humor.

O desafio para o colunismo social surgiu no final da década de 50 e, com ele, Sonia sofreu mais uma vez o preconceito por ser pobre e estar em ascensão na alta sociedade. “Um dia eu parei em uma esquina para conversar com um médico. Queria convidá-lo para ir ao meu programa na rádio. E não é que saíram falando que eu estava andando com o médico? Sofri calúnia, maldade e difamação”, disse Patrícia.

Perdas e saudade

A vida para Patrícia nunca foi fácil. Ainda cedo, aprendeu a lidar com a morte. Perdeu os pais, os irmãos, o marido e os dois filhos. Após 12 anos da morte do seu “eterno amor” Américo, a guerreira francana encontrou um novo sentido para a vida ao lado de Cecílio Jorge. Devido ao Alzheimer, que o vitimou, os dois vivem hoje em casas separadas. “Eu não sei viver na solidão, mas agora eu estou novamente sozinha”, lamentou. “O meu trabalho é que me dá forças para viver”, afirmou Patrícia. “Se eu parar de trabalhar, pode ter certeza: ou eu já morri ou estou morrendo”, completou. “Perder os meus filhos foi a maior tristeza da minha vida. A minha família foi toda embora. Eu não esperava isso”. Américo Júnior foi o primeiro filho que Patrícia perdeu. “Naquele dia, eu almocei com ele sem saber que era uma despedida”, lembrou, com a voz embargada.

Cinco anos depois, outro choque. Chega a notícia sobre a morte do caçula, Mauro. Apesar do sofrimento, Patrícia não deixou se abater. Levantou, lutou e se reergueu. “Eu tenho uma pena de quem não acredita em Deus. Por que com quem vai se apegar em numa hora dessas?”, indaga. Após a morte do Mauro, um novo desafio surgiu na vida da colunista. As dívidas com impostos quebrou a empresa aberta por Patrícia e o filho.

A ajuda veio de uma pessoa muito especial, Luiza Helena Trajano, a presidente do Magazine Luiza, que organizou um jantar para arrecadar o dinheiro e quitar a dívida da amiga. Além disso, Luizinha também capacitou a neta de Patrícia, Camila, para tocar os negócios da família. Aos 87 anos, Patrícia sofre com um outro tipo de preconceito. “Muita gente acha que eu não sirvo mais para trabalhar. Eles não falam, mas eu não sou boba”, contou. “Eu me enxergo como aquela menininha do colégio que lutava, e luto até hoje. A única coisa que me gratifica é o carinho com que a gente humilde me abraça”, confessou. Uma verdadeira diva francana

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