O Rio corroído pela corrupção


| Tempo de leitura: 2 min
A prisão do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), ontem antecipa em pouco mais de um mês a retirada do poder de um grupo que dominou por mais de 20 anos o estado. Os eleitores fluminenses já haviam decidido dar uma guinada na política ao eleger o ex-juiz Wilson Wiztel (PSC) como governador em vez do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), ex-aliado de Sérgio Cabral (MDB) e que recebeu apoio envergonhado de Pezão. O ministro Félix Fischer, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), entendeu que as suspeitas sobre o atual governador não permitiam que o grupo emedebista ficasse mais 31 dias no poder.
 
As investigações apontam que o esquema de corrupção formado na década de 1990 na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) ganhou corpo no Estado com a vitória de Cabral em 2006 ao Palácio Guanabara. Cabral assumiu a presidência da Alerj em 1995, onde passou a coordenar os pagamentos de propina a deputados estaduais feitos por empresário do setor de transporte, segundo as investigações. Foi sucedido no cargo e na função ilícita pelos aliados Jorge Picciani e Paulo Melo. Os três estão presos.
Ao assumir o governo, Cabral ampliou as fontes de propina para empreiteiras e fornecedores do estado, segundo o Ministério Público Federal. As 26 denúncias contra ele descrevem o pagamento de, no total, R$ 418 milhões em propina entre 2007 e 2014 - valor que investigadores reconhecem ser subestimado. Os dados disponíveis apontam que a corrupção se espraiou pelos órgãos de controle do estado. Além do Executivo e Legislativo, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) - formado até o ano passado por ex-deputados ou seus indicados - também passou a ter a sua cota no esquema de corrupção. Cinco dos seis membros do órgão de contas foram afastados no ano passado. Cabral também cooptou, segundo as investigações, o Ministério Público estadual. O ex-procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes está preso sob suspeita de receber uma mesada de R$ 150 mil durante sua gestão (2008-2012). 
 
A delação de Carlos Miranda, gerente da propina de Cabral, descreve mesadas a mais de 60 pessoas. Vão desde os R$ 150 mil pagos a Lopes e Pezão a R$ 500 entregues mensalmente a um motorista do Palácio Guanabara. Com a prisão de Pezão, todos os últimos quatro governadores eleitos passaram pela cadeia. Anthony e Rosinha Garotinho foram detidos em razão de acusações da Justiça Eleitoral, sem relação com a Lava Jato.
Anthony Garotinho, contudo, também foi citado na delação do ex-presidente do TCE Jonas Lopes, seu ex-secretário de Casa Civil. O colaborador afirmou que já na gestão do ex-governador distribuía propina a conselheiros da Corte. Ele nega a acusação. O único ex-governador eleito do Rio de Janeiro ainda vivo que não foi preso é o ministro Moreira Franco, alvo de investigações na Lava Jato. Todas essas prisões explicam como o Rio chegou à atual degradação em que se encontra.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários