A Franca aos 194 anos


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Transformação é a palavra que impera na atual ordem econômica mundial. Seja na mais desenvolvida localidade do planeta, seja na mais remota comunidade do mundo, mudar, adaptar-se aos novos tempos é necessário. Em uma economia global, que avança a passos largos, não acompanhar essa evolução é sentenciar-se a ficar para trás. O mundo que nos une pode ser o mesmo que nos exclui, assim é fundamental estar completamente adaptado e conectado à rede global. Quase dois séculos depois de sua emancipação política, a Franca do Imperador, a Terra das Três Colinas, a Terra do Capim Mimoso ostenta os títulos de capital nacional do basquete e do sapato masculino, ambos conquistados no século passado. 
Se no esporte, Franca voltou a impor respeito, no calçado, enfrenta uma crise. A turbulência, porém, não nasceu na cidade, mas depende de seus agentes para ser superada. O sapato francano enfrenta concorrência desleal que vem de dentro do próprio país e também de fora dele. As forças políticas locais devem pressionar o Estado e União para defender a produção francana, sob de pena de um dos símbolos da cidade ficar no passado.
 
Nos últimos tempos, a guerra fiscal entre os Estados brasileiros levou muitas empresas de Franca, principalmente, para o Nordeste. No mundo, a China promove uma predadora concorrência em praticamente todos os setores e, com os sapatos, não seria diferente. Reinventar-se, agregar valor aos seus produtos, foi o caminho encontrado pelos guerreiros industriais francanos. Oferecer um produto diferenciado é a única forma de enfrentar comercialmente os chineses. 
 
E tanto é assim que a própria China é hoje o 20º principal importador dos calçados francanos. De acordo com levantamento do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), entre janeiro e setembro deste ano, o país oriental comprou 440 mil dólares dos calçadistas francanos. O aumento foi de quase 500% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram vendidos 74 mil dólares. Mas as exportações totais caíram 13,8% na mesma comparação, de 60 milhões de dólares para 51,8 milhões de dólares.
 
Somada a queda na venda ao exterior e a perda de indústria para outros Estados, o número de funcionários na indústria de calçados de Franca, no último mês de setembro, era de 18.917. De acordo com o mesmo levantamento do Sindifranca, é o menor número de empregados desde o ano 2000.
 
Franca sente esta queda, mas poderia ser pior. Só não o é, porque a economia local se diversificou e continua para fortalecer ainda mais a cidade como um importante polo regional de comércio e serviços. Nos últimos anos, são inúmeros os investimentos desses setores na cidade. Aos 194 anos, Franca caminha rumo a ser capital de nada e, ao mesmo tempo, de tudo. O mundo moderno não comporta segmentação, ele exige pluralidade.

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